quinta-feira, 29 de abril de 2010

Porque tanta gente quer ser jornalista

Texto de Ricardo Kotscho, jornalista brasileiro consagrado.

É um texto grande como o caralho? É.
Vale a pena lê-lo? Sim.
É melhor do que o meu post? Não.

"Quero me dirigir principalmente aos jovens que ainda acreditam nos compromissos dos jornalistas de servir à sociedade com ética, fiéis ao seu tempo e à sua gente.

Este ano, estou completando 45 anos de profissão, e continuo acreditando nestes princípios.

Fui repórter na maior parte deste tempo, e ainda sou, mas já fiz de tudo um muito na carreira de jornalista - menos trabalhar em circo, por enquanto

De repórter estagiário a diretor de redação, passando por editor, chefe de reportagem, correspondente na Europa, repórter, comentarista e diretor de televisão, assessor de imprensa de candidato a presidente, Secretário de Imprensa da Presidência da República, e atualmente blogueiro profissional, já fiz um muito de tudo.

Trabalhei, em diferentes cargos e funções, nos principais veículos da imprensa brasileira, com exceção da revista "Veja" e da TV Record. Fica mais fácil dizer aonde não trabalhei.

Para quem começou a trabalhar como ajudante de jornaleiro e depois foi "foca" de jornal de bairro, em 1964, até que não posso reclamar da vida

Aprendi, logo no início da minha carreira, que uma das principais tarefas da imprensa é fiscalizar o poder público e denunciar o que tem de errado, sem deixar de contar o que está acontecendo de bom, sair dos gabinetes, contar histórias da vida real.

A imprensa era então chamada de quarto poder. Mas, nos últimos tempos, alguns jornalistas e alguns veículos parecem ter-se promovido por conta própria ao primeiro poder - primeiro e único.

Quer dizer, a mesma imprensa que investiga e denuncia, também julga e condena. A um só tempo, faz o papel de promotor e juiz, dona da ética e do destino.

Hoje, é fácil. As denúncias muitas vezes chegam prontas para os jornalistas - em forma de dossiês, fitas, listas, como um serviço de delivery.

Vivemos, afinal, o mais amplo e duradouro período de liberdades públicas desde que me conheço por gente.

Em geral, primeiro denunciam para só depois checar a veracidade do que foi publicado - mais ou menos como o policial que primeiro atira para depois pedir documentos.

Mas nem sempre foi assim.

Em meados dos anos 70 do século passado, fui autor da primeira reportagem de denúncia publicada pela imprensa brasileira, depois da retirada da censura prévia no "Estadão", instalada com o famigerado Ato Institucional nº 5.

Com a colaboração de toda a rede de sucursais e correspondentes do jornal, coordenei uma série de reportagens sobre as "mordomias" do regime militar, relatando os abusos e privilégios de ministros e altos funcionários do governo federal.

O presidente da República era o general Ernesto Geisel e os jornalistas naquele tempo corriam risco de morte no exercício do seu trabalho.

Mais ou menos nessa mesma época, meu colega Vladimir Herzog foi suicidado na prisão e vários outros jornalistas foram presos e torturados.

Tive mais sorte e acabei indo trabalhar como correspondente do "Jornal do Brasil" na Europa.

Sobrevivi para contar estas e muitas outras histórias no meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto - Uma vida de repórter", lançado pela Companhia das Letras, em 2006.

Nele conto como se deu a passagem da ditadura à democracia, sob o ângulo de um repórter que viu e viveu de perto as mudanças no país e na imprensa na segunda metade do século passado.

Como comecei em jornal no inesquecível ano de 1964, a partir daí relato o que aconteceu na imprensa e no país até 2004, quando trabalhei como Secretário de Imprensa, no Palácio do Planalto, com o presidente Lula.

O livro apresenta um registro destas quatro décadas, divididas exatamente em dois períodos de 20 anos: 20 anos de ditadura e 20 anos da nossa jovem democracia.

No meio, como um divisor de águas, localizo a Campanha das Diretas, o grande marco no processo de redemocratização do país.

A mesma grande imprensa que apoiara com entusiasmo o golpe militar de 1964 e, depois, foi colocada sob censura prévia em 1968, a partir do golpe dentro do golpe, demorou a se dar conta das mudanças, vinte anos depois.

No final dos anos 1980, um grande movimento popular estava ganhando as ruas para dar um basta à ditadura.

Trabalhava nesta época no jornal "Folha de S. Paulo" que, desde o primeiro momento, ainda nos últimos meses de 1983, abriu suas páginas e mobilizou toda sua equipe para fazer a cobertura da Campanha das Diretas.

Pela primeira vez, notei esta mudança de direção entre os chamados formadores de opinião, abrigados na grande imprensa, e a vontade popular expressa pela sociedade civil organizada.

Em vez de a imprensa fazer a cabeça do povo para ir às ruas, como aconteceu em 1964, agora era o povo nas ruas que obrigava a imprensa a ir atrás para descobrir o que estava acontecendo.

Com a liberdade reconquistada, a imprensa viveria um período de prosperidade, com investimentos em profissionais e máquinas modernas que produziam veículos graficamente cada vez mais bonitos.

Isso durou mais ou menos até meados dos anos 90, quando se instalou uma crise econômico-financeira na mídia. Algumas empresas até hoje lutam para sair dela.

Redações foram progressivamente sendo reduzidas, ao mesmo tempo em que, para cortar custos, o espaço das reportagens na mídia impressa foi sendo ocupado por colunas e pelo noticiário burocrático cevado nos gabinetes e apurado por telefone.

Em conseqüência, houve uma inversão de prioridades na pauta dos veículos. Em lugar das histórias sobre a vida no Brasil real, a mídia impressa passou a dedicar cada vez mais espaço ao Brasil oficial, aos bastidores e às futricas da disputa política, assim como à vida das celebridades.

Com a imprensa regional cada vez mais dependente do noticiário das três grandes agências nacionais - Folha, Estadão e Globo -, o resultado é que passamos a ter Brasília demais e Brasil de menos nos jornais e revistas.

É o caso de se perguntar hoje o que é causa e o que é conseqüência.

A mídia impressa deixou de produzir reportagens por causa da crise econômica dos veículos?

Ou a crise é justamente conseqüência desta mesmice, com os veículos cada vez mais parecidos uns com os outros e distantes do seu público?

Nos anos mais recentes, essa situação se agravou com a concorrência das novas mídias eletrônicas. Agora, já não basta encontrar novas fórmulas para diferenciar um veículo do outro, mas também acrescentar algo a mais ao noticiário das agências on-line, para diferenciar uma mídia da outra.

Além disso, enquanto a grande imprensa de papel encolhia, emissoras de rádio e televisão passaram a investir cada vez mais em jornalismo. E se multiplicaram por toda parte os sites e os blogs.

Bem abastecido de informações durante todo o dia, o leitor dos jornais de prestígio passou a sentir um gosto de pão amanhecido no noticiário impresso que acompanha seu café da manhã.

Esta modorra só costuma ser quebrada quando surge um novo dossiê, uma nova fita ou entrevista explosiva capaz de balançar os alicerces da praça dos Três Poderes.

Em compensação, os jornais populares não pararam de crescer no mesmo período, incorporando um leitorado novo. Quase todas as grandes empresas investiram nesse filão, atraindo gente que nunca antes teve dinheiro para comprar jornal.

O casamento do preço de capa bem mais barato com a melhoria de renda dos trabalhadores criou um novo e promissor mercado. Além disso, temos agora também os jornais distribuídos gratuitamente nas esquinas.

Por isso, entre outras razões, não faço coro aos profetas do apocalipse que anunciam há tempos o fim da imprensa de papel.

Assim como o cinema não acabou com o teatro, e a televisão não acabou com nenhum dos dois que vieram antes, acredito que todas as formas de divulgação de informações sobreviverão.

O que cada mídia precisa fazer será definir qual é o seu papel nesta história e ser capaz de atender às demandas da sua freguesia.

Para que isso seja possível, penso que se torna cada vez mais necessário estabelecer marcos regulatórios na comunicação social. De preferência, com a auto-regulamentação da atividade, tanto para empresas como para os profissionais, a exemplo do que já acontece com o CONAR, que zela pela ética na publicidade.

Num mundo cada vez mais conectado à grande rede, em que seremos todos um dia, ao mesmo tempo, emissores e receptores de informação, há que se estabelecer regras do jogo claras para todos.

Só assim a liberdade de expressão e informação será realmente um direito da sociedade democrática e não um privilégio de interesses particulares de grupos políticos ou econômicos.

Assim como aconteceu lá atrás na Campanha das Diretas, assistimos hoje a um processo semelhante, em que a população já não se submete mais passivamente aos velhos donos da verdade, mas forma sua própria opinião a partir das mais diversas fontes e, principalmente, dos fatos concretos da sua própria realidade.

Na medida em que, pelas mais diferentes razões, a chamada grande imprensa deixou de acompanhar o cotidiano da vida real em largas regiões do país, ao invés de surpreender seus leitores, muitas vezes ela é que está sendo surpreendida pelos fatos.

De outro lado cresce a importância dos veículos regionais, das publicações independentes, das rádios e televisões comunitárias, um passo importante para a democratização das informações.

Deixei para o final a parte mais importante da história: a grande revolução que a internet está provocando hoje nas relações humanas - a maior desde que Guttemberg inventou a imprensa, faz uns 500 anos.

Quase 60 milhões de brasileiros já estão ligados à grande rede, tornando-se ao mesmo tempo emissores e receptores de informação, acabando com esta história de formadores de opinião.

Hoje, cada um quer formar a sua própria opinião e, se possível, influir na opinião dos outros

Eu, se fosse vocês, querendo mesmo ser jornalista, começaria desde já a trabalhar na internet, nem que seja de graça Só comecei neste mundo muito recentemente, já chegando aos 60 anos, e confesso que estou gostando muito

Voltando à mídia tradicional. Para aproximar novamente um mundo do outro, quer dizer, a fábrica de papel impresso da realidade vivida por sua clientela, só tem um jeito.

É colocar novamente os dois em contato, falar a mesma língua, reaprender a contar histórias da vida real, não só contar mas também explicar o que está acontecendo.

É sair da redação, largar o telefone e as teses dos analistas políticos, botar outra vez o pé nas ruas e nas estradas, olhos e ouvidos bem abertos.

Para isso, sigo sempre a lição do velho mestre Cláudio Abramo. Ele dizia a ética do jornalista deveria ser igual à ética do carpinteiro - ofício que ele também exercia nas horas vagas.

Quer dizer, precisamos apenas ser honestos naquilo que fazemos, e fazer bem feito o nosso trabalho, qualquer que seja nosso cargo ou função.

Não é a função ou o cargo que faz o profissional, é o contrário: em qualquer cargo ou função, seja numa redação ou numa assessoria de imprensa, a nossa ética tem que ser a mesma.

Era assim que pensava e agia quando trabalhei como Secretário de Imprensa no governo.

Nós, afinal, prestamos um serviço ao público, para o conjunto da sociedade, e não para quem eventualmente nos paga o salário, seja uma empresa privada ou o governo.

O caminho que escolhi e segui quase a vida toda foi o da reportagem - a melhor maneira de contar o que está acontecendo, de denunciar o que está errado, mas também de louvar as iniciativas de brasileiros que estão mudando a sua própria história e a do país.

É o que procuro fazer agora na Brasileiros, revista mensal de reportagens, uma iniciativa de alguns jornalistas da minha geração, que ainda não perderam a fé na nossa profissão, apesar de tudo.

Se alguém ainda tiver dúvidas de que vale a pena ser jornalista, basta dar uma olhada na revista, que já está completando dois anos.

Desde abril do ano passado, escrevo também no portal iG, onde mantenho um blog chamado "Balaio do Kotscho". Não percam!

Para mim, não faz a menor diferença se escrevo um texto para a internet, uma revista ou para um novo livro.

Nós, repórteres, somos contadores de histórias da vida real - o meio usado para isso, a tal da plataforma, pouco importa.

Se antes, quando eu comecei, era arriscado e difícil denunciar a corrupção dos podres poderes de sempre, hoje o desafio que se coloca para nós profissionais é outro.

É não servir de instrumento a interesses político-partidários, sejam eles do governo ou da oposição, preocupando-nos unicamente em contar o que a sociedade tem o direito de saber sobre o que está acontecendo.

Sei que pode parecer romântico ou utópico o que estou dizendo, especialmente se falo para jovens que muitas vezes já perderam a capacidade de sonhar e de ousar.

Mas sempre foi assim que entendi o nosso papel de repórteres - esses historiadores do cotidiano que escrevem sobre o dia de hoje, sempre na esperança de contribuir para um amanhã melhor.

Posso garantir a vocês que vale a pena tentar, mesmo remando contra a maré, mesmo dando murro em ponta de faca: é muito bom poder trabalhar como jornalista num país como o Brasil - onde tanta coisa ainda está por ser construída e tanta história para ser contada.

Muito obrigado."


Ricardo Kotscho

terça-feira, 27 de abril de 2010

Resultados na 5ª Sondagem


A dramática necessidade da selecção nacional de um lateral-esquerdo de raíz parece ter levado a melhor sobre o sentido de humor. Quando assim é, sabemos que se trata de uma necessidade sentida pelo povo, ou, pelo menos, daquela bastante considerável e prezada parcela que nos acompanha. E sabemos também que a situação da lateral-esquerda da selecção é deveras catastrófica quando o povo deseja ardentemente Leandro Grimi, o atabalhoado esquerdino do Sporting, a ocupar a posição, sendo que Os Protagonistas podem garantir que metade dos votantes desconhecia sequer quem seria tal sujeito. Temos, de resto, a certeza que grande parte dos votos no homónimo do nosso amigo e recentemente falecido Leandro não passaram de uma forma dos leitores, de sua maioria completos leigos no campo futebolístico, mostrarem conhecimentos que não têm, não recorrendo ao humor fácil de convocar um aleijado (Bosingwa) ou um velho senil (o Pantera Negra).

Numa sondagem que recolheu um bastante agradável número de votos, facto ao qual não está alheia nossa recente adesão à rede social Facebook, o lateral esquerdo do Sporting Clube de Portugal conseguiu uma incrível maioria absoluta de respostas dos nossos respeitáveis leitores à pergunta: "Qual será o convocado-surpresa para o Mundial?". Grimi recolheu 26 votos, o que prefez 56% do total. Se de política se tratasse, Leandro Grimi teria todas as condições reunidas para uma consistente ditadura. O que é alarmante do ponto de vista da base da nossa equipa no Mundial mas também da base da democracia em Portugal.

No segundo lugar, juntam-se todos os nossos estimados saudosistas, que desejam ver o velho Eusébio de regresso aos relvados. Com 68 anos e outras quantas artrites, os seus 13 votos (28%) só podem significar duas coisas: ou os idosos benfiquistas saudosistas salazaristas visitam este espaço com regularidade, ou a situação futebolística do nosso adorado Portugal está realmente preta (não querendo com esta expressão zombar de alguma forma com o tom de pele do melhor jogar português de todos os tempos). De resto, nascido em Lourenço Marques, Moçambique, o Pantera Negra poderia soltar toda essa sua veia africana quando jogasse nos relvados sul-africanos. Ficará para a próxima.

Bosingwa, quiçá a principal ausência do Mundial da nossa selecção, parece não ter a mesma popularidade quando se locomove com ajuda de muletas. O famoso detentor de uma portentosa monosobrancelha reuniu apenas 7 votantes, 15% do total. Depois de recuperado da lesão, terá certamente uma outra recepção por parte dos nossos leitores. Para já, além de ver o Mundial do sofá do seu lar, terá ainda de suportar o ainda maior desgosto de ter ficado atrás de Eusébio e, gravíssimo, de Leandro Grimi naqueles que os nossos queridos leitores pensam que serão os convocados-surpresa para o Mundial.

Esta experiência de sondagem de teor futebolístico foi uma situação a repetir. Não só contribuimos para o aumento do leque cognitivo e cultural dos nossos fiéis leitores com esta aproximação a um tema, o futebol, que, segundo nós, merece um maior destaque na sociedade; como também garantimos, ao não incluir nenhum jogador do Tokio Verdy na sondagem, que o nosso amigo samurai, de sua graça Shiji, não participou este nosso humilde inquérito.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Preservativos Bento Sensitive

Um memorando do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, enviado internamente por funcionários, foi divulgado. Sem querer.

O documento aconselhava o Papa a lançar uma marca de preservativos, aceitar o casamento gay e inaugurar um clínica de aborto, em ocasião da visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido. Entre outros conselhos estava também um pedido de desculpas pelo envio da Armada Invencível espanhola em 1588 e cantar um dueto com a Rainha Isabel.

O governo britânico foi rápido a emitir um pedido de desculpas formal ao Vaticano que, por sua vez, mostrou-se indignado e chegou a ponderar o cancelamento da visita.

Agora, depois de explicações dadas, desculpas aceites e sapatos engraxados, está tudo bem entre britânicos e católicos. O sucedido foi afastado como uma mera piada que saiu fora de controlo e a visita irá ocorrer como o planeado.

Para mim a piada está ao contrário. O memorando pode ser inoportuno de um ponto de vista político, mas faz absolutamente todo o sentido de um ponto de vista racional, e até mesmo, em termos de senso comum.

Enquanto andamos por aí a criticar o "terroristas" palestinianos, os beligerantes iranianos e o malucos venezuelanos, o Vaticano realizou uma verdadeira obra de arte: excomungou uma menina de nove anos que realizou um aborto depois de ter sido violada pelo padrasto e engravidado de gémeos. A excomunhão foi igualmente aplicada à mãe da menina e à equipa de médicos que realizou a procedimento. Mas quem ainda pode ir para o céu? O pai que violou a própria filha.

Vamos a factos práticos:

1 - O pai violou uma pessoa, que por acaso é a sua própria filha.
2- A menina, tem 9 anos.

Nem é preciso considerar os danos psicológicos duplos. Ser violada pelo pai. Estar grávida aos 9 anos. Vamos ser malucos, e considerar por um instante que a menina vai lidar prodigiosamente com isto no futuro em termos psicológicos. Vamos fingir que ela não está, nem vai ficar com profundas marcas e traumas para o resto do vida. Vamos ser ainda mais malucos. Vamos fingir que ela não é capaz de sentir emoções, que ela é um naco de carne ambulante. Vamos fingir também que os hipotéticos filhos da menina não ficariam traumatizados.

Mesmo com todas estas considerações, a verdade é que o corpo da menina não está, nem de longe nem de perto, preparado para engravidar, quanto mais dar à luz. Mesmo que os filhos nascessem, correriam grandes riscos de nascer com graves problemas de saúde, visto serem o produto de incesto. O risco sobre a vida biológica da menina e das duas crianças seria imenso.

Sobre todas estas considerações o Vaticano ainda se mostrou irredutível. Para eles, o pai cometeu um crime grave, mas que não constitui razão de condenação divina. Agora a menina, que sob risco de vida, realizou um aborto, livrando-a de ainda mais traumas, é uma herege.

Por esta história toda, o memorando britânico faz todo o sentido. Deveria não só ter sido enviado para o Vaticano, como deveríamos invadir o pequeno país, e enfiar o memorando pela uretra do Papa. Não vamos ser excomungados, de qualquer modo....

O Vaticano é uma aberração cultural. Menosprezou o direito a uma vida feliz de uma menina, algo que, neste momento, já é quase impossível. Eu apoiaria a Coreia do Norte, antes de apoiar o Vaticano. A Coreia do Norte ameaça lançar bombas nucleares. Poderiam matar milhões de pessoas. O Vaticano apenas excomungou uma menina violada pelo próprio pai. Foda-se isso, não é? Vamos todos para os Aliados dar xauzinho ao Papa quando ele aqui vier.

domingo, 25 de abril de 2010

Inspiração

A inspiração não é um dom. Não é como a inteligência, a beleza ou a capacidade física, que são características que podem nascer connosco ou então demoram algum tempo a alcançar. A inspiração pode nascer em qualquer lado. Ou se tem ou não se tem, mas não nasce connosco. E se não tivermos hoje, amanhã podemos estar cheios dela. É algo de fantástico porque toda a gente pode ter inspiração. Há pessoas que têm mentes mais propícias ao desenvolvimento de ideias capazes e brilhantes, mas mesmo os mais pobres de espírito podem alcançar a grandeza num rasgo inesperado de inspiração.

Em várias ocasiões não sei muito bem o que escrever quando cá venho. É raro pensar muito nos assuntos antes de cá vir escrever alguma coisa, e ainda é mais raro ter algum texto previamente preparado. Se calhar é por isso que ás vezes sai tanta merda. Mas isso não me preocupa. A falta de inspiração pode ser chata quando precisamos de fazer alguma coisa, mas conforta-me saber que consigo encontrar inspiração para um texto numa viagem de autocarro e uma perna dormente. E aqui reside a base do meu texto de hoje. Eu não fazia a mínima ideia sobre o que escrever, e acabei por começar a escrever precisamente sobre a minha falta de inspiração. Simplesmente porque, comentando com alguém sobre isso, obtive uma resposta brilhante: "Escreve sobre não saberes o que escrever..." Sorri, mas achei a ideia tão boa que decidi mesmo pô-la em prática. E de facto consegui encher umas linhas sem nada de concreto ou muito elucidativo, mas falei sobre um problema real. Toda a gente sofre de falta de inspiração, é aborrecido e por vezes irritante. Mas ninguém parece perceber que inspiração é algo que se consegue apenas por abrir os olhos. Abrir mesmo, olhar em volta com uma atenção despreocupada. A maior fonte de inspiração somos nós próprios, mas ninguém consegue olhar para si próprio como deve ser. Por isso fiquem-se pelo que está à vossa volta. É suficiente para uma vida inteira.

Por isto queria dedicar este texto a essa pessoa que acabou por me dar alguma inspiração momentânea. Não é um texto espectacular nem muito bonito, ou daqueles que nos fazem chorar no fim, ou rir muito até doer a barriga, ou dizer aos amigos para virem cá ler mais tarde, mas é um texto inspirado na inspiração. Ou falta dela. E foi essa pessoa que de forma muito simples e instantânea me fez perceber que a falta de inspiração não é um problema. É apenas mais uma fonte de inspiração. Obrigado!

RIP Leandro (25/04/1990- ?)


Os Protagonistas informam que Leandro pereceu hoje, vítima de cirrose hepática fulminante, após ter passado as últimas horas da sua vida a emborcar shots de whisky, por ocasião do seu vigésimo aniversário. Que Deus o tenha!

Assim concluímos, pelo facto de ele se encontrar incontactável há já um bom bocado, algures em Braga, pelo que, para nós, está dado como morto até prova do contrário. Ele que nos prometeu grande mariscada...

Leandro Silva, Lelé para os amigos, deixa 5 filhos no Brasil, uma nota de vinte euros, um maço de cigarros Marlboro Gold (mariquices dele), uma garrafa de whisky avaliada em 7 euros, um talho, várias cabeças de gado suíno, uma bíblia que nunca leu, e um travesti de Via Verde.

PAZ À SUA ALMA! Ah e parabéns também.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

O papa anda a dormir


Aqui, perante nós, está a verdadeira crise da Igreja Católica: as missas são, oficialmente, entediantes. Compreendo que, para a maior parte dos leitores, esta afirmação seja tão óbvia que roce o insignificante. Quase todos adormecemos ainda antes do padre chegar ao terceiro elemento da Santíssima Trindade. Mas quando o pontífice da Igreja Católica adormece em plena missa na visita a Malta, o tédio deste tipo de reuniões atinge, efectivamente, a oficialização.
Pela primeira vez, compreendo o papa. Ainda que, depois do sucedido, os fiéis - não malteses, entenda-se - vieram já dizer que se tratou de um cansaço natural da sua avançada idade. Se eu passar pelas brasas numa missa matinal, com imperceptível acústica e cujo ponto alto é a velha ao meu lado que a dada altura me espeta dois beijos, sou um profanador sem escrúpulos, capaz dos mais hediondos sacrilégios. O papa adormece numa missa feita especialmente para ele, e tudo é compreensível porque, deus o ajude, estava exausto.
Temos de reconhecer no líder da Igreja Católica, apesar de tudo, uma leveza de consciência invejável. Mergulhado em escândalos sexuais, que agravam uma crise existencial de novo século de uma Igreja cada vez menos preponderante socialmente, e oficialmente processado por encobrir os casos de pedofilia do reverendo de Wiscosin, o Big Cheese consegue ser superior a toda essa pressão de forma a não ter qualquer tipo de dificuldades em deixar-se embalar pelo encantador João Pestana. Queira eu, para o resto da minha humilde vida, ter a paz de espírito para fazer das pedras no caminho, não um castelo, mas uma almofada.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Portugueses Entediados

Os portugueses são um povo entediado. Andamos passivamente agitados, azoados em frente a televisões. Ninguém sabe bem como anda a vida. Sabemos que ela anda para a frente, e é só. Somos o povo da tristeza, saudade, nostalgia, passado e glória. Todas as coisas que não levam a nada.

Não estou a sugerir que a chaga sui generis dos portugueses seja uma doença mental. Estou a afirmar. Já há provas suficientes de que somos todos uns loucos neste asilo chamado Portugal. A questão é que temos pouca coisa aqui, neste naco peninsular. É um facto.

Socialmente, somos inertes e estáticos. Parados em merdas do passado – Descobrimentos, Ditadura, Guerra Colonial, Futebol, PREC, UE e afins.

Culturalmente, a oferta é pouca. Contentamo-nos com pouco. Um café, uns finos, se calhar umas moelas e para mergulhar ainda mais na loucura, se calhar até damos uma volta por aí. Há meia dúzia de discotecas e bares aleatórios.

A pouca cultura que temos ou é ignorante, ou é elitista. O governo subsidia meia dúzia de gatos-pingados que andam por aí a fazer as suas peças, as suas declamações de poesia. Mas cultura, cultura real, daquela que se sente no simples acto de andar pela cidade, não existe.

Poderei ser meio cego, mas essa é a minha percepção. Nunca existiu, em qualquer cidade portuguesa, o sentimento de que se tem ao andar em Montparnasse em Paris, ou em Camden em Londres. A sensação de que a cidade é um organismo vivo, com alguma coisa a pulsar pelos becos e esquinas. Não há nenhum esforço para criar algum estímulo.

O nosso apogeu cultural parece residir nas telenovelas da TVI. Pedaços dramáticos que cada vez mais parecem ser um simples sistema de rotação entre actores. Este come aquela, na próxima novela, aquele come esta e por assim adiante vamos ir indo andando, como dizem certas pessoas da aldeia dos meus avós.

Um facto transformativo e revelador: acidentes de carro nas estradas portuguesas. O trânsito não é provocado pelo caos consequente – sangue, destroços, ambulâncias, polícia, bombeiros – mas antes causado pela tentação compulsiva dos portugueses de diminuir a velocidade do carro para melhor observar a tragédia. Coisa que não aconteceria se nós tivéssemos, muito simplesmente, algo melhor para fazer.

A nossa obsessão por coisas mórbidas é bem reflectida nas Tardes da Júlia, ou no programa da Fátima. Os casos apresentados no programa são sempre de um drogado, a mãe de uma filha recentemente assassinada pelo marido à machadada, um paciente que sobreviveu a três cancros ou alguém alérgico a bacalhau.

Podemos facilmente encaixar em estatística o número de portugueses que sofrem das variadas doenças: 600 mil sofrem de diabetes, 400 mil de doença cardíaca (Atenção: Estes dados não são verdadeiros. Tomei uma licença criativa). Mas ninguém ousa arriscar o número de portugueses que sofre de tédio existencial. O número deverá andar na casa dos milhões, sem dúvida.

Domingo passado, na Rua do Vilar, aqui no Porto, uma daquelas ruas estreitas e mal adaptadas ao trânsito moderno, teve um semelhante episódio. Um autocarro, provavelmente a carregar algumas dezenas de idosos entediados desesperadamente a necessitar de algum entretenimento nas suas vidas, ficou entalado na rua. Uma fila de carros descomunal, rapidamente instalou-se, e deu o perfeito cenário para o diagnóstico deste país.

Quase todas as casas da rua tinham pessoas nas portas, nas janelas, nas varandas. Pessoas de roupão, de fato de treino, de pijama, de roupa formal. Pessoas a comentar o descalabro – como se um autocarro parado e uma fila de carros representasse o fim do mundo.

De seguida iniciou-se uma competição de peixeiras – qual conseguiria gritar mais alto sobre os carros mal estacionados. De seguida, os respeitáveis senhores de idade, davam palpites sobre esta falta de vergonha, orgulhosamente a dialogar com os agentes da PSP.

Os sintomas estão todos lá. Nós, portugueses, somos umas almas entediadas. Qual Dr. House qual quê. O meu nome é Leandro Silva e eu não precisei de um acontecimento aleatório completamente sem sentido para fazer este diagnóstico. A cura? Dar um tiro na cabeça com uma arma de grande calibre. A falar a sério. Porque entre isso e ver mais um caso trágico nas Tardes da Júlia, eu acho que arrisco ver por mim próprio se existe vida depois da morte. Ou, pelo menos no meu caso, se existe um inferno. Depois eu mando um postal.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Problemas tem o António Feio

Parece que todo o mundo tem problemas hoje em dia. Toda a gente tem algo para se queixar ou alguma coisa para utilizar como desculpa para a má cara. Não há ninguém que tenha problemas e sorria ao mesmo tempo, exceptuando os maluquinhos, e acho que me posso enquadrar até certo ponto nesta categoria. Normalmente ando bem-disposto, e quando isso não acontece é usual pensarem que estou doente. Mas também não era isso que me punha triste. A título de exmplo, há umas semanas torci um pé, e encontrei diversão na possibilidade de utilizar muletas. Confesso até que por breves instantes tive pena de não me ter magoado nos dois e poder divertir-me em cima de uma cadeira de rodas. Por acaso não foi necessário, porque sou preguiçoso, e a juntar às férias de Páscoa, a minha mobilidade ficou-se entre o meu quarto, a casa-de-banho e a cozinha.
Isto para dizer que tento encontrar felicidade em qualquer aspecto da minha vida, mesmo nos piores. Por isso é que costumo dizer que, por enquanto, sou uma pessoa feliz, precisamente porque não tenho problemas. Que tipo de obstáculos posso ter? Uma dor de cabeça? Uma noite mal-dormida? Um ano a mais na faculdade? Porque raio hei-de me preocupar com isso? Logo eu que não gosto de me preocupar com nada. Acho divertido e estúpido ao mesmo tempo que pessoas da minha idade tenham tantos "problemas". E quem quiser exemplos imediatos, não faltam blogues por aí com frases bonitas, textos apaixonados e outros tristes a falar de obstáculos, problemas e força para os ultrapassar. Parece que certas pessoas tiveram todo o azar do mundo em cima delas e que agora arranjaram uma força incomum para vencer tudo e todos. Caralho, querem problemas falem com o António Feio. O homem tem cancro do pâncreas, cuja taxa de mortalidade é, como me foi atentamente dito pelo Leandro, de cerca de 98%. O Feio tem agora uns míseros 2% para se agarrar a algo. Isso sim pode ser considerado um problema. Agora não me venham dizer que porque um namorado acabou com alguém ou uma amiga não fala mais connosco o mundo está contra nós. Não tenho problemas, logo sou feliz. Provavelmente o meu maior problema actual é o Shinji. Por aí dá para ver como a minha vida é pacata.
Vamos todos morrer eventualmente, prefiro ir tranquilo para o caixão.

Monopólios Privados

"The privatizations in Portugal put a series of quasi-monopolies in the hands of the private sector, many of which protected from foreign competition. With this came a large transfer of rents to the private sector, which they gladly took. These rents were appropriated by a handful of powerful economic groups, that quickly came to dominate large sectors of the economy."

Via The Portuguese Economy

Este é um texto sobre as privatizações portuguesas nos anos 90 e a razão pela qual pagamos preços absurdos de luz e telefone, apesar da EDP e PT terem monopólios virtuais.

E sobre como as privatizações são a razão pela qual somos uma merda. E por uma merda quero dizer que mesmo depois de anos na mama da UE, não conseguimos criar um economia competitiva, não conseguimos diminuir a desigualdade social e o Starbucks e o Krispy Kreme ainda não chegaram a Portugal. E por Portugal eu quero dizer Porto.

É um texto que eu gostava muito de ter escrito, mas o Fabeta, que é comunista e ainda por cima fez a barba hoje, provavelmente por-me-ia nas urgências.

Paulo Bento Strikes Back


O Sporting anunciou a contratação de Paulo Sérgio para treinador principal.

Em conferência de imprensa veio TRANQUILIZAR adeptos vitorianos e sportinguistas -"Sossegar" segundo o perspicaz jornal Record - e já vamos perceber o porquê de terem usado este sinónimo.

Ora diz Paulo Sérgio que ainda sonha com o 4º lugar, o qual pertence ao seu futuro clube e que, no próximo ano pretende ser campeão com a lagartada.

Todo este discurso, um tanto ou quanto demagógico, sobretudo o verbo que acima frisei, fez-me lembrar um certo senhor, também ele adepto do discurso de apaziguamento e acalmia.

E não é que, após breve investigação, descobri que o nome completo do próximo timoneiro dos leões é PAULO Sérgio BENTO Brito?

José Eduardo Bettencourt demonstra, assim, ser um homem de convicções. Ele que em tempos bradou "Paulo Bento Forever!". Parece que vai seguir a exclamação à letra.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ribéry, seu matreiro...



Os últimos dias têm-me mostrado que o futebol está a tornar-se num antro de curiosidades sexuais rocambolescas e tortuosas. Depois do apaixonado beijo trocado por Paul Scholes e Gary Neville, cuja foto eu mesmo aqui postei, recentemente Luís Figo afirmou que "ver Messi jogar é como ter um orgasmo". Com todo o respeito senhor Figo, e sem duvidar da sua sexualidade, importa-se de ir a Espanha ter com o pequeno argentino e deixar a sua esbelta Helen aos cuidados d' Os Protagonistas? Suponho que visto bem de perto, lá no Camp Nou, Messi lhe proporcione climaxes ainda maiores do que os que o senhor tem vendo-o na televisão. Climaxes esses apenas comparáveis aos que a sua parceira certamente proporcionaria a este humilde escriba que aqui palavreia.

Sonhos à parte, mas mantendo o sexo como fio condutor deste texto, hoje veio a público que Sidney Govou e Frank "Scarface" Ribéry estão a braços com um processo em tribunal relacionado com prostituição de menores. E se Govou se tem remetido ao silêncio, o engatatão Frank admitiu ter mantido relações sexuais com uma prostituta menor de idade. O extremo francês referiu ainda que não sabia a idade da moça pelo que refuta qualquer possível pena a que possa vir a ser condenado. E a pena pode ir até 3 anos de prisão.

Ribéry pah, tens o Figo desejoso de ir a Espanha delirar sexualmente com o Messi, a mulher dele fica aqui sozinha e desamparada e tu, seu burro, vais às p*tas?

domingo, 18 de abril de 2010

Anúncio Extra-Ordinário

O Homem-Portugal está à solta.

Mães: Tranquem a vossas filhas.

Deficientes: Escondam as vossas muletas.

Idosos: Não saiam de casa.

O Porto nunca mais será o mesmo.

Brevemente n'Os Protagonistas.

A tia do Louçã


Não percebo tanto alvoroço em volta do comentário que José Sócrates fez a Louçã no último debate quinzenal da Assembleia da República. Recordo que o primeiro-ministro, melindrado por uma acusação de mansidão por parte do líder da bancada do Bloco, respondeu de pronto um muito instintivo manso é a tua tia, pá.
Eu não sei se foi de ter crescido na muito rústica cidade de Gaia, onde os próprios cumprimentos raras vezes ficam acima do nível da tirada de Sócrates, mas a verdade é que não fiquei tão escandalizado como a maioria da população. Acho até que a resposta do primeiro-ministro só pode originar conclusões positivas.
Percebemos, antes de mais, que atrás dos fatos Armani, do nariz proeminente e do sorriso pretensioso, há um homem. Um homem da terra, de Vilar de Maçada, habituado não só ao confronto ideológico no Parlamento como ao confronto territorial com que se debatia na sua aldeia, em que o mínimo palmo de terra era, não raras vezes, disputado até recorrer ao chumbo. Quem sobrevive a isso, está não só mais preparado para enfrentar Louçã em debates sobre a pertinência das privatizações previstas pelo Governo, como terá sempre dentro de si um bichinho rural que, inevitavelmente, virá ao de cima da presença de uma afronta pessoal, ainda para mais quando esta, como no caso da acusação de Louçã, ataca a força do chefe do Governo. Qualquer um de nós pensava o que ele disse, ele disse-o com coragem. Longe do microfone, é facto, mas ainda assim com coragem.
Dois aspectos negativos a ressalvar, ainda assim. A preferência de Sócrates pela muito lusitana expressão "pá" começa a cansar. Depois do "Porreiro, pá", o "Manso é a tua tia, pá". Das duas uma: ou retira o vocativo ou altera-o para algo, ou mais actual - proponho "nigga" - ou mais insultuoso, o que, no caso do confronto com Louçã, tinha sido mais adequado, porque no fundo Sócrates limitou-se a insultar a tia do deputado, pobre senhora cuja existência se desconhece, deixando o sobrinho de fora da afronta.
Depois, irritou-me a falta de rigor gramatical. A tia de Francisco Louçã nunca poderia ser "manso"; seria, quando muito, "mansa". Se Sócrates queria manter a expressão do deputado esquerdista, optava por insultar o tio. Dentro da brejeirice, tem sempre de haver espaço para coerência de género entre o sujeito e o adjectivo. A não ser que se trate de uma nova excepção registada pelo Novo Acordo Ortográfico, que, por nada mais do que falta de tempo, ainda não tive tempo de verificar.

sábado, 17 de abril de 2010

Os Machões


Segundo consta, até Cristiano Ronaldo terá ficado horrorizado com esta imagem do jogo de hoje entre Manchester United e Manchester City. Jogo de machos durões...

Ambição

Não sei. Poderei estar em coma num hospital qualquer. O mundo exterior poderá ter continuado sem mim. Se calhar, enquanto estou a jazer numa cama, mudaram o significado da palavra “ambição”. O Acordo Ortográfico vai mudar tanta coisa que, às tantas, esta é uma delas.

A Comissão Europeia declarou que o PEC português representa um plano económico-financeiro “ambicioso” mas que ainda pode requerer ainda mais “ambição”. É, de facto, um ultraje estas afirmações.

É incrível como cada vez mais, a credibilidade da Comissão Europeia como autoridade económica, é par à das peixeiras do Bolhão. Peço desculpa às eventuais peixeiras que se sintam humilhadas por esta comparação pouco digna. De facto, o saber das peixeiras é muito superior ao da Comissão.

Está bem. A Comissão Europeia é um órgão supranacional. Isso quer dizer que eles não têm que viver em Portugal. Não têm que estar afligidos com as medidas que irão ser aplicadas. Eu reconheço que a nossa situação financeira é delicada. E o português está para o sacrifício como a chuva está para a água. São o mesmo em formatos diferentes.

O que se pede é consistência. Não adianta andar por aí vários meses a gritar por um futuro lustroso e verdejante, e depois espetar-nos com esta enxurrada de cortes. Parece que me recordo que o PS concorreu e ganhou as eleições com um Programa onde não incluía qualquer destas medidas. O défice galopante português nem sequer teve honras de menção nas páginas do programa socialista.

O PEC propõe Técnicas Avançadas de Fuga aos Impostos. Convida a classe média a fugir ainda mais aos impostos. Os mais pobres não têm como ou porque fugir. Os ricos, por sua vez, podem dar asas à criatividade fiscal. Viram as suas fortunas passarem a ser taxadas por uns adicionais 3 pontos percentuais, ao se criar o escalão de 45% de IRS. Calha bem as suas fortunas nem estarem em Portugal, mas antes a passar férias nas Ilhas Caimão.

Tudo o que era veementemente afirmado era que o Partido Socialista tinha conseguido estabelecer um défice de 2,6% em 2007. Parabéns para eles. O Benfica também foi campeão europeu em 1962. O défice actual na ordem dos 9% provém, segundo Sócrates, de uma política de apoio e solidariedade social baseada no pensamento económico de Keynes.

Essa filosofia estabelece que um governo deve aumentar a sua despesa, mesmo que aumentando o défice, de modo a estimular a economia e a reduzir o desemprego. Isso é tudo muito bonito, mas é só uma linha de pensamento. Eu já perdi a conta das vezes que Sócrates refere o pensamento Keynesiano como a sua linha estruturadora. Se é para se basear em apenas um livro, Sócrates deveria ter ido para padre católico, não político.

Passando à frente e tentando evitar o ímpeto que sinto de fazer piadas sobre pedofilia, gostaria apenas de referir que mudando radicalmente a sua orientação política, o PS pode ter ganho um voto de confiança da EU e das agências de rating, mas perdeu a credibilidade minúscula que ainda tinha.

Ah, e caso eu esteja em coma, façam-me um favor. Digam a Scarlett Johansson que a minha vida depende da sua presença junto à minha cama. E que lingerie vermelha não é obrigatória, mas apreciada.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pernas Dormentes

Hoje deparei-me com uma das situações mais estranhas e incómodas da minha vida, normalmente pacata e calma. Não é algo de muito raro ou incrivelmente peculiar, mas nunca tinha passado por isso. Aliás, muita gente deve já ter tido um problema parecido. Ninguém fala disso, mas pernas dormentes são uma coisa dos diabos. Toda a gente sabe o que isso significa e o que isso é. Aquela sensação de que não temos força nenhuma nas pernas e ao mesmo tempo parece que a gravidade da terra se inverte e provoca um efeito de pressão nos membros inferiores que provoca uma das sensações mais incómodas que nosso senhor Jesus Cristo conhece. Parece absurdo falar disto, mas decerto compreenderão a minha indignação com as pernas dormentes. Braços ainda aceito, mas pernas? Como vamos andar? Dar um passo sequer? E aqui chegamos ao meu episódio de hoje. Estava eu descansado na minha habitual viagem até Fânzeres, no meu autocarro preferido, o 801, que faz a ligação entre São Pedro da Cova e Sá da Bandeira, quando na altura de sair na paragem Dr. Américo Costa, a que fica mais perto de minha casa (sei que quase só faltava dizer a minha morada, só não o faço porque o/a Shinji pode preparar-me uma visita surpresa), me apercebo que tinha a perna esquerda dormente. Levantei-me devagar apoiando-me na perna direita, que nesta altura já se ria da sua parceira. Preparei-me para o pior. Sabia que eventualmente o veículo pesado que me transportava carinhosamente a casa iria parar para eu sair. Assim foi, para mal dos meus pecados. Depois de me dirigir discretamente até à porta de trás, inspirei muito fundo e saí do autocarro. Nem imaginam a sensação horrenda que passei. Parecia que o epicentro de um terramoto tinha ocorrido mesmo na minha perna. E fui estúpido o suficiente para sair primeiro com a esquerda, exercendo ainda mais pressão, devido à distância entre o degrau do veículo e o chão. Resultado: quase caí, fiquei inclinado no chão como alguém a quem poderia faltar meia perna e duas senhoras que esperavam talvez por outro transporte público ficaram intrigadas a olhar para mim como se lhes tivesse acabado de falar da relação entre o aumento do consumo de amendoins com a longevidade do Manoel de Oliveira.
Toda a gente se queixa de tudo e de nada, mas parece que toda a gente se esquece do problema das pernas dormentes. Como o Leandro referiu recentemente, em Portugal ninguém quer assumir a verdade e perceber quais são os reais problemas da nossa sociedade. Pernas dormentes é um deles. Não fujam à verdade!
Já agora, não aconselho esta experiência a ninguém. Nem a ti, Shinji.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Narizes

Vou directo ao assunto: odeio que me mexam no nariz. Eu compreendo a tentação; se eu tivesse um conhecido com um apêndice nasal destas dimensões eu próprio não resistia a apertá-lo ou a puxá-lo. Mas confesso que, das muitas coisas que me deixam louco, o tocarem-me no nariz está bem à frente do desemprego ou do aquecimento global.
Em petiz, variadíssimas vezes me tentavam enganar com aquela partida estúpida em que o mais velho finge que tira o nariz do miúdo e depois simula segurá-lo colocando o polegar entre os restantes quatro dedos. Típico: adultos que não conseguem ser mais espertos que os seus homólogos tentam satisfazer o seu frustrado ego zombando com crianças de três anos, fingindo mutilá-las. Porém, alguns destes divertidos galhofeiros praticavam com tanta força a fase de arrancar o nariz que, por me doer, era impossível que já lá não estivesse, a não ser que se tratasse daquela dor psicológica que os mutilados de guerra têm nos membros que já não possuem, dor essa que me parece inviável numa criança de tão tenra idade. Quando a minha ex-namorada teve, pela primeira e única vez, a infeliz ideia de se meter com o meu imponente nariz, tive de lhe bater. Foi assim que obtive o meu primeiro processo judicial, e é por isso que ela é "ex". O aviso fica, portanto, feito; não será por falta de conhecimento desta minha fraqueza que os meus queridos leitores, que são a aguça com que eu afio o lápis com que escrevo com todo o gosto estes humildes textos, se atreverão a encostar a mais pequena parte do corpo de que se consigam lembrar, na minha pirâmide nasal. Obrigado pela compreensão.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Porque ninguém lê jornais

Somos um povo com história. E meu Deus, como valorizamos os nossos feitos passados. Posso assumir, com alguma segurança, que todos os portugueses sabem quem é o D. Afonso Henriques ou o Infante D. Henrique e quem sabe, se calhar até saberemos todos quem foi o D. Pedro IV e o Marquês de Pombal.

Em Portugal, desde pequenos, somos emburrados com História. Os povos antecessores da Península Ibérica, a ocupação Árabe, a Reconquista, o Condado Portucalense e as várias fases de formação da nossa destemida nação. Das guerras com Espanha passando pela presença no Brasil, África, e Ásia até ao PEC.

Mas no nosso currículo académico não há qualquer incentivo para ter noção do mundo à nossa volta. Da realidade social entre as nossas antigas fronteiras. Do quotidiano político da nossa república de Bananas.

Cidadãos interessados e interventivos não se criam por mágica. Todo o incentivo que temos é comer, ver televisão e com sorte, passear de carro aos Domingos para ver os locais, onde um dia, tentou se dinamizar um país.

A nossa classe política anda sempre presa a birras. Os problemas actuais vieram sempre da pobre gestão anterior. Ninguém acata responsabilidades. Ninguém agarra os colhões e decide falar as putas das verdades que o caralho deste país precisava de ouvir.

Depois de ver o vídeo da deputada brasileira, Cidinha Campos, num discurso inflamado de acusações sobre a corrupção de políticos brasileiros, percebo que estamos indefinidamente perdidos. Nos comentários do vídeo no YouTube, estão pérolas como: “Tragam essa senhora para Portugal” e “Quem nos dera ter uma deputada como essa”.

Aqui se vê a ignorância abundante. Aqui se vê que miasmas como nós nunca formarão metade do país que pensamos que somos. O discurso da senhora é feito em voz alta. Ela grita, esbraceja em indignação, acusa e insulta aqueles que, segundo ela, infectam a vida dos brasileiros.

Os portugueses gostam desse vídeo porque todos temos a mania da perseguição política. Todos os portugueses pensam que, de algum modo, estão a ser enganados. Tudo o que os portugueses têm é bom demais para ser verdade e ao mesmo tempo é uma valente merda. Existe sempre um parêntesis, há sempre alguém a aproveitar-se de nós. Cada português é o único que paga os impostos. O português tem a ideia de que o resto do país vive às custas do seu sacrifício. Por isso, ouvir alguém falar a mal de políticos é um exercício catártico.

A verdade é que poucos são os que sabem onde anda a corrupção portuguesa. Como há presidentes de câmaras municipais por aí, que conjuram negócios a seu favor, para colher os lucros no final do mandato. Como há câmaras municipais como 20 telefones fixos registados, apesar de haver um único aparelho de telefone na câmara.
Mas ninguém sabe nada concreto sobre isto. Pensamos que sabemos que há corrupção. Porque nos foi ensinado a lembrar do passado.

Sempre nos foi ensinado a idolatrar o passado. E mesmo assim também nos foi ensinado a pensar que os problemas de agora vêm sempre de trás. E águas passadas não movem moinhos. Ninguém sabe o que se passa hoje. Ou do que se passou ontem, sequer.

Ninguém lê jornais porque não há nenhum estímulo para estudar o Presente. Nunca houve. Ninguém lê jornais porque Portugal é um país de passado. Ninguém lê jornais porque é muito mais fácil reclamar do que participar. Ninguém lê jornais porque é mais fácil ser parte do problema do que da solução. Ninguém lê jornais porque o futuro dos portugueses está sempre adiado. Bem sabia do que falava o grande António Variações. É p’rá amanhã, deixa lá não faças hoje.

E por fim, ninguém lê jornais porque eles não emitem luzes, não têm ligação USB, nem precisam de ser carregados durante duas horas para usar no dia seguinte. Jornais deixam os dedos marcados com tinta. A minha mãe já dizia que os jornais são sujos. A sabedoria maternal nunca falha. Com a merda toda que tem ilustrado as capas dos jornais, às vezes até eu não quero lê-los.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Somos um?

Parece que pela primeira vez, aqui n’Os Protagonistas, tivemos um gostinho de polémica. Com dramas subliminares à mistura, parece que um/a leitor/a do nosso nobre blog não gostou das palavras escritas pelo Fabeta.

Como ele referiu, o Fabeta é um rapazote robusto. Não precisa de vir cá ninguém defendê-lo, mas a questão é que eu quero. Não só é uma desculpa excelente para escrever um post, como me permite escrever sobre o Fabeta, que é um espécime humano fascinante. E aqui n’Os Protagonistas somos um.

O Fabeta é uma espécie de poeta. Não sei porquê, não sei explicar devidamente esta ilação, mas é algo que me vem à cabeça. Ele é um poeta que, em termos leigos, só fala merda. Isto parece contraditório, mas há uma linha ténue a separar a poesia, de merda. Ambas vivem numa relação promíscua e simbiótica – são tão semelhantes que às vezes são a mesma coisa. Aliás, a maior parte das coisas que saem da boca do Fabeta são arrotos.

Numa discussão a longínquas horas nocturnas, pusemo-nos a debater uma possível campanha publicitária em favor de sexo, tendo em conta as baixas taxas de natalidade em Portugal. A discussão acabou em 5 segundos. O Fabeta rapidamente terminou-a com a primeira sugestão de um possível slogan para a campanha – “Sexo – Até ao dedo mindinho faz bem”.

E é por isso que quase todas as pessoas gostam do Fabeta. É o género de pessoa que tem algo, não se sabe bem o que é, mas sabemos que é Bom. Ele não se importa com nada: faz o que quer, quando, onde e como lhe convém. As pessoas desse género são, na maior parte das vezes, odiáveis. Mas o Fabeta diferencia-se ao se reger por um código moral único e fabuloso.

O Fabeta é capaz do melhor e do pior. Tanto é capaz de me obrigar a sair à noite (que é mesmo mau, já que eu vivo um caso de amor com o meu sofá); como é capaz de imitar mendigos aleijados mesmo à frente deles – algo que, presenciado, é uma fonte eterna de humor.

A primeira coisa que me disse quando o conheci foi que sabia dar arrotos. Um ano e tal depois vejo que ele tinha razão em me dizer isso imediatamente. Realmente, esse é o facto mais importante sobre o Fabeta. Porque o Fabeta não é aconselhável a pessoas de estômago fraco. A esses aconselho antes Imodium Rapid. Assim, pelo menos passam mais tempo na sanita a cagar, do que a vir para aqui falar merda – do mau tipo. E caso se tenham esquecido, o lugar dessa merda é sanita, não na caixa de comentários deste blog.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Para ver e regozijar

A realidade do Congresso do PSD

Hoje a minha avó ligou-me outra vez...

Ontem escrevi aquele que foi, de longe, muito longe, o pior texto de sempre deste blogue. Ainda bem, alguém tinha de assumir esse fardo tão pesado. Antes eu, bem robusto, que o Diogo, por exemplo. Além disso, o objectivo era esse e foi cumprido. Tenho a dizer que o texto de ontem foi uma divagação total da minha mente, transmitida através de um teclado antes de pensar no texto que tencionava escrever a sério. Às vezes faço isso. Escrevo coisas estúpidas antes de construir o verdadeiro texto final. Pela primeira vez utilizei em bruto um desses "esboços". Não que anteriormente não tenha deixado algumas ideias dos "esboços" inalteradas, mas ontem um desses rabiscos foi utilizado na íntegra. Depois de o escrever pensei: isto parece-me muito estúpido, é ideal! Vai certamente dar origem a um comentário parecido com aquele que realmente foi feito, protagonizado pelo/a caro/a Shinji.

Segundo este/a estimado/a leitor/a, falta-me criatividade e só digo merda nos meus "7 ou 8 textos até agora". É verdade, a minha criatividade anda pelas ruas da amargura, e não tenho tido paciência para escrever sobre isto ou aquilo. Além disso, toda a gente tem direito a uma opinião, e consegui aquilo que queria com o comentário do/a caro/a Shinji. Uma crítica verdadeira e relativamente minuciosa da minha escrita.
Claro que só escrevo merda. E depois? Não sou menos feliz por isso. Espero que o/a Shinji também não. A não ser que o meu texto o/a tenha irritado tanto que tenha perdido a capacidade sexual de satisfazer um eventual parceiro. Se assim foi, peço desculpa, não era minha intenção. Não escrevo aqui para agradar a ninguém, excepto a minha cadela, mas ela não sabe ler, infelizmente. Escrevo aqui porque me apetece, e se não me apetecer não escrevo. Simples e claro. Talvez os meus textos não possuam o humor inteligente e subtil dos do Diogo, ou a capacidade de análise e perspicácia dos do Leandro, ou a especialização abrangente numa determinada área dos do André. E depois? Incomoda assim tanto que um gajo venha para aqui escrever umas merdas? Nem sequer pedi para virem aqui ler os meus textos. Se quiserem podem saltar os meus textos, não os leiam que não me faz diferença. Mas não deixem de ler os restantes por minha causa. Alguns deles têm demasiada qualidade para se deixar passar ao lado.

Caro/a Shinji, não vou deixar esta treta, eu gosto desta treta. O meu texto de ontem não fazia de facto sentido nenhum, mas tinha um sentido. Único. Um objectivo pessoal, digamos. Ninguém percebeu. Nem eu queria isso. Tem algumas mensagens subliminares que certas pessoas entenderão, mas o pilar principal desta mensagem fica escondido para sempre na minha mente. Já agora, caro/a Shinji, claro que não cresci a escrever aqui, cresci com os meus pais e a minha irmã (e, a certa altura, a minha cadela), em Gondomar, em duas casas diferentes, com poucos e bons amigos. E claro que não senti nada do que estava a dizer, estava a ser irónico, não artificial como referiste. Essa era uma das mensagens subliminares. E só mais uma coisa: pelos vistos ponderas deixar de vir aqui ler o nosso blogue. Estás a falar a sério? Por favor não faças isso. Logo tu que és essencial para a existência do blogue. Por favor tenta não agir de cabeça quente. Não te queremos perder...

E é verdade, a minha avó ligou-me outra vez hoje. Só para perguntar como estava e para mandar um beijinho para a família. Sem gastar dinheiro. Inteligente.

domingo, 11 de abril de 2010

A minha avó é "extravaganza"

Já não escrevia aqui há cerca de uma semana, e teho a dizer que de certa forma tinha saudades. Cresci a escrever neste blogue, aquilo que sinto cá dentro é indescritível. Já não posso passar sem isto. Sentimento é a palavra certa. Adoro esta palavra. Resume tudo aquilo que fazemos na vida. Com ele ou na sua ausência. Este blogue proporcionou-me momentos magnificos. Momentos, outra palavra genial. Não acredito como podemos viver sem aproveitar os momentos que a vida nos dá. E outra coisa magnifica que descobri hoje de tarde: a minha avó é "extravaganza", e agora liga para mim em vez de ligar para o telefone de casa e não gasta dinheiro. Inteligente.

sábado, 10 de abril de 2010

Resultados da 4ª Sondagem


Prever algo tão incrível como a Natureza é uma ciência de alto risco, e nunca será tão acertada como aquela senhora do programa Depois da Vida. Mas Os Protagonistas gostam de pensar em grande, e avançámos com três hipóteses para a localização do próximo grande terremoto, numa altura em que este tipo de catástrofe está mais na moda que os vampiros.
Antes de mais, não queríamos deixar de registar que este foi o inquérito com maior número de respostas, um número que, ainda assim, nos deixa um pouco desiludidos, porque mais de metade foi dada pelas nossas mães nos diversos PCs do país.
Pela resposta mais votada, é notória a origem nortenha dos intervinientes deste espaço e, consequentemente, dos conhecidos que o visitam. A hipótese "Lisboa" como epicentro do próximo parkinson da terra reuniu 32 votos, o que significa 62% do total. Um avanço maior que o do Benfica em relação ao Porto no campeonato, facto que muito também terá ajudado a alimentar este ódio pela cidade que, em tempos idos, sofreu uma amostra razoável deste tipo de catástrofe. Já era, de facto, altura de uma segunda e, uma vez destruída a cidade que foi outrora demasiado fraca para resistir ao avanço dos mouros, o Porto teria caminho livre para agarrar o mais que merecido estatuto de capital, ou não fosse este local que Carlos Tê trovou e Rui Veloso cantou, a origem etimológica deste nosso mágico país.
Em segundo lugar, temos os 14 lisboetas que nos visitam, e que apostaram na barriga do apresentador Fernando Mendes como o próximo local a sofrer um terremoto, algo que, a acontecer, não seria apenas catastrófico para o simpatico gordo do Preço Certo que ama velhotas e recebe chouriços, como para toda a população mundial, com réplicas e tsunamis de proporções estratosféricas. Esperemos que permaneça tudo isto no inofensivo e inconsequente mundo da imaginação.
Por último, com o ridículo amealhar de 5 votos, 9% do total, temos a Suazilândia como escolhida do próximo sismo. Estes energúmenos, que não chegam ao número de ovos numa caixa, claramente ignoraram dois aspectos. Primeiro, a Suazilândia não está próxima de nenhuma fronteira de placas tectónicas, o que torna uma vibração do telemóvel de deus nesse local uma improbabilidade ciêntifica que foi por estes cinco estarolas esquecida. Depois, os suazilandeses ou suazilandatos ou suazilandenos têm como cultura nacional ficar em último em todas as listas. Rankings de esperança média de vida, mortalidade infantil e, naturalmente, teriam de ficar em último na nossa prestigiada previsão, na qual, como sempre, os nossos fiéis leitores participaram activa e estupidamente.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Comunismo Obsoleto

Nas última eleições legislativas votei no Bloco de Esquerda. Não sou comunista, não gosto do Trotsky, nem do Estaline, nem do Lenine, nem do Mao, nem do Che, nem do Fidel. Gosto do Kim-Jong Il, mas acho que não chega.

Não concordo com 80% do que eles dizem no Parlamento e no programa. Gosto sim, da veia libertária, nomeadamente no que toca às políticas sociais. O Bloco é o único partido que tem políticas iguais às minhas relativamente ao aborto, eutanásia, drogas e afins. Sabendo que o BE obviamente não iria ganhar as eleições, pensei que estaria a contribuir para uma voz sonante no que toca a esses assuntos.

No entanto é óbvio que tanto o BE como o PCP são partido obsoletos. São partido demasiado infantis - é o melhor modo que o posso descrever.

O PCP não precisa de qualquer explicação - não está cá a fazer nada de jeito. Serve para que parolos do Alentejo possam gritar aleatoriamente por direitos do povo nisto e direitos do povo naquilo e toda essa papa nojenta entupida de populismo e demagogia horrenda. Ninguém no seu perfeito juízo acredita que o Jerónimo seria um primeiro-ministro, quanto mais um bom primeiro-ministro.

E mais, a maior parte dos auto-designados comunistas, não são nada mais do que labregos que vivem no reino da ignomínia. Gostam de ouvir a boa treta comunista, da justiça social e dos direitos dos trabalhadores. Em Portugal, onde todos parecem ter uma crença de que estão a ser roubados, explorados e enganados este discurso cai tão bem quanto um café no final do jantar faustoso de domingo.

O BE são um conjunto de crianças a berrar. Já deu para perceber que não é partido para governar. Os discursos do Francisco Louçã são sempre bom entretenimento, mas alguém sugerir nacionalizações infindáveis nesta altura do campeonato, é sinal de que alguém passou demasiado tempo ao frio. O partido tem pessoas capazes, não nego. Os nomes Joana Amaral Dias, Ana Drago, Marisa Matias aparecem na minha mente...

Alguém acredita, verdadeiramente, que seria possível instaurar o comunismo em Portugal, mesmo que o PCP ganhasse as eleições por maioria absoluta? Como se iria encaixar Portugal na UE? No resto do mundo? Ou iríamos simplesmente aderir ao exclusivo clube dos comunistas nominais - China, Laos, Vietname, Coreia do Norte e Cuba?

A única coisa que eu retiro dos discursos da esquerda portuguesa actual é o seguinte:
- Quando alguém discorda da esquerda, é automaticamente um partido de direita.
- O Governo está a trabalhar incansavelmente para aumentar a precariedade e transformar Portugal num pântano sem justiça social onde o povo não tem direitos.
- Todos os funcionários públicos são indispensáveis, mesmo que representem um encargo monstruoso para o resto do país.

Não está na hora do Sócrates ir embora. Está na hora do PCP e BE fazerem-me o favor de ir para casa, entrar na casa-de-banho, olhar ao espelho e repetir comigo:
"O capitalismo venceu."

Aleluia, Jesus Cristo ressuscitou. Aleluia, aleluia.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Memorando para Jorge Jesus

-As redes de pesca devem ter uma malha mais apertada. Se tiverem buracos, remendam-se.

-Júlio César tem potencial para ser tão bom como Rui Patrício.

-Se o guarda-redes usar as mãos para parar um remate não é falta

-David Luiz não é Patrice Evra

-A baliza de futebol não tem o tamanho de uma de rugby

-Mudar o nickname de "Tacuara" Cardozo, para "Pinheiro" Cardozo, enquanto ele se mexer tanto como um.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Se a minha avó tivesse rodas...

... "era um camião" disse um dia o saudoso e sapiente Paulo Bento.
Esta frase serve de mote para uma expressão similar proferida por Pinto da Costa, na entrevista que lhe foi feita, há dias por Judite de Sousa. "Se o Hulk tivesse jogado estavamos em posição de acesso à Liga dos Campeões" proclamou o cacique. Este "se" é também o porta-estandarte dos advogados portistas, que se preparam para sacar "uma verba nunca inferior a 17,5 milhões de euros" à Liga de Clubes, já que esse valor equivale aos prémios internacionais que o Porto ganhou este ano, e que, tendo em conta o cada vez mais provável 3º lugar, se arrisca a ver reduzido para perto de um quinto.

Intriga-me ,realmente, como estarão os capangas jurídicos de Pinto da Costa a preparar este autêntico assalto aos cofres da Liga. Para reforçar a importância do Inesgotável, Pinto da Costa comparou o seu papel na equipa portista ao de Cristiano Ronaldo e Messi. Que sacrilégio! Blasfémia quase! Comparar o Impagável a Messi é como comparar um Ford Fiesta do início dos anos 90, com um Lamborghini novinho em folha. Espero que a Liga possua um advogado benfiquista que lhes relembre que o Imparável, na primeira volta, jogou contra o Benfica. O Porto perdeu. Jogou contra o Braga. O Porto perdeu.Aliás, assim de repente, arrisco-me a dizer que a melhor série de vitórias do Porto, este ano, foi feita sem o seu querido bruta-montes. Ah e poderiamos ter também advogados do Braga... Bem, talvez não, que pelo modo como as coisas andam, estes alegariam que os seus próprios jogadores andam no doping, só para que os amiguinhos azuis pudessem parar de choramingar.

O Inimaginável faz bem jus à personagem de banda desenhada que o inspirou o seu nome. Vai daí, de vez em quando, para-lhe o cérebro, e encarna o monstro verde, desatando à biqueirada aos tais "não-agentes-desportivos-porque-vestem-coletes-reflectores-e-estão-virados-de-costas". Segundo o Conselho de Justiça da Federação, isto apenas vale 3 jogos de suspensão. Rui Costa por insultar gente que não interessa a ninguém é suspenso por 40 dias pela Comissão Disciplinar da Liga. O Benfica recorreu. Se mais uma vez o Conselho de Justiça anular a decisão da Liga, isso só poderá significar uma de duas coisas: ou Ricardo Costa é um autêntico pateta alegre, ou anda nos "ácidos".

terça-feira, 6 de abril de 2010

Plano Nacional de Leitura

“As armas e os barões assinalados…” – Começa assim os “Lusíadas”, da autoria do parente afastado do Fabeta.

Lembrei-me de retirar o livro da estante e dar uma olhada pelo livro que tanto infernizou o meu 9º ano. Leio meio dúzia de estrofes e cantos, ou seja lá como eles organizam as frases, e percebo que devo ter perdido uns quantos neurónios desde o 9º ano. Antes sabia interpretar este expoente do cânone da Língua Portuguesa, de lés a lés. Agora apenas me safo com os milhares de apontamentos que fiz na margem. A mesma coisa ocorre quando releio a “Mensagem” do Nandinho.

Há uns meses reli “Os Maias” do Eça. É, sem qualquer sombra de dúvida, um livro do caralho. Mas foi preciso eu chegar até aos dias de hoje para poder atingir esta conclusão.

Ler os “Lusíadas” no 9º ano e “Os Maias” no 10º ano é uma afronta aos estudantes. São livros importantíssimos. São obras belas, escritas por génios, mas para putos de 14 e 15 anos, isto é irrelevante.

A escrita do Eça é demasiado morosa para adolescentes. As descrições de duas páginas, as constantes referências a outras obras e autores, as expressões inglesas, sem contar as 700 páginas. Todos estes atributos fazem d’ “Os Maias” uma obra errada para se ler no 10º ano. Não só é capaz de afugentar os jovens da leitura e até mesmo dos estudos em geral, como revela o orgulho desmedido e mal aplicado de seja lá quem impôs esta obra no plano nacional de leitura.

Há autores, com livros mais curtos, com uma escrita mais directa, mais lúcida, que possivelmente ajudariam a reduzir o descalabro que é o conhecimento dos jovens portugueses sobre a Língua Portuguesa. A “Balada da Praia dos Cães” do José Cardoso Pires é uma hipótese. O “Dinossauro Excelentíssimo” do mesmo autor seria perfeito. Quem me dera ter lido Machado de Assis com 15 anos.

E porque razão utilizam romances quase que exclusivamente? Os livros de crónicas do Lobo Antunes, e vários outros cronistas portugueses e brasileiros seriam óptimos para tentar catalisar alguma reacção ou atenção por parte dos jovens.

O resultado final até era capaz de ser quase o mesmo. Continuaríamos a ter milhares de jovens energúmenos virtualmente retardados, mas talvez seria possível salvar a alma de uns quantos. Alterar o Plano Nacional de Leitura poderia salvar o percurso académico de meia dúzia de portugueses. E não sei, se calhar sou maluco, mas meia dúzia de portugueses para mim é uma quantidade aceitável.

A única obra do Plano Nacional de Leitura que aprovo cegamente é um livro chamado “Leandro, Rei da Helíria” da Alice Vieira. Não sei porquê, mas parece-me um livro apaixonante...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sou um conas

O meu avô é o homem que me ensinou a andar de bicicleta. Ora, isto é especialmente importante porque quando se é criança, qualquer bicicleta assemelha-se ao mais caro e sofisticado dos bólides. Aprender a andar de bicicleta foi como comprar um bilhete rumo à liberdade. E ele ensinou-me este ofício numa altura em que o próprio Deus deve ter desistido de me ensinar, tal era a minha inaptidão sob duas rodas.

O meu avô é especialmente importante porque ele compõe grande parte das minhas memórias de infância. É difícil para mim lembrar-me da infância. Tenho uma vasta selecção de momentos, todos eles curtos. Como todas as coisas boas da vida, vêm em pequenas quantidades. A sequência temporal não está muito bem estabelecida, mas quanto mais penso na minha infância, mais eu me lembro do meu avô.

E como é importante criar memórias de infância. Ninguém se lembra perfeitamente da infância, mas com sorte, é possível ter um conjunto de memórias representativas de certas coisas da vida, tal como ela é. Eu lembro de podar videiras com o meu avô. De plantar batatas, andar todo sujo de terra, terra nas calças, nas mãos, na cara. Lembro-me de pensar que quando chegasse em casa, a minha mãe iria matar-me por ter-me sujado todo. Lembro-me de depois olhar para o meu avô, que me disse que assim, todo sujo, eu “já parecia um homem de barba rija”.

Para um puto da cidade, como eu, isto foi muito importante. Ir do Rio de Janeiro para uma aldeia minhota era sempre uma mudança bem-vinda. Eu tive a oportunidade de ter uma infância fantástica. De realmente fazer todas as coisas que agora as pessoas fazem no FarmVille.

Eu lembro-me de todos os cortes na mão. Das picadas de abelha. Pedradas na cabeça. Cotovelos raspados. Unhas pisadas. Bolhas nos pés. E lembro-me do meu avô sempre a dizer que cada um destes ferimentos “não era nada”.

Lembro-me de ir com ele a uma casa abandonada que era dos meus bisavós. Lembro-me de como ele desligava o carro nas descidas, para “não gastar gasóleo”. Mesmo agora que ele já passou dos 80, eu ainda o vejo a fazer jogging. Eu que aos 19 mal consigo subir escadas. Ainda mais agora a viver no Porto, uma cidade que parece que foi construída em cima dos escombros de um terramoto. Cheia de declives acentuados e subidas desregradas e montanhas de asfalto.

O meu avô torceu o pé há 2 semanas. Foi a um senhor qualquer de uma aldeia próxima, que lhe recolocou o osso no sítio. Ao fim de uma semana, decidiu tirar uma radiografia, e descobriu que tinha o osso partido.

O meu avô andou com um pé partido durante uma semana. Sem reclamações. Não estou a dizer que tenha sido inteligente. O importante é que é verdade. Agora anda de muletas, mas mesmo assim continua a andar mais depressa que eu. Este é um homem que eu já vi a injectar a medicação em pele contraída. Sim, contraída. Haja colhões.

Eu olho para trás e parece-me que nasci no dia que vim para Portugal. As memórias do Brasil estão meio enevoadas. Não parecem ter sido reais sequer. O que as faz reais foram os pequenos espaços de tempo alternados que passei em Portugal, com o meu avô.

O meu avô é a razão pela qual eu sou português. Nas brumas da memória, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. Especialmente na doença. Neste preciso momento, estou a agonizar com uma bolha no pé. Eu olho para o meu avô, de pé engessado, e penso: “Sou mesmo conas, foda-se”. E é verdade. Eu bem que tinha avisado no título. A minha barba nem sequer é rija.

domingo, 4 de abril de 2010

Triângulo das Bermudas


São as três palavras da moda: crise, escândalo e crime. Arrebatadoras e indissociáveis. Formam o triângulo das bermudas onde se perdem os grandes constintuintes da sociedade actual.
Ora, o crime existe desde que existe uma lei penal ou, sejamos extravagantes, uma lei moral a quebrar. Em relação à crise, parece impossível indentificar o seu Big Bang de origem ou um putativo fim. Aquilo a que se chamam crises diversas não são crises, são eras, pois faustosos nunca vivemos. Ou seja, o vértice do triângulo com aparição mais recente é o termo "escândalo", que, como escreveu Vasco Pulido Valente num dos seus invulgares devaneios sagazes, já não passa de isso mesmo, de um termo, porque são tão sucessivos que já não escandalizam ninguém, escândalo seria não haver nenhum.
O poder magnético deste triângulo apanhou-nos a todos e ninguém parece estar a salvo.
A Igreja católica, deus a tenha, definha-se progressivamente. À crise do crescente ateísmo ocidental, junta-se agora o crime devidamente escandalizado da pedófilia nos padres. Escândalo pelo teor do crime em si, escândalo pelo encobrimento por parte da seita, escândalo pela protecção judicial de um cidadão por este ser líder dessa seita, escândalo pela comparação das acusações com o anti-semitismo. Escândalos com os quais, de resto, me identifico. Adianto até que, em época pascal, nada melhor que um reforço de fé, que veio a mim quando o papa, alegado cúmplice no caso do padre pedófilo de Milwaukee, veio, com a maior naturalidade do mundo, atacar os defensores do aborto, como quem "vocês preocupam-se tanto com as crianças que são abusadas, mas matam as que ainda não nasceram". Uma lufada de ar fresco no meu reconfortante ateísmo. Agora sim, não me importo de pagar a visita do papa.
O caso dos submarinos voltou e, com ele, a devida escandalização, termo que, no provável caso de estar incorrecto, eu assumo o pioneirismo de inaugurar. Num cenário de crise profunda, o facto de termos uma parte do orçamento reservada para o pagamento do material é preocupante, ainda para mais material de utilidade duvidosa (Sousa Tavares tem um excelente texto na última edição do Expresso acerca da pertinência dos submarinos). Daí o Governo, numa onda tardia e desesperada de aliviar despesas e arrecadar receita, estar em pulgas por saber se será viável a anulação do contrato. O povo, esse, não percebeu ainda bem o que se está a passar, mas sabe que mete estrangeiros, algo que os portugueses não aceitam de bom grado, principalmente tratando-se de alemães, que nos eliminaram no último europeu de futebol. E mete trafulhice, que é algo que o português não admite (quando alheia, entenda-se).
E temos o caso TVI/PT, o caso do Hulk, o da Parque Escolar que parece ter arrefecido, o regime cubano a colapsar-se, o presidente do Senegal que arrotou vinte milhões de euros numa estátua de bronze.
E, no meio de tantos escândalos, sinto-me escandalizado como ninguém fala da separação do Brad Pitt e da Angelina Jolie.

sábado, 3 de abril de 2010

Não confiem no Coelhinho da Páscoa

Num dos primeiros textos que fiz para este blogue pus em causa a verdadeira identidade do Pai Natal, e continuo a dizer que não passa de um balofo que vive às custas das crianças. E quem diz Pai Natal diz Coelho da Páscoa, estes personagens que tresandam bondade e felicidade nunca são quem pensamos realmente. Mas não esperava que o Coelhinho da Páscoa fosse traficante de droga.

A verdade é que a polícia holandesa (tinha que ser lá) encontrou cocaína escondida num carregamento de ovos de chocolate, juntamente com vários portáteis e telemóveis. Isto aconteceu em Amesterdão e daí resultaram 6 detidos. Resta saber quando a novidade chegará a Portugal.

Sinceramente não esperava isto do Coelhinho. Nunca falei directamente com ele, mas pensei que com ele as substâncias brancas se resumissem ao pêlo.
Com tanta merda no ar, só falta agora descobrir que Jesus era dono de um bordel. Afinal um carpinteiro não ganha assim tanto dinheiro.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Porque sim





Porque razão postei esta foto?

Porque se eu tive que vê-la, vocês também terão.

Eu não posso ser o único a sofrer com esta imagem eternamente queimada no meu cérebro.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Millôr Fernandes

O maior génio da actualidade tem um Twitter:

http://twitter.com/millorfernandes

Soro da Mentira


Hoje era o dia ideal para resolver alguns dos casos que assolam o cenário político do país que, nunca tendo sido um cenário primaveril de pássaros a chilrear e o sol a brilhar como se marimbando para o buraco do ozono, tem sido particularmente infestado de trafulhice. Sendo hoje Dia das Mentiras, e sendo de conhecimento geral o uso quase profissionalizado desta técnica por parte dos nossos amigos da classe política, o dia de hoje podia ser uma boa escolha para estes assumirem definitivamente a verdade. Porque para haver um Dia das Mentiras, isso tem subjacente que os restantes serão dias da verdade. Ora, como todo o mundo sabe que os dias que antecedem e procedem o dia um de Abril são de tudo menos de verdade, invertemos a situação e tornamos o dia de hoje, que se queria de pura aldrabice, em período de admirável honestidade. Se tudo corresse mal pelas confissões, o Portas podia sempre dizer que se tratou tudo de uma falsidade própria do dia, e reafirmar inocência e desconhecimento de qualquer favorecimento envolvido no negócio dos submarinos. (Mais um motivo para não entender a já aqui discutida construção de tantas pontes, quando podíamos sempre atravessar o rio dentro de um dos imponentes aparelhos que o antigo ministro da defesa nos deu o privilégio de possuir. Dar-lhes-ia, pelo menos, alguma utilidade. Foi só um parênteses tão desnecessário, quanto perspicaz).
No fundo, não sou um sonhador nem um justiceiro de verdadeira acepção. Não busco honestidade, busco mudança. O que me incomoda não é a mentira, é a sua repetição que não permite que as notícias desta matéria tenham as propriedades que estão na origem etimológica do próprio termo "notícia". Não estou ofendido com tanta aldrabice. Estou enfastiado. Nem sei até que ponto é que o recurso súbito à verdade pudesse ser benéfico para uma vida política que tanto depende do oposto, anda para mais porque a mentira não tem a perna assim tão curta, o Paulo Rangel tem-nas mais pequenas. Mas confio que a classe política tem potencial para ir mais fundo do que corrupção assumida/dissimulada, pedido de esclarecimentos dos partidos rivais e recusa de esclarecimentos ou afirmação veemente de inocência por parte do envolvido.
Não pela questão ética da coisa. É mesmo porque já chateia.

(Em Espanha, as hospedeiras da recém-falida companhia aérea Air Comet posaram nuas para um calendário, como forma de protesto contra os salários em atraso. Primeiro, acho que não foi protesto, foi mesmo forma de ganharem dinheiro com alguma coisa. Segundo, se isto se espalha para o nosso extremo da península, seria deveras interessante ver uma conjugação de enfermeiras/professoras/hospedeiras no mesmo calendário, profissões simultaneamente descontentes e protagonistas de muitos dos pensamentos de um homem)