domingo, 26 de junho de 2011

A Reforma segundo Jesus Cristo

Acho que já é oficial: a religião terminou o seu trabalho. Bravo, digo eu. A faina foi árdua, os selvagens foram cristianizados e por toda parte existem belos monumentos que pela eternidade representarão uma herança cultural notável – a matriz judaico-cristã.

Com ela veio um código moral civilizado, um manual de bons costumes e a culpa católica que todos necessitamos quando estamos prestes a cometer pecados. Sabemos agora que não se deve matar, roubar e acima de tudo, não se deve cobiçar a mulher e os escravos do próximo.

Com isto, acho que é possível reafirmar: a religião terminou o seu trabalho. Lembremo-nos sempre das suas filosofias e dos seus escritos. Exaltemos a sua procura exaustiva de respostas para questões irresolúveis. Mas todo o resto pode e deve ser dispensado como vudu, magia e superstição.

O meu primeiro contacto com a realidade da inexistência da Deus aconteceu ainda em criança quando descobri que Deus tinha o hábito irritante de responder às perguntas com um silêncio vigoroso e irredutível. As orações passaram a ser meras palavras vazias e a missa transformou-se num ritual milenar arcaico e inútil.

Sempre achei particularmente assustador o momento da cerimónia em que os fiéis se ajoelham. Ainda mais assustador quando suplicam ao Cordeiro de Deus pela sua piedade e misericórdia. Nas suas mentes, só Ele poderá salvá-los do pecado e levá-los à vida eterna. Em troca, pede apenas uma coisa – submissão. Algo que devidamente analisado revela uma dimensão perturbadora.

A maioria das pessoas vive as suas vidas ignorando por completo vários dos mandamentos que dizem subscrever. Somos todos mentirosos, gulosos, orgulhosos e avarentos. Somos todos católicos de Domingo, seres ambiciosos e criaturas egoístas. Aquilo que nos move não é desejo de salvação eterna. O que nos move são os desejos pessoais e a busca incessante pelo prazer.

O que mais me impressiona é a estupidez necessária para pegar na espiritualidade e utilizá-la para justificar a negação das leis mais básicas da física. Não é preciso ser um génio para saber que não existem milagres e aparições. Não será São Judas que irá curar os tumores de um leproso. Não será Santa Rita de Cássia que irá fazer ver os cegos. Os milagres que existem são o resultado do engenho e da audácia dos Homens.

O Universo não é apenas indiferente aos nossos anseios. A indiferença implica um julgamento moral, um atestado de desinteresse precedido por uma análise. O Universo é um nada, um vazio desprovido de qualquer significado inerente do qual nós fazemos parte.

A vida, para não ser desperdiçada, não deve ser vivida como uma fase de preparação. A vida é uma dádiva demasiado preciosa para ser resumida a um curriculum vitae acumulado com a esperança de passar no derradeiro exame – a morte.

Com um bocado de honestidade e coragem, podemos admitir que ninguém tem todas as respostas. E muito provavelmente, nunca as teremos. A razão pela qual estamos aqui sempre será um enigma. Ainda bem.

Acho que, no fundo, todos sabemos isso. Acho que, nas situações mais importantes, em casos de vida ou morte, a razão e o senso comum prevalecem. Na luta em prol da causa maior do Homem - a felicidade - somos todos ateus.

2 comentários:

Paulo disse...

Muito bom, muito bom. Conseguiste, de uma forma bem mais estruturada, passar o essencial da mensagem do post do Diogo.

Mas também, o nível deste blog tem vindo a subir em flecha desde o seu nascimento. E muito no plano lexical! Não me digam que agora também se servem dicionários compactados em shots! :)

Anónimo disse...

http://jesusdance.ytmnd.com/

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