domingo, 30 de maio de 2010

Uma questão de consistência

Viagens de avião em classe turística. Fim de carros com motorista para cada Ministro. Substituição de flores naturais por flores de plástico. Fim de ajudas de custo com transporte e telemóveis. Redução de salários do Governo em 15%. Estes são alguns dos cortes no orçamento que países como o Reino Unido, França e Espanha estão a adoptar de modo a reduzir despesas.

Em Portugal, cada ministério tem uma frota de carros. E não é qualquer veículo que transporta as Suas Santidades. São BMW, Mercedes e afins. Até os motoristas têm motoristas. Os nossos deputados viajam em primeira classe. A redução dos salário foi de 2,9%, que para gente que ganha entre 3000 e 8000 euros, não constitui propriamente uma mudança radical de vida.

Mesmo depois do escândalo silencioso das Câmaras Municipais que desperdiçam milhares em festas (que deve ser das poucas coisas que realmente dão votos), a realidade não mudou significativamente. Ainda ontem, para um concerto do B.B. King, o município de Sabrosa dispensou mais de 350 mil euros em verbas.

Digo eu, que até haver um sistema de apoio social a funcionar na perfeição, até haver salários que representam as necessidades, corta-se todo o resto. Os Ministros que comecem a andar a pé. Façam chamadas telefónicas oficiais em detrimento de visitas de Estado. E pelo amor de deus, deixem de organizar concertos do Tony Carreira. Vamos pôr as festividades em "stand-by" até não existirem reformas de 200 euros.

Estes cortes não representam uma diminuição significativa na despesa pública. Mas não são demagogia, como alguns sugerem. É apenas uma questão de consistência e credibilidade. Acima de tudo, é uma questão de respeito.

sábado, 29 de maio de 2010

Cavaco aGAYnst all odds


Um tiro que não saiu apenas pela culatra, mas também conseguiu desperdiçar munições em várias direcções: a promulgação da lei do casamento homossexual por parte de Cavaco Silva teve um efeito epicêntrico no terremoto que se começa a formar no PSD pré-eleições presidenciais. Depois de um mandato em que o Presidente da República conseguiu vetar mais leis do que pronunciar palavras sobre as mesmas, eis que, naquela que é socialmente a mais controversa das propostas do Executivo de Sócrates desde a renovação de mandato, Cavaco aprova uma situação a que publicamente se opôs desde início.
Como defensor, ainda que passivo (por nada mais que preguiça), do casamento homossexual, vi na aprovação desta lei um avanço significativo do ponto de vista de igualdade de direitos e, de um ponto de vista pessoal, uma oportunidade única de juntar os trapinhos com qualquer um destes meus parceiros de blogue, caso ocorra a dramática situação de nunca encontrar uma cara-metade de saias. Mas até a mim me surpreende a atitude de contra-senso do presidente ao promulgar uma lei, cujo veto não traria assim tanto mal ao mundo, até porque uma segunda votação positiva na Assembleia da República forçaria a aprovação, sem colocar em causa as ideias de Cavaco. Mas Cavaco Silva consegue, com a promulgação, desagradar ao próprio partido e mostrar ao povo em geral uma fraqueza de espírito só ao nível da criança que não quer fumar, mas começa a fumar para agradar aos colegas, mas acaba por perder o respeito dos colegas que não fumam e que já o respeitavam, e ainda morre de cancro do pulmão.
E se desgraça faltasse ao nosso presidente, as desculpas que apresentou foram comoventes. Mártir que é, sacrificou as suas convicções em prol do país que representa, alegando uma crise económica para justificar a aprovação de uma lei de foro social. Tentou tranformar a fraqueza em humildade, a submissão a modesta cedência.
Pessoalmente, vejo este alvoroço na direita com algum agrado. A já possível hipótese do PSD avançar com um novo nome para concorrer com Cavaco na luta por Belém fascina-me sobremaneira, por se adivinharem umas eleições épicas: um candidado de esquerda às turras com o PS e um candidato de direita às turras com o PSD. Ainda que, no meio de tanta turra, seja díficil vaticinar um desfecho, a putativa candidatura de um novo homem da direita só favorece Manuel Alegre. Com o apoio do Bloco e do PS, este último ainda que engolido a seco, e com uma direita que Cavaco fez questão de voltar a dividir quando, aparentemente, desde a eleição de Passos Coelho, se começava a afastar do "saco de gatos" que se tinha tranformado, Alegre reúne muito melhores condições para assumir a presidência. Ironicamente, conseguiria-o pelo mesmo motivo por que Cavaco lhe ganhou as eleições de 2006: divisão da oposição em dois candidatos. Não me parece que a direita seja tão estúpida, mas já fui provado do contrário no passado. Até porque, caso não avance novo candidato, temos a esquerda de costas voltadas para Alegre e a direita de costas voltadas para Cavaco, o que levanta a questão de para onde é que os partidos estarão, efectivamente, virados de frente.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Mundo em que vivemos

Lista das 100 pessoas mais influentes do Mundo

O critério de selecção é completamente absurdo, e esta lista não deve ser minimamente levada a sério, mas não deixa de ser engraçado ler isto.

País do "faz de conta"

Vivemo num país de aparências. Aliás, num mundo de aparências. Mas Portugal é um bom exemplo de podridão intelectual. Toda a gente quer ser aquilo que não é. Toda a gente quer ter aquilo que não pode ter. Toda a gente quer parecer feliz quando não o é. José Sócrates diz que tem um país a fugir da crise actual. Melhor, dentro da União Europeia somos dos países com melhores progressos em termos de recuperação económica! UAU!!! Estamos mesmo bem. O défice subiu "magicamente" depois das últimas eleições para 9,4%, quando antes era de cerca de 5%. Ninguém sabia que o défice, no espaço de poucos meses, andava tão desfasado da realidade. O próprio Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, revelou-se surpreendido com o facto. O Ministro responsável pela pasta das finanças portuguesas não sabia como andava o défice? Será que somos assim tão cegos? Isto até já se passou há algum tempo, mas agora toda a gente anda preocupada com o défice como se tivesse sido Jesus a aumentá-lo de propósito por termos aprovado o casamento homossexual.

A acrescentar a isto, temos pessoas, que nada têm a ver com a política, a tentarem viver as suas vidas normais, com um carro, casa, férias, lcd's, sanitas de ouro, etc. Por detrás disto têm 50 créditos para poder pagar tudo. Pelo menos momentâneamente, porque depois ficam por pagar os tais créditos. Solução? Pede-se mais um para pagar o que está em dívida. E depois temos gente com Mercedes, casa com 4 assoalhadas e na bancarrota. Para não falar da fuga aos impostos. O melhor é que estas pessoas ainda se consideram inteligentes porque conseguem enganar o Estado. E por isso é que lhes sabe bem chegar a casa à hora de jantar, comer uma feijoada, ver o telejornal e criticar o Governo porque aumentou os impostos e anda a "roubar" os pobres. Coitadinhos...

O artigo de opinião de hoje do Manuel Pina, no JN, refere que foram recentemente "requisitados 12 motoristas para o Gabinete do Primeiro-Ministro". Atenção para o facto de que todos eles estavam já empregados. Este é um bom exemplo prático da ideia que pretendo transmitir.

Tudo isto se resume a uma única questão essencial: vivemos num país de trogloditas. Isto aplica-se a todos os sectores da sociedade, sem excepção. E estamos bem assim. Pelo menos fazemos de conta que sim. Porque a forma de pensar dos portugueses é única e unânime. Tudo o que fazemos é merda, e Portugal não passa de uma sanita gigante.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Juventude

Esta notícia revoltou-me. A notícia, claramente mal investigada, mal analisada, representa uma generalização absurda. Até para mim que de bom grado afirmo que o mundo vai definitivamente abaixo quando a chamada Geração Morangos chegar à idade das decisões e influência social. Esta mistela toda originou este post.

Nós, jovens de hoje, temos uma disponibilidade incrível de entretenimento variado. Podemos ver qualquer tipo de filme, ouvir qualquer tipo de coisa e basicamente, podemos dizer e fazer o que queremos, quando queremos e como queremos,dentro do limite da lei e do senso comum. A moralidade já deixou de fazer parte desta equação.

No entanto, parece-me que seremos talvez a geração mais entediada da história. Se a "geração perdida" de Fitzgerald e Hemingway sofreu ao voltar à normalidade depois de combates sangrentos na Primeira Guerra Mundial, a nossa geração sofre pela ausência
de sofrimento. Eu sei o que isto parece. Parece chorar por termos demasiado. Aliás, parece chorar pelo leite que não foi derramado. O problema é que não há leite.

Sofremos pela ausência de puritanismo, de uma certa força maligna que nos oprime, que nos obriga a levantar o cu do sofá. Não digo isto em termos de lutar pela liberdade no 25 de Abril. Digo isto em termos que não há nada mais a atingir. Com certeza, há a fome em África. Mas eu não quero ficar sem a minha principal fonte de piadas.

Obviamente que nem todos somos seres fantásticos, mas nós não somos, por natureza, preguiçosos, nem desleixados, muito menos complacentes. Somos talvez algo desiludidos. Não é a palavra certa. É uma espécie de resignação generalizada semelhante a desilusão, no mesmo modo que saudade (saudade que aqui deve ser entendida como um conceito literário de desejar algo que nunca virá) é semelhante a nostalgia. É o sebastianismo dos nossos dias, mas sem a personificação individual numa pessoa específica.

Acima de tudo o problema da juventude de hoje é dizerem que ela tem problemas. Nesse caso, o problema não está em nós, mas sim na geração anterior. Se temos problemas, caros adultos, a culpa é vossa. Nos anos 80 vocês também eram uns inúteis drogados que usavam o símbolo da paz em fitas na testa com a mania de perseguição do sistema capitalista. Telefonem-me quando tiverem resolvido o aquecimento global e empregabilidade dos jovens licenciados. Por causa da vossa necessidade de conduzir carros grandes, daqui a 50 anos provavelmente bastará sair de casa em Braga para chegar à praia. Espero que, por essa altura, já tenham inventado protector solar factor 1000. Caso contrário, a culpa também será vossa.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Balança Alegre


Manuel Alegre é, aparentemente, um candidato pouco agradável para o Partido Socialista apoiar. Numa situação de enorme instabilidade, o apoio a um personagem contestável - e contestado - poderá e deverá afectar umas eleições presidenciais demasiado próximas de umas mais que prováveis legislativas antecipadas - pelo menos a julgar pelas palavras do próprio Passos Coelho na passada moção de censura do Partido Comunista.
Além da influência no eleitorado, há também que verificar, acima de tudo, uma relação interna demasiado turbulenta entre o PS e Alegre. O poeta foi sempre dos primeiros a dar a cara na crítica a algumas das mais importantes decisões do governo de Sócrates ao longo dos anos, e mais recentemente atacou o Programa de Estabilidade e Crescimento, "obrigando" mesmo o ministro da economia Vieira da Silva a avisar que cabe exclusivamente ao Executivo governar o país. Ora, ao Partido Socialista convém um Presidente da República que se mantenha ao máximo afastado da esfera governativa, mesmo a nível opinativo, algo que, convenhamos, Cavaco Silva desempenha na perfeição, na medida em que não abre a boca. Manuel Alegre, no seu heróico estilo franco, de ideias fixas e frontalmente demarcado do seu partido quando a situação o justifica, não parece reunir as características mais aprazíveis a um Partido Socialista que necessita de neutralidade (ou passividade) vinda do Palácio de Belém, ainda para mais depois de um largo período de guerra fria com Cavaco Silva. É, aliás, de considerar que Manuel Alegre terá mesmo sido um dos principais responsáveis pela perda de maioria absoluta por parte do seu partido. Tendo isto em conta, o apoio ao Poeta Alegre seria pouco provável, e até absurdo.
O facto da reunião de José Sócrates com os autarcas do PS ter sido inconclusiva deve-se ao outro lado da balança, não menos pesado.
A primeira consequência do não-apoio ao lírico candidato seria a perda de grande parte do eleitorado mais à esquerda para o Bloco ou, exceda-mo-nos, para o Partido Comunista. Uma perda que, julgando pelos resultados do BE nas últimas eleições, seria bastante considerável. Não apoiar Alegre seria sacudir a ainda existente ala esquerdista para fora do partido, risco que Sócrates não pode correr tendo em conta as legislativas, já que o PS, concorrendo contra o PSD de Passos Coelho e afastando a ala esquerda do país, conseguiria a proeza pouco salomónica de não agradar nem a gregos, nem a troianos.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O lado mau do Verão

Tudo na vida tem dois lados. Os chamados "dois lados da questão". E acaba por ser verdade. Tudo pode ser visto sob diferentes pontos de vista. Não passa de uma questão de perspectiva. Um bom exemplo disso é o afamado Verão. A verdade é que quase toda a gente gosta do Verão, seja pelo calor, pela praia, pela semi-nudez ou pelos finos numa esplanada ao sol. Mas a época sazonal que se aproxima com prazer também traz alguns inconvenientes. Os indícios surgem nesta altura, ainda na Primavera, mas explanam-se no Verão.

Por exemplo, uma das piores coisas que se pode fazer no Verão é andar de autocarro. Infelizmente tenho de andar de transportes públicos quase todos os dias, e acreditem que não há muitas coisas piores no mundo que ver um velho de 83 anos levantar o braço enquanto cospe um pulmão. O cheiro que se cria dentro deste tipo de veículos é realmente insuportável. Ainda por cima a taxa de velhice dentro dos autocarros parece aumentar drasticamente nesta época de calor, factor importante para o propagação do cheiro nauseabundo. As únicas vias de entrada e saída de ar surgem na forma de umas minúsculas janelas superiores nas partes laterais do veículo. Ainda ninguém percebeu que aquilo não serve para mais do que entrada para os mosquitos. O cheiro não desaparece por ali nem o ar consegue entrar. O ambiente que se cria é asfixiante.

Umas das coisas que mais me incomoda acontece quando, havendo inúmeros lugares vazios e disponíveis, uma pessoa qualquer se senta junto de mim. Mas porque raio, com tantos lugares, decidiu ela sentar-se ao meu lado? Será que tem frio? Ou quer aconchego? Eu já estou a fazer um esforço enorme para chegar vivo ao final da viagem torturante, e vem alguém a cheirar a babuíno deitar por terra os meus esforços. Mas a alternativa é ir de pé, e viajar ao lado de vários braços levantados com aquele cheiro característico de um esforço laboral diário não se assemelha a uma solução viável. Não tenho nada contra as pessoas que viajam comigo no autocarro, mesmo aqueles que me pisam e dão cotoveladas, apenas acho que podiam tomar banho com maior regularidade.
Os autocarros no Verão deviam ser descapotáveis.

Mas as viagens de autocarro não são os únicos inconvenientes de Verão. Ainda temos os mosquitos, escaldões, cervejas mornas e festas da Nova Era. Mas não quero que fiquem com uma má imagem do Verão, que até compensa com coisas boas, por isso fico por aqui. Mas façam o que fizerem, evitem autocarros.

domingo, 23 de maio de 2010

Seja lá o que te faz feliz

"An ad that pretends to be art is — at absolute best — like somebody who smiles warmly at you only because he wants something from you." - David Foster Wallace

Eu acredito piamente na máxima do “faz aquilo que te faz feliz”. Bem, em relação a mim, isto pode significar um número crescente de realidades.

Gosto de manter um destacamento positivo sobre tudo e inclusivamente ignoro problemas sérios e graves. Escolho ignorá-los porque não me afectam minimamente. Não são problemas, são apenas pequenas peças que compõe o cenário à minha volta. Há sempre o outro lado da questão.

O que quero dizer com isto é simples. O importante na vida, será talvez a capacidade de abstracção do mundo, em qualquer altura. Isto aplica-se a qualquer coisa, esteja eu a ser vítima de um assalto, esteja eu prestes a ter um acidente de carro.

Sei que parece uma filosofia drástica, talvez algo anti-social, mas é na verdade uma tentativa de ser feliz. Correndo o risco de parecer um diálogo de uma novela da TVI, esta é a mais pura verdade. Eu, como qualquer outra pessoa, quero ser feliz. Como andam por aí a dizer, “foda-se o resto”.

Sei que sendo, por natureza, imaturo, ou talvez ingénuo e ao manter predisposições inabaláveis de cepticismo face à interacção e coexistência, corro o risco simplório de passar uma eternidade na penumbra. Sei que nunca serei alguém famoso, ou alguém reconhecido pela sua ética de trabalho, ou mesmo alguém meramente simpático. Sei que daqui a dez anos serei uma criança de 30 anos. Hoje em dia não podemos viver num quotidiano trivial (mas agradável), que para mim consiste em coisas como comer percebes à beira-mar.

Hoje, basicamente temos que decidir o nosso futuro aos 18 anos. Temos que fazer hipotecas de 30 anos. Temos que casar, ter filhos. Temos que telefonar aos nossos pais aos fins-de-semana e visitar os nossos avós no Natal. Temos que ter uma “carreira”. Foda-se, se eu quisesse injectar heroína nos olhos, eu deveria ter toda a liberdade para assim fazer, desde que não afectasse a vida de outrem. Vivemos em sistemas de protocolos, padrões, planos, organização e repetição. E eu não digo isto nalgum modo estúpido e anárquico, de rebeldia adolescente estúpida, actualmente personificada em t-shirts do Che Guevara.

Eu consigo aceitar o facto de que a socialização é, não só inevitável, como necessária para a ordem natural do mundo. O que não podem esperar de mim, é eu simplesmente resignar-me a esse facto. Eu não preciso, eu não tenho que, e mais importante ainda, eu não quero. E por socialização entenda-se o discurso a que somos sujeitos diariamente sobre a cidadania, progresso e responsabilidade.

Talvez seja trágico pensar, ou melhor, ter a certeza que existe um efeito estabilizador na minha percepção de que as coisas importantes na vida são muito poucas. Um conhecimento tão seguro, esta única verdade absoluta, é quase um orgulho, uma presunção inglória que me carrega pelo infame decorrer do tempo.

É um luxo, reconheço, acreditar cegamente em algo tão simples e tão massivo. Sei que o tempo irá ganhar, é certo. Apenas neste ponto, julgo estar à frente de muita gente. As pessoas ainda se surpreendem com a passagem do tempo. Esta crença, derivada de alguma forma de vaidade, passará para o pano de fundo à medida que linhas e imperfeições se instalarem na minha face. Se calhar, no futuro, não haverão extremos na minha vida, decerto alguma coisa contribuirá para um amaciamento.

Um dia, brandos costumes serão assimilados por mim, acho eu, mudarei para alguém, ou alguma coisa, que aceitará uma forma de conformismo, com toda a sua negatividade.
Desta vez, correndo o risco de parecer um anúncio da Sumol, poderia dizer que quando esse dia chegar, não lhe vou falar. Mas não. Esse dia não vai sequer chegar. Eu vou estar demasiado ocupado a beber finos e a comer tremoços enquanto o resto do mundo se preocupa.

E acreditem, gostar de anúncios estúpidos de marcas de refrigerantes e frases melosas em pacotes de açúcar não vos transforma automaticamente em pessoas felizes. Muito pelo contrário. Transforma-vos em vítimas de fraude. Na vida, não há nenhuma música a tocar no fundo. Não há banda sonora. Publicidade é só apenas alguém que sorri para te pedir alguma coisa. Eu, pelo menos, quero ser alguém que sorri e não tem nada para pedir. A analisar profundamente esta questão, a minha filosofia é um TGV. Não é realista, mas é exequível.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O outro lado da política

Hoje decidi fazer uma pequena homenagem ao cenário político português, aproveitando um pouco a onda de um artigo que escrevemos para o JUP (sim, isto é publicidade), e que será posteriormente colocado na íntegra aqui no blogue. Um dos meus principais visados é o Excelentíssimo Presidente da Grandiosa República Portuguesa, com direito a duas referências.
E como palavras não são suficientes para descrever o que podem ver a seguir, deixo-vos com três vídeos escolhidos por mim de forma relativamente aleatória. O último é um pouco mais longo, mas acreditem que vale a pena.


Afinal serves para quê?

Vídeo 1

Os protagonistas não gostam de bolo-rei

Vídeo 2

Nestes momentos consigo gostar da política nacional

Vídeo 3



P.S. - Peço desculpa por não colocar directamente os vídeos, tentei mas não estavam a funcionar. Fiquem com os links.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Matreiro Bettencourt


Até a vinda do Sr.Papa a Portugal serviu para resumir, de certa forma, aquilo que foi a época futebolística portuguesa.

Basta passar os olhos por esta notícia, para constatar que Deus tramou Bettencourt e o resto da lagartada. Tanto se queixaram de roubos ao longo da época que, quando o presidente verdusco quis ver Sua Santidade de leão ao peito, algum amigo do alheio deitou a mão à preciosidade que o chefe leonino transportava. Neste acontecimento consigo ver ainda, de forma mais ou menos rebuscada, uma ponte para a maioria dos planos traçados pelas direcções Sportinguistas: ficam-se pela intenção. Melhor dizendo, dão em merda.

Por seu turno, o representante do Belenenses não fez mais do que fazer jus à posição em que terminou a equipa de Belém. Chegou em último e, tal como a permanência na Liga, a entrega da camisola ardeu.

Continuando com esta linha de pensamento, o Benfica acabou por ser o único a triunfar nesta grandiosa cerimónia, tendo Luís Filipe Vieira entregue com pompa e circunstância a jaqueta encarnada. Ora é costume futebolístico haver as famosas trocas de galhardetes e camisolas, pelo que estou em crer que o sagrado descendente de S.Pedro tenha entregue a Luís Filipe Vieira aquele ridículo chapéu vermelho com que se passeia nos dias de Verão e que, por coincidência tão bem assentaria no equipamento benfiquista.

Para terminar, e porque foi isso que me levou a escrever este texto, atentem num pormenor da notícia que referi. Bettencourt, na falta de outra solução e, visto que se fazia acompanhar de um jovem das escolas leoninas, mandou o rapaz entregar o pólo verde que trazia vestido. Ora pensem bem: é astuto ou não, da parte do Presidente Sportinguista, entregar uma camisola de criança ao Patrono daqueles que pelos vistos tanto gostam de meninos? Lá diz o cântico: "Deixai vir a mim as criancinhas..."

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Comunicado Oficial d'Os Protagonistas

Nota Oficial:

Os Protagonistas, orgão de pseudo-imprensa parcial, corruptível e desequilibrada, vem por este meio anunciar que não irá aderir ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

A Língua Portuguesa, língua de Camões, pátria de Fernando Pessoa, referida por Olavo Bilac como a "última flor do Lácio, inculta e bela", descrita por Miguel de Cervantes como uma língua "doce e agradável"; é um património único e alienável, merecedor de soberania, e independência sobre mudanças arbitrárias e boçais.

Este acordo foi delineado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa que, apesar de assumir como objectivo o "aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros", é na realidade uma mera desculpa para organizar vários países insignificantes à volta do Brasil.

Portugal, ainda traumatizado pela perda do seu longínquo Império, utiliza esta organização como saliva para lamber as feridas, e desse modo poder pôr em prática a mania de grandeza que aflige a nação lusitana desde a sua formação e continua a infectar o imaginário cultural do país até aos dias de hoje.

O outro membro importante desse grupo, Angola, uma ditadura mascarada de democracia num eterno Dia das Bruxas, tenta igualmente se colar a países mais desenvolvidos, desde que continuem a comprar o seu petróleo enquanto ignoram as suas constante violações de direitos humanos básicos.

Ao longo da nossa história, várias tentativas de alterar a nossa língua foram perpetradas pelas chamadas elites. Vários acordos ortográficos foram delineados à medida que a língua portuguesa definhava progressivamente.

Na sociedade actual, a maior parte da população não dispõe de conhecimentos básicos de Português, algo que aflige de igual modo o Presidente brasileiro, Lula da Silva. Assim, a prioridade deve residir na alfabetização maciça da população e na formação de cidadãos capazes e interventivos.

A homogeneização da Língua Portuguesa é uma medida contraproducente que decreta a lenta morte de culturas únicas. O seu objectivo de "unir povos", transborda ignorância pela simples estupidez da ilusão de que povos falantes de uma língua exactamente igual serão mais bem sucedidos. Como sempre, as exportações serão sempre mais importantes do que o património cultural, o sentido de identidade e a diferenciação num mundo, cada vez mais, tragicamente semelhante. A "amizade mútua e cooperação" deverá surgir na apreciação das diferenças entre povos, não no extermínio das suas idiossincrasias.

Fernando Pessoa ficou na história ao dizer que a ortografia portuguesa sem ípsilon seria "como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse". Também nós, Os Protagonistas, ficaremos na história ao lutar pelo direito das consoantes mudas. A História nos julgará.

Os Protagonistas

domingo, 16 de maio de 2010

Vergonha Alhei(r)a


A professora de Mirandela que posou para a revista Playboy foi suspensa das actividades lectivas, e da sua função - bastante sugestiva, de resto, para uma modelo de tal revista - de responsável pelas Actividades Extra-Curriculares. Os motivos apresentados foram olhares de desconfiança por parte dos colegas e perda de credibilidade perante os alunos. Tenho pelo menos cinco razões pelas quais deve ser levantada a suspensão da senhora, que leccionava na terra conhecida pelas famigeradas alheiras:

1 - Eu vi as fotos, e asseguro que reprovação por faltas será um mito na turma leccionada por esta senhora. Assiduidade é meio caminho andado para o sucesso escolar.

2 - A suspensão não passou de inveja de uma velha vereadora do pelouro da Educação, que sabe que tem tantas hipóteses de posar para a Playboy como tem Jorge Jesus.

3 - A "pressão" do povo de Mirandela provém do "choque", que foi tal que a edição esgotou em poucos dias na região. É um povo púdico, mas que gosta de se informar sobre aquilo a que se opõe. Louvável.

4- Os colegas da senhora, os do sexo masculino, não passaram a olhá-la de lado. Pelo menos, não só de lado.

5 - A senhora é professora da primária, pelo que, sem ela, os alunos nunca deixarão a sua condição de analfabetos, nunca podendo assim apreciar a entrevista que vem com as fotos na revista, estando condenados a limitarem-se ao visionamento das mesmas.

sábado, 15 de maio de 2010

Esoj Osnofa

Para quem não sabe, esta palavra esquisita era utilizada para referir José Afonso no final da década de 70, numa altura em que se tornou um acérrimo opositor ao regime Salazarista. Se repararem, esta palavra estranha é precisamente o nome original dito ao contrário. Ou melhor, de forma inversa. Isto era feito pelos jornais da época porque "Zeca" era alvo de uma censura feroz.

Falo hoje do Zeca Afonso porque achei que merecia algum tipo de homenagem. Não que qualquer texto meu possa servir como tal falando deste grandioso mestre da música, apenas falo dele porque me parece a desculpa perfeita para um post e para falar de algo que me agrada.
Confesso que apenas aprendi a gostar das suas músicas há relativamente pouco tempo,desde o meu último ano no secundário. Antes disso nunca tinha prestado muita atenção a um personagem que detinha tanta admiração perto de tanta gente. Achava que era mais um gosto clássico de uma classe composta maioritariamente por pais e professores. Eram aqueles que mais pareciam apreciar o som que provinha daquele homem com óculos feios. Agora já não me parecem tão feios, na verdade.

Lembro-me do meu professor de geografia ser assustadoramente semelhante ao Zeca, de tal forma que passávamos as aulas de TIC a procurar fotos dos dois para comparar. Se tivesse uma foto do meu professor vocês iriam perceber. Por acaso lembro-me com alegria desse professor. Não, não me violou nem praticou qualquer tipo de acto criminoso comigo, não vão por aí. Apenas foi uma das pessoas que mais me fez evoluir enquanto pessoa durante o período absurdo que foi o secundário. Ensinou-me a ser mais crítico em relação ao que me rodeia, e embora não escreva de forma espetacular, indo de encontro a opiniões como as do Shinji (sim, tens razão, não escrevo muito bem), ele também me ensinou a escrever melhor, e aumentou a minha cultura geral de uma forma incrível. Talvez por isso, olhando para fotografias do Zeca Afonso, faça tantas vezes a associação entre os dois. Ambos resolutos, críticos e perspicazes. Também se aproximavam na ligação ao ensino. Além da cara, mas isso é demasiado óbvio. Esse professor foi um pequeno "Zeca" na minha vida. Acho que é um dos melhores elogios que posso fazer.

Existe uma música de José Afonso que se chama "Mar Alto". É uma das mais belas canções de sua autoria. Dentro dela existem também dois versos que me chamam particularmente a atenção. "Viver bem perto do céu/Andar bem longe do mundo". Acho que gosto destes versos porque gosto de me associar a eles. Gosto de pensar que sou aluado, que por vezes fico mais distante do mundo, distante demais para me preocupar com o que quer que seja. E sinceramente cada vez me preocupo menos não com a minha vida, mas com o mundo que me rodeia. Não é uma despreocupação arrogante, mas sim uma tentativa de entrar em contacto com isso a que chamam mundo por outra via, a da irresponsabilidade, irreverência e talvez protesto. Racionalmente, sei que o resultado será merda e que merda seria o destino, se acreditasse nele. E eu até gosto de ser racional e objectivo. Mas a verdade é que a vida é um pedaço grande de merda. Isto não é uma crítica, apenas uma visão objectiva da realidade. Nem digo isto de um ponto de vista poético. Todos sabemos que um cagalhão cheira mal e tem mau aspecto. Mas eu, pelo menos, gosto de cagar. Tal como gosto de viver.

Mas não quero acabar um texto baseado no Zeca Afonso a falar de merda, por isso termino dizendo que, não sendo um eterno renovador da sociedade, este personagem da história de Portugal acaba por ser um modelo. Um modelo daquilo que pode ser feito mas ninguém faz. Uma força de vontade que acabou. Para mim, merecia um lugar de destaque no Madame Tussauds. Podem utilizar o meu professor para o molde. Já não existem pessoas como José Afonso. Acho que é o melhor elogio que lhe posso fazer.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E agora, Democracia?

Winston Churchill disse uma vez que a democracia é a pior forma de governo, com a excepção de todas as outras formas experimentadas ao longo da história. Democracia é um conceito complicado de definir. A Wikipedia até tem uma definição: democracia é uma forma de governo onde as decisões políticas representam a vontade popular.

A realidade instalada agora difere grandemente do sistema fundado nas liberdades individuais, na ausência de coerção, na igualdade, etc e afins. O sistema democrático é apenas uma sucessão de elites, que se renovam, que evoluem, mas que se mantêm essencialmente iguais. A democracia serve agora para instalar partidos no poder, que tentam, exaustivamente, renovar a sua permanência.

Merdas como esta agora são normais. Ninguém se revolta com as afirmações proferidas por este senhor. Mesmo sabendo que os absurdos investimentos públicos são encargos energúmenos, Henrique Neto criticou que a decisão do adiamento das obras prejudica o Partido Socialista. Ora, o que está aqui em causa, é a saúde financeira de um país, não meia dúzia de neoliberais pintados de socialistas.

O que quero dizer com isto tudo é simples. Para onde vai a democracia? O objectivo será talvez caminhar para uma espécie de igualdade perfeita, cheia de plenitude e felicidade. No entanto, a realidade é avoassaladora: não há satisfação nem prosperidade sem desigualdade. As pessoas sã os isqueiros, as facas e os martelos. As pessoas são o meio para o fim. Sempre será assim enquanto um grupo restrito de indivíduos pensar que estão a fazer um favor a alguém por estarem no poder.

Assusta-me para onde esta barcaça vai.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Gorjetas


A maior gorjeta que eu alguma vez dei a um taxista foi ao único, de todas as vezes que eu utilizei este meio de transporte, que permaneceu calado toda a viagem.
Antes de me alongar, devo declarar que o próprio conceito de "gorjeta" me faz uma certa confusão. Uma recompensa por serviços bem prestados não deve ser dada pelo consumidor, mas sim pelo empregador. Um consumidor assume que lhe serão prestados bons serviços, é por isso que paga o serviço em si; se souber de antemão que é mau, nem o utilizará. Por outro lado, o trabalhador já recebe o salário, não só para prestar o serviço, como para o prestar bem, porque, caso não o faça, deverá vir para a rua. É assim que deverá funcionar o mercado de trabalho; medo do desemprego, numa sociedade capitalista, deve garantir um bom serviço. A recompensa não deve, portanto, ser a gorjeta; deve ser uma fieldade ao serviço prestado porque, se uma pessoa é bem servida, as chances são substancialmente maiores de voltar. (Deixo aqui dois minutos para recuperar o fôlego)
Se é dada gorjeta, é porque a fasquia está de tal forma baixa que servir bem é já sinónimo, não de obrigatoriedade, mas de qualidade acima da média, que deve ser recompensada com mais do que o mesmo salário que todos os trabalhadores, mesmo os que trabalham mal, recebem.
Depois, há outro tipo de gorjeta, que é feita por pena. Gorjeta por pena nem é gorjeta, na verdade. É esmola. É alcóol etílico despejado em orgulho ferido.
(Deixo mais um minuto para descansar e para verificarem, tal como eu, com esta repetição exaustiva da palavra "gorjeta", como esta perdeu todo o encanto).
Choca muita gente que eu muitas vezes não dê esmola, perdão, gorjeta aos taxistas. Quando a dou, é normalmente para arredondar, porque quero ir rapidamente para casa às 3h da manhã e não tenho paciência que o homem puxe da sua bolsinha no fundo do bolso das calças, que demora uma hora a encontrar, e que procure as moedinhas usando pouco mais do que o luar e a ténue luz do taxi. Eu não dou esm...gorjeta, porque já largo quase dez euros só para vir do Piolho a Gaia durante a madrugada, com aulas no dia seguinte, e porque o serviço nunca é nada de especial, nem poderia ser, levar-me a casa é o mínimo exigido e o mínimo cumprido.
Além do mais, as tentativas dos taxistas meterem conversa tiram-me mais do sério do que qualquer outra coisa com que já tive o prazer de conviver neste mundo. É de madrugada, está frio, tenho uma quantidade imensurável de Superbock nas veias, e o sacana vem sempre falar-me do tempo, do desemprego ou do filho que também estuda, mas que não é lá muito bom aluno, que na verdade reprovou duas vezes; temas que, mesmo em condições temporais, meteorológicas e alcoólicas normalizadas, nunca me interessariam.
Foi, por isso mesmo, que dei a maior gorjeta ao taxista que não abriu a boca. Foi a viagem de taxi mais tranquila da minha vida. Isto sim, é bom serviço.

domingo, 9 de maio de 2010

Festejando...

O que mais me deliciou hoje foi ver um grupo de jovens adeptos do Porto a fugir de duas carrinhas da PSP após apedrejarem um carro de um adepto do Benfica. É por isso que eu adoro futebol.

A cara de assustado de um desses jovens, que me implorou que lhe indicasse um sítio para se esconder, deu-me uma pena quase comparável à que sinto quando imagino todos os adeptos bracarenses (onde se inclui metade da população portuense) que ficaram em casa a comer um enorme melão para festejar o 2º lugar.

Ahhh e enquanto um simpático benfiquista me ofereceu uma garrafinha de vinho do Porto para mandar a baixo (que ironia), imagino que os meus amigos Fabeta e Diogo estejam neste momento a afogar as mágoas numa garrafinha de Eno, acompanhada de uma caixinha de Rennie ou Kompensan


EDIT: ouvi dizer que nas últimas horas, até há fila de espera para saltar da Ponte D.Luís

terça-feira, 4 de maio de 2010

Os Protagonistas anunciam cessar-fogo

Os Protagonistas vêm por este meio informar a cessação de hostilidades até Segunda-Feira, 10 de Maio de 2010.

Mesmo que temporária, esta, é a uma das maiores perdas da imprensa de opinião internacional nas últimas décadas. Esperamos assim que este pequeno período de férias não cause grandes transtornos ao nossos leitores.

Sabemos que organizam as vossas agendas à volta da actividade mais importante das vossas vidas - a leitura diária deste soberbo blogue. Por isso, é natural que as vossas rotinas se transformem num descalabro total.

Gostaríamos assim de assegurar o seguinte: voltaremos em força. O inimigo é duro e bem treinado, mas nós estivemos na Guiné.

Devemos todos retirar conforto do facto de que o cenário político português está tão mal, que uma semana sem a vigilância diligente d'Os Protagonistas não piorará assim tanto as coisas.

Cumprimentos cordiais,

Os Protagonistas

sábado, 1 de maio de 2010

Um Verdadeiro Bom Fim-de-semana

Desejar "bom fim-de-semana" a uma pessoa é uma situação banal da nossa sociedade. A pessoa pode ter cancro numa unha, estar a dever milhões às finanças, ter um familiar desaparecido e viver debaixo da ponte, que há-de aparecer sempre algum bom amigo a desejar "bom fim-de-semana".

Ora, este fim-de-semana que aí vem, augura-se verdadeiramente excepcional, sobretudo para um benfiquista, estudante na Universidade do Porto, tal como eu.

Se por um lado, começa a Queima do Porto, por outro, o seu início coincide praticamente com o decisivo Porto-Benfica. Em primeiro lugar, vou à Queima quase todos os dias. Em segundo vou ver o jogo ao Dragão e depois, tenho boas hipoteses de ir dar um saltinho aos Aliados. Ouvi dizer que ali vai haver grande concentração de pessoas no Domingo á noite, por isso vou ver qual o motivo de tal aglomerado. Por fim, vou para a Queima encharcar-me em álcool na Tasca do Urso (a gerência do barraco devia dar-me umas borlas pela publicidade grátis) e acabar a noite num autocarro a microssegundos de vomitar no colo da donzela mais próxima.

Digam-me lá se não é um fim-de-semana de sonho...

Bem... por outro lado, posso levar porrada durante o jogo, ir aos Aliados e levar porrada também, ir à Queima e mandarem-me com os ossos ao chão ou ainda pior ficar em coma alcoolico e não voltar para casa.

De qualquer das formas, anuncio que durante os próximos dias eu e quiçá, alguns dos outros Protagonistas, vamos tirar uma espécie de mini-férias deste blogue. Sei que não deixamos grandes saudades, excepto ao senhor(a) Shinji, que morrerá de tédio com a possivel quebra na publicação de textos. Sossega, regressaremos em full speed.

Bom Fim-de-Semana! (sobretudo para os Benfiquistas)