segunda-feira, 27 de junho de 2011

(As últimas publicações remetem para temas sociais, políticos, literários, religiosos e filosóficos. Não necessariamente por esta ordem. Confesso que sou complacente com um enfoque também direccionado para temas menos proeminentes e com uma diminuta implicação directa no dia-a-dia das pessoas, mas vejo-me na obrigação de trazer para escrutínio algo que estará, por certo, a remoer, nem que seja minimamente, um abrangente universo de 6 milhões de pessoas.)

Nuno Gomes, ao que tudo indica, estará mesmo a caminho do Braga. Durante o dia de ontem já foi inclusivamente dado como certo no clube arsenalista por alguns órgãos de comunicação. A capa de hoje do Correio da Manhã dá conta de um eventual egresso entre as duas partes, por questões salariais, o que me faz acreditar ainda mais que o acordo, se não estiver já consumado, estará preso por pequenos detalhes, sendo, então, uma questão de tempo a sua oficialização.

Já tinha sido com pesar que tinha presenciado a sua saída do Benfica. O avançado português foi uma das figuras maiores do clube no passado recente – provavelmente apenas equiparado com Rui Costa. Com Simão poderá até ser cotejado a nível desportivo, mas nunca a nível institucional. Desportivamente, a sua qualidade nem pode sequer, quanto a mim, ser contestada: apesar de o ser, até mesmo por adeptos encarnados. No entanto, a forma como sempre honrou a camisola e, também, a braçadeira do clube é simplesmente indiscutível e louvável. O altruísmo com que actuava, colocando a equipa num patamar de relevância superior ao seu rendimento individual, também não me parece deixar muitas dúvidas. Recordo ainda uma entrevista passada – já não me lembro quando nem porquê. Mas as minhas reminiscências destacam uma passagem em que a sua mulher (presumo) aconselhava, num tom reprovador, que deveria pensar mais nele próprio e menos na equipa, ao que simplesmente redargue que era aquela a sua forma de jogar. É pena que o Zé Povinho não queira saber disso para nada. Nuno Gomes nunca foi um goleador na verdadeira acepção da palavra, nem nunca o precisou para ser um grande jogador. A sua inteligência em campo destacavam-no dos demais.

A gestão inepta que Jesus fez da sua situação foi mais condenável que alguns desaires mais custosos, mas ainda assim naturais no mundo atípico do futebol. Vê-lo na condição de suplente dos suplentes, atrás de filisteus como Kardec e Weldon, foi uma hilariante afronta ao desporto-rei, uma perversa patacoada de todo o tamanho. Ainda assim, nem neste contexto impróprio o Nuno deixou de ser fiel aos seus valores e à sua verdade. Não criou ondas, não destabilizou, não reivindicou quando qualquer outro provavelmente o teria feito e, quando entrava, fazia-o como sempre na sua carreira: incansável, com vontade e com paixão. E com golos. A porta por onde saiu não foi, de todo, condizente com aquilo que deu ao clube nas 12 épocas que esteve ao seu serviço.

Que seja, agora, feliz nesta última etapa da sua digna carreira. Ele, apenas ele. Porque assim bem o merece.

2 comentários:

Shinji disse...

Mais um triste badameco para se juntar a este antro... Enfim

André Mota disse...

<3