domingo, 25 de setembro de 2011

O "Caso" da Madeira

O problema da crise da Madeira é que não é um problema. As práticas financeiras duvidosas do Governo Regional são denunciadas há mais de duas décadas pelo Tribunal de Contas. O Presidente da República também já sabia da situação. Se o Primeiro-Ministro não sabia, ou é ignorante ou simplesmente não quis saber.

Mas o problema da crise da Madeira é que não é um problema. Não é novidade. A contabilidade criativa e a gestão fiscal irresponsável são práticas recorrentes e generalizadas nas Juntas de Freguesia, nas Câmaras Municipais e nas empresas públicas. É a prática que os nossos cidadãos recorrem na hora de pagar impostos. É a prática das empresas privadas e do Estado quando criam parcerias mirabolantes que nos deixaram afundados num mar de betão e computadores inúteis para crianças estúpidas.

Alberto João Jardim deve ser recriminado no tribunal da opinião pública, tanto no continente, como nas regiões autónomas. E possivelmente deve ser acusado num processo criminal de desvio à gestão orçamental. Assim como todos os outros funcionários públicos que cometeram o mesmo crime. Primeiros-Ministros e Presidentes da República incluídos.

O problema é a nossa imprensa que transformou o caso da Madeira numa novela trágica. Um problema que deveria ser investigado todos os dias por todos os meios de comunicação transformou-se numa distracção. Num fait-diver clássico. Sem o drama e a intriga de uma polémica é impossível reter por muito tempo a atenção errática do povo português. Era necessário retratar Alberto João Jardim como um tirano déspota, alguém para odiar e transferir a frustração sobre a calamidade das finanças portuguesas. Porque isso vende jornais.

O problema da Madeira é que os seus habitantes são portugueses. O Governo Regional da Madeira é tão português quanto o Governo da República Portuguesa. Todos partilhamos o mesmo amor por subsídios e a mesma inaptidão para a matemática.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pole Position


Ricardo Costa (jogador do Valência) - "É bom para mim que Ricardo Carvalho não volte"

Já não se luta para se ser o melhor. Torce-se para que os que são melhores que nós caiam.
Perdemos a classe de Carvalho, ganhamos a rendida mediocridade de Ricardo Costa.
Nem só desertores e mercenários merecem reprovação.