quinta-feira, 30 de junho de 2011

Erro de cálculo

Em Portugal há sempre diferentes formas de analisar as mais diversas situações. Sentido de unidade? Tal expressão não existe por entre o velho(ou novo?) vocábulo nacional. Finge-se, por exemplo, que tal existe quando se realizam determinadas greves para defender determinados direitos de determinados grupos. Na verdade, cada indivíduo quer dar a sua colherada. Não condeno, o oportunismo nunca esteve tão na moda, e ganha cada vez mais preponderância neste contexto em que vivemos. Quem quer triunfar tem que deixar de parte, por "breves" instantes, muitos dos valores que os papás ensinaram desde pequenino. O "Mau" é o novo "Bom".

Mas sem querer entrar demasiado em devaneios filosóficos do real passo directamente ao assunto que aqui me trouxe.
Ontem foi divulgado pelo INE o valor do défice do primeiro trimestre deste ano, revelando uns preocupantes 7.7%. A tentativa de reduzir o défice das contas públicas para 5.9% até ao final do ano prevê-se agora mais complicada. Falo de diferentes análises porque, nos primeiros meses do ano, a Direcção Geral do Orçamento tinha proclamado um bom andamento nas contas do Estado. Afinal, segundo os dados fornecidos pelo INE, as coisas não são muito bem assim. Para perceberem a diferença, a DGO sugeria um excedente nas contas, contra um défice de mais de 3 mil milhões de euros agora revelado pelo Instituto Nacional de Estatística.
Ao que parece, as duas entidades utilizam métodos de cálculo distintos. A DGO a "contabilidade pública", e o INE a "contabilidade nacional". Esta última já inclui, não só as contas de empresas públicas, como o registo de despesas feito no momento do compromisso com os fornecedores e não no do pagamento. Isto significa que aqui são contabilizadas as dívidas que o Estado tem vindo a acumular.

A DGO quereria, portanto, enganar alguém. Um engano inconsequente, pelos vistos. Ou talvez não, tendo em conta a disparidade dos valores apresentados. Mas por cá tudo é feito em virtude de algo maior que a própria vontade. De resto, o governo de Sócrates estava recheado de pequenas extrapolações da realidade como esta. Mas também não deposito demasiadas expectativas em relação a este novo executivo. Nunca o fiz anteriormente. A história recente mostra que teria saído tremendamente defraudado. Resta-me apenas esperar para ver...

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