quarta-feira, 31 de março de 2010

Subsídios, Apoios do Estado e Coisas Assim em Geral

De acordo com a Bússola Política eu sou ligeiramente virado à esquerda na economia, mas socialmente sou um libertário. Tem alguma verdade.

Sou absolutamente libertário no que toca a sexo, drogas, aborto, eutanásia, casamento e adopção sexual. A minha máxima é “whatever makes you happy”.

Mas relativamente a política económicas tenho a pena de informar que infelizmente sou um social-democrata, liberal ou seja lá como querem chamar. Recentemente eu notei que, de facto, eu estou muito longe de ser um comunista ou socialista. Mesmo o socialismo moderno, encostado ao centro, parece ser inadaptado à realidade. Portugal, um país tendencialmente encostado à esquerda, tem aquela mentalidade da justiça social, da solidariedade, dos subsídios e empurrões na direcção certa.

Conhecem aquele ditado que diz que devemos dar uma vara para pescar em detrimento do peixe? É uma boa análise desta situação. Mas a perfeita metáfora é, sem dúvida, uma que vi num programa qualquer que não lembro. Diziam que subsídios e apoios a empresa em dificuldade é, na maior parte dos casos, como mijar nas calças – no início fica quentinho e agradável, mas rapidamente a sensação de alívio é substituída pelo frio e pelo fedor pútrido e nojento. O que é triste porque em 2008 metade das perguntas da imprensa a Sócrates e a Manuel Pinho eram sobre salvar empresas em dificuldades.

Eu apoio aquilo que quase todos os candidatos e membros do PSD preconizam. Eliminar empecilhos à iniciativa privada, à liberdade criativa dos cidadãos. O mercado livre permite a renovação do tecido empresarial. As empresas ineficazes inevitavelmente vão à falência, abrindo caminho a novas empresas, mais eficientes que dão respostas directas às necessidades do mercado.

E eu pergunto-me. Mas alguma vez isto foi feito em Portugal? Nos últimos anos a palavra de ordem do PS tem sido “salvar” empresas em dificuldade. No entanto, alguma vez os sucessivos governos sociais-democratas tomaram medidas abrangentes no sentido de liberalizar responsavelmente o mercado?

Nenhum dos partidos são flor que se cheire. O Partido Socialista é um grupo de meninos a fazer de tudo para serem reeleitos. O PSD é um grupo de senhores a fazer de tudo para serem reeleitos. Ambos são partidos de amiguices e corrupção-que-não-é-legalmente-corrupção desleixada, daquela que não se vê mas sabemos que existe.

Nenhum Primeiro-Ministro português foi substancialmente diferente dos outros. Santana Lopes é a excepção, mas o Santana é o Santana. Não quero discutir o sexo dos anjos.

Para acabar quero apenas de dizer que gostaria de saber explicar isto percebendo realmente do assunto. Mas isto é o melhor que posso fazer. Estou no 2º ano de uma licenciatura, poupem-me. Se quiserem análises meticulosas, criteriosas com base em experiência pessoal e saber académico este não é o lugar. Isto são só 4 gajos a falar merda e que de vez quando gostam de pensar que representam a salvação do país. Nada de inofensivo, portanto. Nada de novo, também.

terça-feira, 30 de março de 2010

Grandes entrevistas

As entrevistas a Pinto da Costa, na RTP, e de Luís Filipe Vieira, na SIC terminaram há momentos.

Apesar das dificuldades em segui-las em simultâneo apresento quatro ideias a reter:

-Os óculos lilás de Judite de Sousa eram do mais ridículo que já vi

-Para Luís Filipe Vieira o melhor jogador do Benfica é o Luisão

-Para Pinto da Costa a suspensão do Hulk equivale a uma indemnização mínima de 17,5milhões de euros

-Segundo Pinto da Costa, Radamel Falcao é internacional pelo Paraguai

Ponte directa para a estupidez

Ao que parece existem já algumas ideias e projectos acerca de novas pontes, abrangendo essencialmente as duas principais áreas do país: Lisboa e Porto. Em Lisboa já se sabe do êxtase à volta da terceira travessia do Tejo, entre Chelas e Barreiro. Porém, com o PEC, a inauguração não deverá ser antes de 2013. A Norte, cá no nosso Porto, projectam-se ideias inovadoras: uma ponte pedonal a ligar a Praça da Ribeira e a Avenida Gago Coutinho (Gaia), uma ponte para descongestionar o trânsito na da Arrábida e para garantir a passagem de uma nova linha do metro, e uma outra para a eventual ligação do TGV. Tudo ideias interessantes.

Agora pergunto: qual é a ideia de construir mais pontes? É por ser bonito? É por acharmos que temos de dar continuidade à ideia de que somos um país de pontes? É por termos muito dinheiro? Eu não consigo perceber qual é a euforia à volta de novas pontes, porque se queremos maior endividamento, se fazemos por isso e ainda nos sentimos grandes por termos pontes bonitas ou grandes como o caralho, não temos que nos queixar da crise nem da falta de dinheiro seja para o que for. Se é assim, venha daí o novo aeroporto, o TGV, mais pontes, gastem 5 milhões de euros em fogo de artifício e vamos dar uma festa. Já agora, façam uma ligação TGV Porto-Covilhã com desconto para estudantes. O Shot agradecia. E um túnel marítimo para uma ligação à Madeira. Agradeço eu.

Há muito que Portugal começou a atravessar uma ponte de sentido único. Destino: merda total. O pior é que ainda vamos a meio.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Transparência


Ricardo Araújo Pereira, numa das crónicas que valem metade das vendas da revista onde estão inseridas, comparou o caso da TVI/PT a uma novela do canal de televisão envolvido. Pelo enredo, pelo arrastar da situação, pela complexidade. Ora, como até a Gabriela Cravo e Canela teve um fim, também se adivinha que esta telenovela não dure eternamente, ainda que os Morangos com Açúcar sejam a infeliz excepção a comprovar a regra.
É necessário, portanto, com a aproximação da Comissão de Inquérito com o primeiro-ministro, começar a tratar de uma sucessão. Não do chefe de governo, mas da novela que o possa envolver. Daí que a Provedoria de Justiça já ande a investigar a Parque Escolar, à procura de uma trafulhice qualquer na atribuição dos projectos. Aparentemente, esses projectos envolvidos no plano de progresso das escolas e do ensino secundário em geral, podem ter sido entregues seguindo duvidosos critérios, que poderão ter ultrapassado os simples requisitos arquitectónicos e profissionais.
Estou céptico. Corrupção em obras portuguesas não me cabe na cabeça. Para já, pede-se apenas transparência, o que não constitui novidade na política da oposição em Portugal, que apenas se depara com o dilema de pedir transparência, esclarecimentos ou respostas. Mas a verdade é que este processo já cheira a esturro, o que torna estes investimentos, que são públicos, cada vez mais longe da sua desejável condição de água: transparente e inodora. Desafio alguém meter todo este processo à boca para confirmar que também não é totalmente insípido.
O primeiro-ministro continua a ter o papel de protagonista empertigado nesta novela, que tem o Ministério da Educação num refrescante regresso à interpretação, o que representa, também para esta pasta, uma lufada de ar fresco em relação ao já saturante caso de rivalidade com Mário Nogueira e os seus amigos professores. O Bloco, sem surpresa, tem representação primordial no papel de confrontador oportunamente intrometido. Ana Drago encaixa que nem uma luva neste fundamental personagem.
Aguardamos ansiosamente desenvolvimentos, mas a mim já me cheira a Óscar. De vidro, para ser transparente.

domingo, 28 de março de 2010

O Porto é bom como o caralho

Eu apanho o comboio Braga-Porto todas as segundas de manhã. A viagem, na sua maior parte, é morosa. As mesmas paisagens verdejantes, aldeias isoladas, e nos últimos tempos, algum passageiro cujo toque de telemóvel é a "I've got a feeling".

Mas há um momento transformativo. No momento em que a senhora dos altifalantes da CP anuncia “Porto Campanhã” é como se ligassem um interruptor automático. Posso estar a ler. Posso estar com auriculares. Não importa. A Scarlett Johanson poderia aparecer à minha frente com propostas altamente indecentes. Não importaria.

Paro o que estou a fazer, dirijo-me à porta para observar melhor a viagem de 3 minutos até São Bento. Começa com a visão do rio Douro ainda largo, passa por dois túneis, e depois a visão final desarmante da Ponte D. Luís. A linha do comboio, mesmo aninhada junto à encosta, continua a deslumbrar. Mesmo depois de já ter feito esta viagem quinhentas mil vezes, vale sempre a pena. Sempre.

Eu saio do comboio em São Bento e vem mais outra visão. As mesmas ruas intercedidas pelas mesmas esquinas. As ruas que descem para o rio. As ruas que sobem para os Aliados. A Sé do Porto ali, como quem não quer nada. Os prédios em frente à estação, uns em melhor estado do que outros, todos deslumbrantes.

Fico sempre meio atónito ao voltar ao Porto. Eu não consigo deixar de ficar ali meia dúzia de minutos a olhar. As malas quase a cair dos meus ombros, a olhar à volta, à espera de nada. As mesmas pessoas. O senhor de aspecto duvidoso, de cigarro na mão, na saída da estação de comboios. As meninas bonitas de óculos escuros a olharem para o chão, bem vestidas, cheias de estilo, que agora com o bom tempo parece que se multiplicam. Aquele sol tépido de final da manhã primaveril, o ar envolvente, com pombas e gaivotas a convergir pelas ruas estreitas da cidade. Ainda por cima passa aquele vento ascendente do rio que põe tudo em câmara lenta.

Numa entrevista, o João Pereira Coutinho disse algo que eu nunca me tinha apercebido até ele ter dito. No Porto, as pessoas não falam palavrões por falta de educação. A mim isto pareceu-me sempre tão bonito, porque o Porto, entre as suas casas podres encaixadas umas nas outras, continua a ser um lugar assombrante.

No Porto, os palavrões floreiam metade das frases. Palavrões só chocam porque queremos. Quando um taxista à porta da estação diz-me que no fim-de-semana o tempo esteve uma merda eu penso “aleluia”. Finalmente um bocado de franqueza. Quando chove a potes, venta assustadoramente e troveja como se o apocalipse tivesse chegado, o tempo não está mau, o tempo está uma merda.

Ainda antes de eu sair da estação e decidir ir para casa, um mendigo tenta cravar-me uns trocos. Eu recuso, justifico que a crise diminuiu o meu PIB, e ele manda-me para o caralho. Eu sorrio. Ele não sabe, mas para mim isto é um gesto de boas-vindas. No Porto, eu vou para o caralho com gosto.

sábado, 27 de março de 2010

Paciência, Domingos

Trocadilho fácil quando se fala do Sporting de Braga. O treinador bracarense devia ter ouvido o sábio Jorge Jesus, quando ele disse, há cerca de um ano, que para o Braga ser campeão digladiando-se com o Benfica... só na Playstation, porque o SLB não deixa.

Não ouvi o discurso do homem, mas aproveito para lhe dizer que o Luisão tem a t-shirt dentro dos calções quando marcou, portanto isso não serve para desculpar a derrota.

Agora a sério, não me digam que nunca viram um árbitro deixar marcar cantos e livres perto da área mesmo que já passe um minuto e tal do tempo de compensação. Só o Choramingos é que parece que não. Paciência...

PSD e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse

Pedro Passos Coelho é o novo líder do PSD.

Gostaria apenas de dizer que nunca me vou perdoar por não ter feito aqui qualquer tipo de piada relativamente aos quatro candidatos à liderança do PSD serem os quatro cavaleiros do Apocalipse. Nunca.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Padres Garanhões

Na minha opinião, os crescentes casos de pedofilia na igreja que têm vindo a público baseiam-se apenas numa interpretação errada de um dos principais pregões da própria doutrina religiosa. Tanto pedem que toda a gente se reproduza como se não houvesse amanhã, que os próprios
padres, bispos, cardeais e quem sabe o Papa, todos bastiões da fé, começaram a pôr em prática aquilo que cada vez menos gente quer fazer nos países desenvolvidos. Talvez para dar o exemplo. Só lhes falta saber que os miúdos não vão engravidar. Se experimentassem "meninas" lituanas depois da missa do meio-dia ao Domingo talvez fosse melhor.
Um dos incidentes mais recentes é o do padre norte-americano que abusou de 200 crianças mas não foi castigado pelo Vaticano. Tem sido um assunto muito discutido, mas a decisão é completamente compreensível. O que este padre fez foi um grande acto de fidelidade pelo catolicismo. Sim, porque há um pormenor importante no meio disto tudo. O pobre coitado trabalhava numa escola para deficientes auditivos, e as cerca de 200 vítimas eram todas surdas. Não podendo ouvir a palavra de Deus, não haveria melhor maneira de Jesus entrar dentro delas. É mais fácil do que fazer desenhos.
De resto, 200??? Foda-se, melhor provavelmente só o famosíssimo garanhão algarvio Zezé Camarinha.
Atenção, não façam uma interpretação demasiado literal da minha opinião, é óbvio que não apoio nem defendo qualquer tipo de abuso sexual de menores. Sem querer ferir susceptibilidades (se ferir, azar o vosso), por mais "santos" que estes padres sejam, não passam de uns valentes filhos da puta. E eu até gosto bastante de putos. Não, não dessa forma...

quinta-feira, 25 de março de 2010

O PEC para nós é canja


Aprovado que está o PEC, os portugueses debatem-se com um dilema que só um alfaiate, e não um economista, poderá resolver: será necessário apertar mais o cinto, mas não há mais buracos onde prender a fivela. Buraco apenas um grande e eterno fosso nas contas.
Os portugueses estão habituados. O facto de não saberem do que trata o PEC não deve ser encarado como ignorância, mas como confiança. Os portugueses sabem que, aprove o governo o que aprovar para equilibrar as contas públicas, eles vão aguentar como aguentaram viver toda a sua vida com uma corda no pescoço e uma leveza atroz no bolso que carrega a carteira. Nada de novo. O Plano de Estabilidade e Crescimento apenas surge com a obrigatoriedade, não com a necessidade, que sempre existiu. Os portugueses já não estão revoltados; estão conformados. Estão de tal forma habituados a viver com pouco dinheiro que duvido que alguma vez aprendam a lidar com muito. São, de resto, conhecidos os diversos casos de má gestão dos chamados novos-ricos.
O aumento dos impostos nas maiores pensões é um conceito esquerdista bonito, mas de tal forma irrelevante que não deverá ser mais do que uma manobra de diversão para que as super-neo-liberais privatizações não encostem ainda mais o Partido Socialista à direita. A privatização dos CTT não os encosta á direita; torna-os mesmo o expoente máximo do neo-liberalismo. É confuso, mas não é de todo inesperado.
Os portugueses, esses, seguem confiantes. Agarrarmo-nos ao dinheiro é o nosso mais patriótico costume. Se Bruxelas aprovar as medidas, pode estar segura que povo nenhum no mundo está mais preparado para as cumprir que nós.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Guia para uma vida regrada

Eu tive muito medo de publicar isto. Cada vez mais este blog está a distanciar-se do seu estatuto inicial. No início, o objectivo era falarmos de política e apenas política. Queríamos ser o Vasco Pulido Valente e o Miguel Esteves Cardoso desta geração. Agora que já se viu que falhamos plenamente, podemos pôr os pontos nos i’s e definir este blog por aquilo que Ele rapidamente se está a transformar: um blog de auto-ajuda. Bom para nós. Politólogos não faltam, agora gurus da vida e especialistas em funções corporais estão em demanda. E como.

É dito por aí que o desejo sentenceia a morte da felicidade. Já o Freud dizia que toda a infelicidade, todas as neuroses, toda a insatisfação, provinha de traumas e de desejos inatingíveis. O mundo está arquitectado de modo a castrar a felicidade muito simplesmente porque a natureza é uma puta – ela quer lá saber da felicidade. Ela nem sabe que caralho isso é.

Existirão sempre obstáculos. Gostamos de tudo que representa a resiliência do ser humano face às adversidades. E todos nós, vemos o mundo a partir da nossa percepção. Todos somos os protagonistas do filme da nossa vida. Os nossos infortúnios são sempre superiores aos dos outros. As minhas insónias são infinitamente mais perturbadoras e debilitantes do que o facto de que o pequeno Bakubu não bebe água há uma semana na Eritreia.

Por isso todos gostamos das mesmas frases famosas. Todos gostam do Fernando Pessoa a falar das pedras no caminho e como ele um dia vai fazer um castelo com elas. Todos gostam do abismo do Nietzche. Todos gostam do Bruce Lee a dizer que devemos sonhar como se vivêssemos para sempre e viver como se morrêssemos amanhã.

Estes três disseram estas merdas e a natureza respondeu. Ao primeiro mandou uma cirrose aos 47. Morreu desconhecido. Podem glorificá-lo quanto quiserem. A verdade é que o nosso poeta-mor morreu infeliz. A poesia não o salvou. O segundo viveu encharcado em depressão imerso num estado constante de loucura. A natureza, como puta que é, foi especial com este. Mandou-lhe sífilis e morreu nos cuidados da mãe e da irmã. O terceiro pensava que era grande. Poderia estar na melhor condição física do mundo. Podia saber lutar todos os karatés e kung-fus do planeta. Reagiu mal a medicação e morreu aos 32.

A busca pela felicidade é inútil. Todos nascemos e morremos sozinhos. Nunca atingiremos nenhum estado de plenitude. Existem sempre coisas erradas, coisas que faltam. Depois do curso há o emprego. Depois do emprego há a família, namorada, carro, dinheiro, comida. Nunca devemos subestimar a nossa capacidade de desejar coisas. Ela é interminável.

O segredo está no distanciamento, no bom humor. Na euforia das pequenas coisas. A vida não é feita de interrogações. A vida é feita de escolhas. O melhor é escolher respostas, não procurá-las. Aliás, a sabedoria está em saber a diferença entre aquilo que tem resposta e aquilo que não tem. Como disse Lloyd Dobler no filme "Say Anything..." - "Quão difícil é simplesmente decidir ficar de bom humor e depois ficar de bom humor?".

Eu não me preocupo com o que vou fazer na minha vida. Ou pelo menos, não gosto de me preocupar sobre isso. Sobre as grandes perguntas. Se quero casar. Se quero filhos. Se vou arranjar emprego. Medo de morrer. Eu preocupo-me se hoje vou cozinhar ou se vou encomendar pizza. Ice-tea ou sumo. Palitos ou fio-dental. Fêveras ou panados. Whisky ou cerveja. Estas são as questões reais.

É óbvio que muitos dirão que estas minhas divagações são ingenuidade. Que a vida um dia se vai atirar no meu caminho e, eu, sem preparação para a realidade, não vou saber lidar com o poço de expectativas destruídas em que me vou enfiar. Muito pelo contrário. A melhor coisa que podemos fazer na vida é não nos importarmos. As coisas difíceis devem ser barulho de ambiente.

A filosofia foi a morte da humanidade. Nunca nos deveríamos ter perguntado se um copo a meio está meio-cheio ou meio-vazio. Para mim é simples. Se o copo está a meio, bebe-se o resto e pede-se outro. Mais uma rodada, se faz favor. A primeira pago eu.

Pronto. Chega de merdas profundas. Vou ver o Benfica e beber umas cervejas.

terça-feira, 23 de março de 2010

Carta aberta ao papá Alves

Caro Washington:

Compreendo que amor de família, por vezes, seja sinónimo de ter duas palas nos olhos. Entendo também que, na fervorosa intenção de proteger aqueles que nos são queridos, pouco nos importemos de cuspir umas alarvidades. No entanto, cair no ridículo enquanto defendemos a nossa prole é algo que nos descredibiliza e dá origem a palavreados como o que aqui lhe apresento.

"(Bruno Alves) terminou o jogo dentro de campo, o que significa que tudo o que ele fez foi dentro do que é permitido no futebol", disse o senhor. Esqueceu-se de mandar um abraço ao amigalhaço Jorge Sousa que, de certa forma, acabou por funcionar como pai adoptivo do senhor seu filho, protegendo-o durante 90 minutos que me fizeram perceber que, quando quis registar o seu pirralho, houve uma falha do funcionário do Registo Civil, porque o homem deveria chamar-se Bruto Alves ou, de forma mais rebuscada Bruce Alves ou Bruno Lee.

É virilidade? Para quê ser viril perante Aimar, versão argentina do João Moutinho? Para quê passar setenta e muitos minutos a chamar "filho da outra senhora" ao coitado do Alan Kardec cujo nome contém um legado espirituoso que o impediria de ripostar?

Por outro lado, sendo o senhor originário da terra dos pais-de-santo, poderia ter tido algum cuidado para que o seu filho possuísse melhores dotes de adivinhação. Ao intervalo, Bruce gesticulou para o público, levantando quatro dedos. Falhou na previsão, no final foram só três. Assim o seu Bruno, consegue ser pior que o bruxo Mestre Alves (não são familiares ou algo assim?)

Para terminar, sendo o senhor empresário do seu próprio filho, tenha cuidado. O wrestling europeu ainda não foi adaptado à relva, portanto lembre-se que há sempre quem veja a matreira virilidade do Bruto, o que pode afastar a clientela. A menos que Chuck Norris esteja interessado em arranjar um discípulo. Ou que Jorge Sousa se torne treinador.

PS: Diga ao Bruno para arranjar um penteado em condições. Com o cabelo comprido parece o Sansão. Com ele assim curtinho parece um menino do coro. É para enganar alguém?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ode à minha cadela

A minha cadela é um ser completo. A minha cadela é pequena. A minha cadela tem uma pelagem preta, brilhante e macia. As patas da minha cadela são de um castanho claro que se assemelha à cor de um leão. Ela também tem uma espécie de juba à volta do pescoço. Dá-lhe um aspecto pachorrento quando dorme e selvagem quando acaba de tomar banho. A minha cadela tem olhos castanhos que me fazem lembrar aquelas imagens de uma savana africana ao fim de tarde que guardo dos programas de animais que de vez em quando vejo na televisão. À volta dos olhos nascem umas manchas de pêlo mais claro, próximo daquele que lhe tapa as patinhas. O pêlo que cobre a barriga da minha cadela é branco e contrasta com o preto dominante. A minha cadela tem um rabo majestoso cheio de pêlo. A minha cadela sobe para o meu colo quando me sento de pernas cruzadas no chão da cozinha. Às vezes a minha cadela dirige-se ao meu quarto e tenta acordar-me quando às duas da tarde ainda estou na cama. Quando estou sentado numa das cadeiras da cozinha, a minha cadela coloca as patas da frente sobre uma das minhas pernas e lambe-me a mão carinhosamente. É a forma de ela pedir, sem falar, para lhe dar mimo. A minha cadela ladra quando ouve o elevador do prédio onde vivo. A minha cadela corre até à porta quando ouve a fechadura do lado de fora. A minha cadela abana o rabo quando me vê chegar ao fim do dia. A minha cadela tem a mania de passar primeiro que eu em todas as portas onde passamos. A minha cadela não tem medo de andar de elevador, mas prefere as escadas. Quando utilizamos as escadas para subir, a minha cadela pára no 2º andar, depois de mais um passeio. Já sabe que está em casa. A minha cadela come alguns restos de comida que por vezes caem no chão da cozinha. A minha cadela não é muito esquisita no que diz respeito à comida, mas não gosta de sopa, nem de massa, nem de pão simples. A minha cadela come muito rápido e quase sem mastigar. Ela come omeletas comigo às 5 da manhã. A minha cadela às vezes caga para mim e vai-se deitar no canto dela, como fez enquanto eu escrevia este texto. A minha cadela tem medo da minha mãe. Medo não, respeito. A minha cadela baixa as orelhas quando a minha mãe lhe dá na cabeça. A minha cadela às vezes faz asneiras. Ela esconde-se quando faz asneiras. A minha cadela gosta de brincar. Ela vai buscar os brinquedos que lhe atiro mas depois não me devolve os objectos. A minha cadela tem um aspecto muito engraçado quando boceja. Ela também dá peidos e arrota. Muitas vezes. Às vezes ela tropeça nas próprias patas e cai, algo que nunca vi outro cão fazer. A minha cadela dá-me a pata quando lhe peço. A minha cadela senta-se quando lhe mando. Nem sempre... A minha cadela é maluca. Ladra e rosna para cães muito maiores que ela, como o são bernardo do meu amigo/vizinho da frente. A minha cadela tem curiosidade acerca dos gatos. Não lhes quer fazer mal, noto que ela gostaria de conhecer um pouco melhor o mundo deles. A minha cadela é o meu animal preferido. A minha cadela chama-se Nina.

Escrevi este texto porque, enquanto pensava num assunto qualquer que me despertasse interesse e não passasse pela final da Taça da Liga, a minha cadela pôs as patas superiores na minha perna, olhou-me nos olhos e lambeu-me a mão. Algo comum e banal, mas naquele momento percebi que ela merecia lugar de destaque neste espaço. Adoro animais. São seres magníficos. Os cães estão entre as melhores espécies. Não são o meu animal preferido, toda a gente tem preferências bizarras, exóticas e selvagens. Pessoalmente, gosto muito de ursos, mas se pesarmos as vantagens e desvantagens, acho que o cão é o animal mais completo.
Isto é uma ode à minha cadela. A minha mãe saiu de casa e ela fugiu para uma qualquer divisão da casa. Vou atrás dela...

domingo, 21 de março de 2010

Lei do mais forte


O uso de estrangeirismos é um recurso pomposo e glamoroso, que torna o mais grotesco conceito num termo erudito. O surgimento do termo Bullying está a ser perigosamente confundido com o aparecimento do conceito. As escolas sempre funcionaram com uma hierarquia para além da estabelecida docente-aluno. Dentro dos alunos, há um sobejamente conhecido conjunto de factores que tornam uns facilmente líderes adorados, e outros desprezados vermes. A relação entre estes dois extremos nunca será a melhor.
Lamentavelmente, o meu conhecimento de causa é vasto. Usava óculos e aparelho, ganhava concursos literários e musicais, pesava 15 quilos, media 70 centímetros, metade da receita da Feira do Livro da minha escola provinha da minha carteira; facilmente o leitor adivinha a qual das facções eu pertencia. Além do mais, sempre tive a mania que era mais esperto que os outros, e rapidamente me apercebi que a superioridade da força intelectual sobre a bruta é um tanga descarada, de maneira que a invocação do meu conhecimento das capitais europeias aos dez anos não me trouxe grandes frutos, nem a evitar olhos negros, nem, lamentavelmente, com o sexo feminino.
Na ingénua esperança de estar a ser lido por um dos meus bullies, outrora colegas, deixo-lhes duas palavras de apreço: compreensão e agradecimento.
Compreendo os vossos comportamentos agressores. Fazendo uma deprimente retrospectiva, eu era um chico esperto do tamanho de um lápis, pelo que facilmente percebo porque me batiam. Eu próprio, se pudesse, me bullyingava.
Agradeço-vos porque são mais as consequências positivas que retiro das nossas experiências em conjunto do que as que lamento. Se eu agora sou rápido, devo-o às fugas rápidas, à saída da escola, quando vocês me esperavam onde a supervisão adulta era inexistente. Se eu agora estou maior, foi porque passei a comer mais depois de me dirigirem tantos insultos relacionados com a minha constituição física, que continua a não ser a mais famosa horizontalmente. Se eu agora desisti de usar os óculos de leitura em público, foi porque mos partiram.
Fui bullyingado e só me fez bem. O Ministério devia preocupar-se mais consigo mesmo e menos com os alunos, que sabem organizar-se e governar-se sozinhos. Porque se bullying é abuso de poder, Mário Nogueira é que tem constantemente bullyingado a ministra Isabel Alçada.

sábado, 20 de março de 2010

Nostalgia III

Quando eu era pequeno eu tinha um medo constante de morrer. Não era algo triste. Não era um sentimento trágico de uma catástrofe iminente, mas a certeza de que algum dia, de algum modo, eu iria morrer. Não era terror ou sequer medo, já agora. É que quando alguém pensa constantemente sobre a morte, parece ser adequado referir-me a esse sentimento como medo de morrer. Mas não era. Era uma certeza, um conhecimento seguro.

Hoje em dia, esse sentimento desapareceu quase totalmente. Eu ainda odeio andar de carro ou avião. Alguma coisa não está certa quando estamos a andar numa coisa cuja fonte de energia é a combustão de um líquido inflamável.

Mas naquele tempo, quando eu tinha 7, 8 anos, eu sempre pensava que iria morrer. Acontecia quando eu comia demasiada picanha ao almoço. Pensava que iria morrer de congestão. Quando eu caía da minha bicicleta e via o meu joelho raspado e ensanguentado eu pensava: “vou morrer por hemorragia”.

Quando eu era pequeno e ainda morava no Brasil, eu vinha para Portugal nas férias durante Dezembro. O salto do calor de Verão do Rio para o frio assassino do Inverno minhoto era a minha sentença. Ficava imediatamente constipado no momento que o avião entrava nas águas territoriais de Portugal. Ainda hoje não há nenhuma pessoa no planeta que odeie constipações mais do que eu. O meu calcanhar de Aquiles era, e ainda é, ficar com o nariz entupido.

Ao longo do dia era normal, bastava assoar o nariz constantemente, sacrificando várias florestas em lenços. Mas na hora de ir para a cama o desastre se soltava. A posição horizontal impossibilitava a minha respiração pelo nariz. Ao respirar pela boca eu pensava que a respiração passava a estar sob o meu controlo. Tinha deixado de ser uma função natural e automática do corpo. Se eu perdesse a concentração por um momento e adormecesse, morreria.

Então eu fazia o que todas as crianças de 7 anos fazem quando têm medo de morrer. Ia ao quarto dos meus pais. Num fatídico dia, entrei no quarto, e anunciei à minha mãe: “Mãe, estou com nariz entupido e não consigo respirar pelo nariz.”. A minha mãe: “Então respira pela boca.”. Eu: “Mas se eu adormecer assim, vou morrer”. A minha mãe: “Vamos todos". E ela voltou a dormir. Eu também.

Não sei se foi um sentimento de irmandade de saber que toda a humanidade iria morrer de algum modo, que me curou. Mas o pragmatismo da minha mãe ficou em mim. Ela poderia ter acolhido as minhas mariquices, mas amorosamente mandou-me para o caralho. Pragmatismo é tudo. Como o Fabeta já referiu, não é aconselhável pensar demasiado nas coisas.

Hoje em dia bombardeio as constipações com Cegripe. Não funciona tão bem, mas acho que seria um bocado estranho um homem de 19 anos entrar no quarto dos pais a chorar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

SLB Droit au but

"Direito ao Golo" assim se traduz o lema do Olympique de Marselha. O Benfica, esse sim, deu-me o direito de festejar duas vezes, elevando o meu Benfiquismo para níveis perto do doentio. Por muito isento que queira ser, é-me quase impossível conter estes casos de euforia. Ironia do destino, provenho de uma família de sportinguistas ferrenhos e que nutrem pelo Benfica um ódio tão grande, que em dias como o de ontem, me torno quase uma ovelha negra. A eles e a todos os "anti-benfiquistas" que abriram garrafas de champanhe quando o Marselha fez o 1-0 digo: "Os cães ladram e a caravana passa, Kompensan e Rennie fazem bem à azia".

"Adeus Benfica" dizia a sms que enviei ao Leandro segundos após o golo de Niang. Quinze minutos depois, gritava o nome de Alan Kardec ao telémovel, enquanto o Leandro dizia incrédulo: "Todos os gajos que eu digo que são uma merda marcam golos". É esta capacidade de passar em poucos minutos da depressão à euforia extasiada que define um Benfiquista (ou a situação oposta, tantas vezes...). Ser Benfiquista é sofrer a bom sofrer o tempo que for preciso, anos se for necessário, mas na hora da vitória, festejar mais por um golo contra o Carrancas de Baixo, do que alguns festejariam se ganhassem a Liga dos Campeões.

Já depois de ter visto os resultados do sorteio dos quartos-de-final da Liga Europa, quero dizer, com orgulho, que, ao contrário do que se já se fala, a verdade é que a "fava" do sorteio calhou ao Liverpool. Obviamente, que se pode falar que se trata de uma equipa inglesa, cuja história recente nas competições europeias impõe respeito. Peço então para pesquisarem alguma informação sobre a desastrosa época que o Liverpool tem vindo a fazer, e caso possam, que vejam um resumo alargado de ambas as "mãos" da eliminatória Liverpool-Lille. Se fizermos uma comparação entre Torres e Liédson, atrevo-me a dizer que este ano, o Liverpool é um Sporting inglês. Lá se vai arrastando pelas competições europeias, enquanto Rafa Benitez, à semelhança de Carvalhal, vai emitindo um discurso do género "Há vida depois de..."

É díficil sim senhor, eu pedi o Fulham e saiu o Liverpool. Mas tal como Simão e Miccoli afundaram o Liverpool há uns anitos, num dos jogos mais satisfatoriamente dolorosos a que pude assisir, confio verdadeiramente que mais uma vez eles hão-de estrebuchar frente a Di Maria e seus pares. E, porque não dize-lo?... Sem o Moretto.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Viver para sempre

Há alturas em que me questiono acerca da vida. Há alturas em que toda a gente se questiona acerca da vida. Há alturas em que ninguém se quer questionar acerca da vida. Porquê algo tão efémero? Porquê algo tão frágil e ao mesmo tempo tão forte? Porquê nascer com uma única certeza ancorada à razão que é a morte? Não sou dessas pessoas que anda por aí preocupada em descrever incessantemente o que há de belo no mundo, em chorar o que de mau acontece, em espalhar por ouvidos alheios o que se passa aqui e ali, nem me preocupo com o facto de ser mais um entre muitos, simplesmente porque não o sou. Aliás, tento não me preocupar. Com nada. Vou apreciando a paisagem. A vida passa por nós a correr, é verdade, mas não é preciso correr atrás dela. A vida corre à nossa frente para preparar o que há-de vir. Deixem-na ir. Não é suposto acompanhá-la.

A vida é como um pastel de natas. É algo tão pequeno mas simultaneamente tão delicioso que queremos apenas comer um bocadinho de cada vez para aproveitar melhor a experiência. Não devemos comer tudo de uma vez, porque é um desperdício e tira toda a piada, nem devemos deixar de comer por achar que engorda. As questões que coloquei no inicio deste texto são a ironia de uma pessoa que vê as coisas de forma simples e descontraída. Quero lá saber se a vida é efémera, se é frágil, se a única certeza que temos é a morte, estou-me cagando para essas tretas. Sou, como algumas pessoas gostam de me chamar, um "gozão". Gosto de ver o lado espirituoso, jovial e cómico da vida. Não o faço com más intenções, estou a milhas de ser uma má pessoa, apenas tento rir da vida porque ela também ri de mim ás vezes. Gozo com animais, gozo com catástrofes naturais, gozo com deficientes, porque não gozar com a vida? Ou com a morte? Será que Nosso Senhor Jesus Cristo me vai castigar? Graças a Deus que sou ateu. Há quem diga que não sou muito normal, que por vezes não "bato bem dos cornos". Ainda bem, significa que estou a seguir o rumo que, se pudesse, teria escolhido para mim à nascença. Não me satisfaz ser "normal". É algo natural felizmente. Gosto de ver as coisas de maneira diferente. Sou céptico, crítico e sagaz. Se não fosse "maluco", como muitos me chamam, a vida não era tão divertida. E nunca duvidem que os malucos (como eu) estão para o mundo como a manteiga está para a torrada. Encaixam na perfeição.

Viver eternamente deve ser fixe, mas não sei até que ponto gostaria de o fazer. Viver para sempre não é uma vontade, é um sonho. Sei que não vou viver para sempre, mas tenho a certeza que vou tentar viver sempre.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cromos repetidos

Com a falta de comédia de qualidade na televisão, há sempre uma opção para quem quer soltar umas gargalhadas. O debate entre os candidatos à presidência do Vitória de Guimarães está, neste momento em que vos escrevo, a fazer-me as delícias. Está a fazer com que todo o dinheiro dispendido na assinatura da SportTv seja, mais do que nunca, dinheiro bem gasto.
Mas quero destacar, acima de qualquer potêncial humorístico - que é de resto elevadíssimo - a pureza da discussão. São dois labregos a mandar bitaites, e agem como dois labregos a mandar bitaites. Discutem o futuro do clube como quem discute de quem é aquele palmo de terreno entre duas quintas no Douro, onde está o melhor cacho de uvas. A transparência é louvável. A pronúncia impagável. Os jogos políticos são absolutamente profissionais. O riso em resposta às propostas do oponente; as atempadas interrupções e as referências à educação do interruptor; acusações de falsidade e demagogia; a iminência do confronto físico que, lamentavelmente, nunca chega a vias de facto; a apresentação de dados e estudos, porque contra factos não há argumentos.
As semelhanças entre esta discussão e os debates políticos são tais que a leviandade com que os assuntos são tratados é assustadoramente cómica. Os trunfos demagogos para satisfazer a sede de poder são exactamente os mesmos, quer se trate de discutir a pertinência do PEC ou a escolha do director desportivo do clube.
Somos educados assim. A viver com o ciclo de um sebastianista que, descendo à terra, desilude quem o ajudou a sair do nevoeiro, e que depois o substitui por outro que se sabe que vai cair igualmente.
Temos de saber lidar com isso e escolher bem. Quer nós, portugueses, quer os sócios do Vitória.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Porque eu quero ser jornalista

Numa fatídica noite, eu, o Diogo e o Shot estávamos a fazer um trabalho para a universidade. No meio da correria que às vezes a vida nos pode infligir, aconteceu de só podermos fazer o trabalho no dia anterior à data limite de entrega.

Nesse dia tomamos a nossas posições e iniciamos a tarefa hercúlea e começamos a aumentar o passo para a maratona de 10 horas que se iria seguir. A primeira hora passou rapidamente – até conseguimos descobrir qual era o tema do trabalho. Mas na hora seguinte o ímpeto de trabalhar rapidamente desvaneceu e foi substituído por um misto de sono, tédio, preguiça, marasmo, letargia – estávamos às portas da morte.

São nessas horas que normalmente se iniciam as discussões pseudo-filosóficas intermináveis que costumamos ter. Os assuntos são variados: existencialismo, o estado político da nação, os atributos do mercado livre, passando por peidos e a infindável discussão da batalha Sagres x Super Bock.

Foi nessa noite que o Diogo disse aquele que é provavelmente o seu melhor aforismo: “Antes levar no cu do que levar no espírito”.

A interpretação metafórica é clara. A dor mental pode ser, em certas ocasiões, muito pior do que a dor física. Foi aí, nessa frase, que vi a razão pela qual estudo jornalismo.

Eu quero ser jornalista porque gosto de tudo mas também de nada em especial.
Eu quero perceber porque raio Portugal é um falhanço eterno. Eu gosto de política e economia e filosofia e história e literatura e cinema e sociologia. Mas não queria estudar nenhuma destas coisas em específico.

Jornalismo é engraçado. É um curso que te permite ser preguiçoso se compensares desalmadamente nas vinte e quatro horas antes da data-limite de entrega de um trabalho ou do dia do exame. É um curso em que metade do caminho é feito em piloto automático.

Há um desemprego brutal, é verdade. Mas eu, pelo menos por agora, sou irresponsável. E planeio ser por mais algum tempo.

Eu sei que o meu caminho depois do curso, depois do mestrado é incerto. Não faço a mínima ideia para que lado a minha vida vai verter. Mas no fim destas andanças todas espero que me saiba bem ter o conhecimento de que pelo menos tentei.

Poderei acabar o curso e arranjar emprego. Ou não. Posso conseguir ser jornalista. Ou não. Mas a verdade é que só tenho a certeza de uma coisa. Não suportarei ter um emprego normal. Por isso não fui para Economia ou Engenharia. Sei que me arrisco a conduzir táxis, ou entregar pizzas, ou fazer tele-marketing, ou instalar Meo na casa das pessoas.

Se eu conseguir ser jornalista sei que vou receber mal. Sei que vou ser explorado. Sei que será um caminho gigante e esburacado. Mas sei que se o conseguir, não quererei outra coisa.

Vou ser jornalista. Vou ser pobre. Que se foda. Antes levar no cu do que levar no espírito.

domingo, 14 de março de 2010

The All-Mighty Chuck Norris

Há uns tempos atrás, uma notícia deixou-me para lá de estupefacto. Não, José Castelo Branco não assumiu finalmente a sua verdadeira sexualidade. Foi antes, uma reaparição do homem que dava vida ao implacável Walker, o Ranger do Texas. Sim, não molhem as calças, mas Chuck Norris está vivo!

Vivinho da silva e bem presente nas memórias dos programadores do Facebook, que escolheram o nome do homem que perdeu a virgindade antes do próprio pai, para ser a “chave-mestra” da popular rede social. Pois é. Fosse qual fosse a palavra-chave que os leitores utilizassem para aceder à vossa página pessoal, mesmo que esta fosse o nome da pessoa/coisa a quem deram o primeiro beijo da vossa vida, Chuck Norris acabaria em micro-segundos com essa barreira, para se divertir lendo as mensagens que enviaram àquela transmontana toda boa, ou rindo-se enquanto destruía a vossa quinta do Farmville, onde, com tanto carinho, semearam couves-lombardas e alfaces-repolhudas ao longo das últimas semanas.

Assim foi até ao final do Verão de 2009, altura até à qual, segundo uma funcionária anónima do Facebook, vários colaboradores do site por esse mundo fora, entraram e saíram a seu bel-prazer das contas de milhares de utilizadores, fosse na página do guna mais violento do bairro do Cerco, ou no perfil de Barack Obama (caso ele tenha um) Isto, já para não falar dos vários utilizadores especializados em trafulhice que, entretanto, poderão ter captado esta falha e entrado nas contas de quem quer que fosse, se assim lhes aprouvesse. Segundo a tal funcionária, isso era possível desde que se soubessem os números incluídos na password, o que, dito pela mesma fonte, não seria difícil, já que o resultado seria algo parecido a ChuckN0rr1s.

De qualquer das formas, os utilizadores desta rede social que durmam descansados. A “palavra-chave-mestra” já foi entretanto desactivada e os colaboradores mais brincalhões foram despedidos (de uma forma algo irónica, os “bosses” do Facebook, com a ajuda de Chuck Norris, podiam também aceder aos registos destes “voyeurs”, castigando, assim, os seus maus hábitos). Portanto, podem viciar-se em Farmville à vontade e ver as fotos daquela voluptuosa aldeã transmontana sem medo que alguém vos esteja a observar (ou não).

Bem, chega de falar acerca de Chuck Norris, que entretanto já houve dois curto-circuitos aqui em casa, senti vários tremores de terra e ouço gritos de pavor e som de disparos vindos do andar de baixo. Pelo sim pelo não, vou fazer “harvest” a todas as minhas plantas do Farmville, não venha o homem do poderoso RoundHouse Kick a caminho para me atazanar, pelo que posso ficar fisicamente desabilitado de aceder à minha quinta nos próximos tempos.

sábado, 13 de março de 2010

Carta aberta aos Cristãos

Caros cristãos,

Eu sou ateu. Não gosto de perder muito tempo a discutir esta questão, porque qualquer debate com vocês rapidamente ultrapassa a fronteira da lógica e da razão.

Vocês são irritantes. Digo isto, sem querer ofender nenhum de vocês em especial. Vocês são todos igualmente irritantes. Todos os crentes são irritantes, mas como estamos em Portugal, vocês tendem a ganhar o monopólio da minha irritação.

As pessoas não são todas iguais, mas vocês - verdadeiros cristãos que acreditam mesmo em Deus e cantam músicas ao Senhor – são todos iguais.

Vocês automaticamente assumem que eu tenho que respeitar as vossas crenças. Não, eu não tenho. Respeito é algo que é conquistado.

Eu gosto de ler sobre o vosso deus. Os meus dois autores preferidos (Tolstoy e Salinger) foram fortemente influenciados por ele. Mas para mim, religião é só isso – uma boa história.

E isso não faz de mim uma pessoa com uma mente fechada, como vocês tanta vezes fazem questão de me lembrar. Na realidade, a maior parte de vocês nem sequem entende verdadeiramente a religião em que acreditam – basta ver os jogadores de futebol brasileiros.

Há uns poucos cristãos que realmente entendem o Cristianismo e mesmo assim continuam a crer em Deus – tudo o que retiro desse facto é que não conseguem pensar racionalmente ao ponto de conseguir separar a fantasia da realidade.

Vocês têm a tendência de se acharem moralmente superiores, como se fossem pessoas melhores por acreditarem em deus. E o pior nem é isso - é pensarem maravilhas de si próprios porque enquanto eu vos condeno, vocês não pensam menos de mim por causa do meu estilo de vida pecador.

Vocês dizem que é tão importante ser cristão como ser tolerante em relação a outras crenças. Vocês acham-se boas pessoas simplesmente por me tolerarem. Tolerância é condescendência glorificada. Por isso, caros cristãos, foda-se a vossa tolerância. Molhem-na em vinho tinto e enfiem-na pela goela abaixo.

Espero que um dia vocês se deparem com a realidade crua e dura: nós somos pedaços de carne ambulantes - o mundo consiste em átomos a chocarem uns com os outros - o mundo como vemos existe apenas nas nossas consciências - as nossas vidas são insignificantes - a morte é inevitável - a vida não tem nenhum significado divino - tudo é aleatório.

Estes factos são absolutos. Libertam a mente. Expandem os horizontes. Fazem perceber a importância do tempo, ou melhor - a urgência de viver - porque no fim não há nada, caros amigos, absolutamente nada.

No fim vocês continuam a ser um pedaço de carne, só que em decomposição. No fim não haverá ninguém a dizer que tudo ficará bem. Porque a realidade é simples - a morte é uma merda fodida do caralho - fingir que não é merda faz de ti um estúpido, não um cristão.

Atenciosamente,

Leandro Silva

quinta-feira, 11 de março de 2010

10 coisas MARAVILHOSAS de que ninguém fala (parte II)

6 - Dar peidinhos ao acordar.
Mais uma vez sublinho este ponto como quase exclusivo aos membros do sexo masculino. Dito isto, quem nunca soltou um pu depois de acordar, ainda na cama a tentar abrir os olhos? É algo que transforma uma pessoa por dentro e que liberta a nossa alma para o resto do dia. Se não soltarmos aquele peidinho bom de manhã, o nosso espírito sente-se reprimido até que o querido gás metano decida sair cá para fora. Digo mesmo que se torna algo quase revitalizante. O cheirinho vem por acréscimo...

7 - Arrotar.
Há poucas coisas na vida que se fazem de forma tão natural como arrotar. Não é só um acto fisiológico de expelir o ar em excesso no estômago pela boca, é algo que nos aproxima de um titã. Quando sentimos aquelas eructações que até parecem querer expulsar os pulmões, não podemos deixar de sentir, simultaneamente, um alívio e uma sensação de poder. E acreditem que digo isto com efeito de causa...

8 - Ser bebé.
Não há responsabilidades. Podemos dormir o tempo que quisermos e os pais até agradecem. Podemos comer o que quisermos porque os bebés são fofos se forem gordos. Metem-nos a comida na boca. Dão-nos leite quentinho directamente da mama. Embalam-nos e dão-nos miminhos. Dizem que somos a melhor coisa do mundo. Todas as mulheres querem agarrar-nos. Podemos urinar e defecar sempre que quisermos, onde quisermos, em que altura quisermos. Podemos fazê-lo em cima dos nossos pais. Podemos dar um pu ou um arroto que é sempre visto como a coisa mais maravilhosa do mundo, quase se podia comer. Que mais precisamos?

Os dois últimos factos da minha lista são elaborados em honra dos meus colegas de blogue que sugeriram coisas que toda a gente gosta mas que passam despercebidas. Escolhi um do Leandro e o do "Shot".

9 - Beber até ao ponto óptimo.
Toda a gente conhece aquele estado de euforia e alegria contagiante que a bebida provoca se ingerida na quantidade certa. Aquele estado em que o mundo se mexe à nossa medida, em que tudo é bonito e dá vontade de tocar. Um pedaço de bosta de cão pode parecer uma delícia visual. Gostamos de toda a gente e toda a gente gosta de nós. Não estamos embriagados, mas não estamos sóbrios. Estamos no mundo das fantasias.

10 - Coçar qualquer zona que esteja tapada por cuecas/boxers (homens apenas).
Qualquer homem retira prazer do simples acto de coçar aquilo que o faz ser homem. Sabe bem e faz parte do instinto do homem. Existem aquelas comichões que irritam de tal forma que só nos apetece amputar a parte afectada, e para isso servem as mãos. E não mintam, toda a gente tem comichão no cu de vez em quando. Para isso servem as mãos. Mas façam o favor de as lavar depois.

Paraíso


A partir de hoje, tenho televisão com todos os canais no meu quarto. A minha cama, que já era um dos meus lugares predilectos no mundo, passou para o topo supremo da lista. Ver SportTv na horizontal é paradisíaco.
Pondero deixar o blogue. Pondero deixar a faculdade. Mais depressa deixarei a faculdade, pois posso escrever para o blogue no conforto dos meus lençóis, enquanto convencer a mudar o anfiteatro principal para o meu quarto para eu não ter de abandonar o leito parece-me logisticamente mais inviável.
Se deixarem de ter notícias minhas, não há motivos para alarido. Previamente, meus caros leitores, vos aviso do meu paradeiro. Na minha cama. A ver televisão.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Épica

Os equipamentos do Porto hoje vão ser lavados na 5 à sec

terça-feira, 9 de março de 2010

Carta aberta a Jesualdo Ferreira

Vai-te embora!

Nostalgia II

Eu mudei-me do Brasil para Portugal com 10 anos, quase 11, e fui morar em Braga. Aí, nessa cidade onde se come tão bem, à beira da casa dos meus pais, há uma casa de granito completamente desfeita, abandonada, já sem tecto. Agora são só paredes monumentais infestadas de silvas e arbustos.

Eu e os meus amigos de infância íamos para lá, não fazer nada de especial. Nessa altura era tudo simples. Eu era um puto pequeno de 11 anos, com pouca coisa na cabeça, mas chegava-me. Era engraçado estar numa casa abandonada sem fazer nada. Chegava-me não fazer nada numa casa abandonada.

Nessa altura eu pensava que quando fosse grande “é que ia ser”. Quando tivesse 16 anos ia começar a viver, como se tudo antes disso fosse um mero prelúdio, uma visão do futuro.

Agora eu já vou em 19 anos, e eu sei que pareço demasiado nostálgico ou amargo para a idade, mas tudo parece ser igual, com uma vasta diferença. Agora tudo representa um impasse, um momento trancado, esticado por vários anos. Agora já não me chega estar numa casa abandonada sem fazer nada.

Eu fui, hoje de manhã, a essa casa abandonada, e vi tudo na mesma. As mesmas paredes imponentes. A mesma vegetação. A mesma oliveira gigante, quase morta, que parece apenas ter uso com um guarda-chuva natural. No chão ainda estão azeitonas pretas mirradas, que ninguém se lembrou de apanhar. Lembrou-me da minha avó a dizer-me para pôr azeite nas batatas cozidas e no bacalhau.

- Põe azeite nas batatas, que fica melhor.

Eu odiava batatas cozidas e bacalhau. Portugal era só isso. Frio, avós, batatas cozidas e bacalhau. E a minha bicicleta vermelha, na qual o meu avô incessantemente tentou me ensinar a andar. Eu caía do raio da bicicleta constantemente e já tinha um ímpeto de dizer todos os palavrões que sabia em uníssono.

Eu lembro-me destas coisas todas agora que percebi que vou fazer 20 anos já em Abril. E pensei que, se calhar, isto já é uma idade para eu começar a enfiar juízo na cara. Eu sei o que todos me dizem. Que tu um dia cresces. Que tu um dia és adulto. Que tu um dia começas a viver com algum sentido. Só que hoje nada parece natural. Coisas de adulto, como pagar uma conta da luz parece algo estrangeiro, paranormal, provisório.

Eu sei que o Shakespeare disse que “um dia tu percebes a diferença”. Mas a verdade é que eu ainda não a vi. Só vejo o que está a minha frente. Eu agora tenho 19 anos, quase 20, já não sou um puto a deambular em casas abandonadas, mas não sou um adulto, porque não tenho nada que me defina como tal. E depois entro em desespero quando vejo o Lobo Antunes a anunciar que mesmo aos 70/80 anos ele ainda é um “menino cujo envelope se gastou”.

Isto não é uma espécie de crise de identidade ou dúvidas existenciais. Simplesmente parece que isto é a realidade das coisas, do quotidiano moroso, de seguimentos e regras, de protocolos e horários. Não estou também a questionar a autoridade ou algo a tentar libertar algo que se pareça com raiva juvenil.

Eu sei o que dizem os adágios todos, que meninos virarão homens, homens virarão pais e a vida continua sem dó nem nada que se pareça.

Hoje não existe nenhuma catarse, nenhuma sensação de renovação ou continuidade. Depois de horas a estudar para um exame eu penso que quando acabar o curso, talvez, talvez aí tudo mudará. Mas à medida que eu acumulo cadeiras feitas, os passos vão ficando mais largos, as portas cada vez mais estreitas e continua a não haver nada que defina o estatuto que supostamente vem com a idade.

Os meus pais, os meus avós, são daquelas pessoas tradicionais, a quem a normalidade sabe a vida, a quem divagações e introspecção não ajuda, a quem basta dizer “é a vida”, e daí retiram todo o conhecimento, toda a satisfação existencial de que precisam.

Bem, a mim não me chega, e é triste. É trágico isto ser-me triste, visto que deveria apenas ser o que é – a vida. Mas a mim ninguém me tira esta sensação de estar suspenso no tempo.

Dá que pensar isto, que talvez tudo que perdurará no tempo serão uns quantos palavrões e o gosto de bacalhau e batatas cozidas encharcadas em azeite que tarda a sair-me da boca. E pior, agora sou demasiado grande para o raio da bicicleta vermelha.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ai os Homens


Hoje é o Dia Internacional da Mulher e eu, como representante de um blog maioritariamente composto por machos (digo maioritariamente, porque entretanto o Shot também começou a fazer parte) gostaria de mandar uma mensagem de repúdio em relação a esta situação. Não há um Dia Internacional do Homem, e isto sim, é a verdadeira discriminação. Por isso, instauro hoje o Dia Protagonista do Homem, a vigorar exclusivamente neste blog, porque já estamos habituados ao fardo de sermos um oásis de discernimento nesta sociedade pouco sagaz.
Espero não ser mal interpretado. Adoramos mulheres. Poucas coisas nos fazem mais felizes do que o sorriso de uma mulher, o olhar de uma mulher, a voz de uma mulher, o decote de uma mulher. Mas nós homens também temos os nossos problemas.
As mulheres dão à luz? Pois é, está correcto. Porém, durante os nove meses da gravidez, o homem sofre por satisfazer desejos, garantir conforto, acalmar hormonas alheias, tudo isto enquanto vê a mulher a engordar, o que em termos motivacionais é um desafio.
As mulheres têm o período? Não é nada, quando comparado com o exame à próstata que os homens de meia-idade devem fazer. Falo com certezas quando digo que há homens que, na iminência de serem invadidos pelo dedo do terror, preferem viver com cancro e morrerem novos, mas invioláveis.
Violência doméstica do homem para com a esposa? Também a há inversa. Psicológica, sobretudo, que é a pior e deixa mais marcas.
As mulheres já sofreram muito, por discriminação social, direitos civis e contratuais, e opressão baseada no padrão da mulher como sexo fraco? É possível. Mas nenhuma mulher sofrerá tanto em toda a sua vida quanto um homem sofre durante os noventa minutos de um mau jogo da sua equipa.
E é por isto que, nunca deixando de realçar a satisfação pela cada vez mais igualitária sociedade em que vivemos, quero manter essa igualdade também em dias festivos, instaurando, por isso, neste espaço, o Dia Protagonista do Homem. O dia em que a cerveja nunca fica quente.

domingo, 7 de março de 2010

Estupidez Submissa

Para o meu texto de hoje ia revelar a 2ª parte da minha lista de coisas insignificantemente maravilhosas, mas não quis deixar escapar algo tão... caricato. O Público de sexta-feira, edição comemorativa dos 20 anos do jornal, revelou uma sondagem a nível nacional bastante elucidativa sobre o estado de consciência moral dos portugueses. Passo a explicar: segundo a sondagem, 60% dos inquiridos acredita que José Sócrates mentiu acerca do negócio da TVI em plena Assembleia da República, quando alegou desconhecimento de tal trato. E desse número, 74% afirma que a mentira é injustificável. Até aqui tudo bem, as pessoas acham que o primeiro-ministro mentiu à Assembleia e ao país. O estranho vem a seguir. Se houvessem eleições neste momento, o PS voltaria a ganhar quase com maioria absoluta. Bem, não é estranho, apenas estúpido. Mas o mais ridículo é que 54% das pessoas que foram questionadas acha que Sócrates tem todas as condições para continuar a governar. Mas afinal em que ponto ficamos? As pessoas admitem que o chefe do governo português mentiu deliberadamente e sem justificação, mas isso é algo tão aceitável como não pagar uma pastilha elástica num café? Já sabia que vivemos num país de estúpidos, mas isto, numa escala de burrice, equivale à invenção da roda.

Já agora, o investigador Luís de Sousa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa apresentou no Parlamento um estudo que revela que 63% dos portugueses tolera facilmente a corrupção desde que seja em proveito próprio ou traga benefícios gerais para a população. Nem vale a pena comentar.

Que dizer mais sobre isto? Acreditar em Portugal é uma utopia.

sábado, 6 de março de 2010

"Apague essa alínea, sachabor"

O futebol é por vezes um fenómeno bizarro. Dentro de campo ora vemos “jogos de pés” fabulosos, comparáveis à “doce ciência” dos bailados de Muhammad Ali no ringue, ora se transforma num campo de batalha que relembra a selvajaria de Mike Tyson, Lennox Lewis ou Evander Hollyfield (e, porque não, Tarzan Taborda?).


Nas manobras de Secretaria vemos também jogadas um tanto ou quanto abrutalhadas. O mais recente cambalacho do desporto-rei lusitano envolve um pouco de tudo do que se tem passado esta época, desde o pugilismo no Braga-Benfica, passando pela “tourada” no Benfica-Porto e culminando nas suspensões preventivas, e posterior castigo, de Cristian Sapunaru e do Incrível, resultantes precisamente desse fatídico combate de wrestling, do qual só se sabe metade da história.


Sobre isto, deixem-me só citar Miguel Gois, na sua crónica semanal no jornal Record: “Até me inclino para concordar com alguns pareceres jurídicos que põem em causa o entendimento que a Comissão Disciplinar da Liga faz do que é um agente desportivo: depois de ter assistido a vários jogos em que participou, tenho dúvidas que o Sapunaru possa ser considerado como alguém que esteja directamente ligado à prática futebolística”


Recuemos então até Junho de 2009, ao momento em que Jorge Nuno e seus capangas, propuseram à Liga a suspensão preventiva de jogadores que estivessem envolvidos em processos disciplinares. Ora na sequência da suspensão do internacional romeno e da épica deidade futebolística com nome de monstro verde, eis que Jorge Nuno e seus comparsas esbracejam e choramingam para que a sua ex-proposta seja considerada anticonstitucional, o que suponho eu, constituiria uma anedótica vitória sobre a Comissão Disciplinar da Liga (CD), ou “Cosa Nostra” portuguesa como já alguns lhe chamam. Ironicamente perverso é o facto de no dia do anúncio da suspensão de Sapo Naro (assim chamado por milhentas pessoas) e do Inolvidável Givanildo, Ricardo Costa, Presidente da CD, ter usado uma gravata vermelha-cor-de-tintol, igualzinha à do Luís Filipe dos Pneus e respectivos amigalhaços...


Já imagino Jorge Nuno, telefonando para a Liga de Clubes: “Eh pah não foi de propósito, acho que foi um lampião infiltrado que propôs essa parvoíce. Não dá para ir ao computador apagar essa merda? Faziamos as pazes e tudo. Eu levava fruta da época e café com leite a sua casa”. A Liga e o respectivo Director de Crime e Castigo alegam não ter poderes para decretar inconstitucionalidades, função exclusiva dos Tribunais. De qualquer modo, isto não conviria nada a esse pessoal da ASAE do futebol, uma vez que significaria, como eu já tinha dito, a derrota moral dos Benf… de Ricardo Costa & Friends.


Senilidades azuis-e-brancas à parte, resta saber, de que modo estrondoso e surpreendentemente legal o Porto espera que um tribunal leve este pedido a sério. “Oh sô juiz, foi sem querer!” (Jorge Nuno limpa as lágrimas) “Faça lá isso que a gente manda-lhe boa fruta importada do Brasil”

sexta-feira, 5 de março de 2010

Factos

Factos que as crianças deveriam saber à nascença:

1 – Não existe Pai Natal nem Coelho da Páscoa.
2 – Chocolate a mais não faz bem.
3- Tu, rapaz, muito provavelmente não serás jogador de futebol.
4 – Tu, rapariga, muito provavelmente não serás uma actriz famosa.
5 – O coelho não sai magicamente da cartola.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Menos tempo

Segundo cientistas da NASA, o eixo da Terra sofreu um deslocamento de 8 centímetros, encurtando os dias em cerca de 1,26 microssegundo, devido ao grande sismo do Chile. Eu não sei quanto dura um microssegundo; pelo nome, deve ser mais ou menos da mesma duração da governo do Santana. Mas é preocupante achar que as vinte e quatro horas que me angustiam pela sua escassez se tornaram ainda mais curtas.
Para quê gastar dinheiro para os pretos em África, que são porcos e têm moscas, se se pode gastá-lo em estudos para concluir que eu vou dormir menos um microssegundo esta noite?

quarta-feira, 3 de março de 2010

10 coisas MARAVILHOSAS de que ninguém fala (parte I)

1 - Defecar (este blogue nunca irá servir como desculpa para dizer a palavra cagar... ups, já disse...).
Este primeiro ponto é sobretudo orientado para os homens. Quase ninguém fala disso numa conversa de café, mas uma das melhores experiências da vida humana é sentir um cagalhoto a sair pelo orifício anal e chapinhar na água como uma criança feliz. E depois passar a meia hora seguinte a ler o jornal ou simplesmente a pensar na vida. É um dos poucos momentos durante a nossa existência que nos faz sentir verdadeiramente os Reis do mundo, sentados num trono de mármore que nos apoia nos piores momentos, que nos ouve nas alturas de loucura, que está sempre aberto àquilo que temos para dar...

2 - Palitar os dentes.
Quem não gosta de terminar um repasto bem constituído e retirar alegremente os últimos testemunhos de que a comida esteve na nossa boca? Aqueles bocadinhos de vitela que ficam naquela covinha ou aquele espaço maior entre o 1º e o 2º pré-molar podiam incomodar até à próxima lavagem dentária, mas agradeço a Silas Noble e J. P. Cooley, que criaram a 1ª máquina de fabricar palitos em série, estes produtos que são o mais antigo objecto de higiene bucal. Delícia pós-alimentar! O fio dental também é bom, mas nada dá prazer como meter um pau na boca (este trocadilho tem como objectivo único e exclusivo satisfazer o meu novo colega "shot", que insiste na minha homossexualidade como um dado adquirido, de forma a que ele se sinta em casa. Na altura certa falarei sobre o teu estranho fascínio pela coprofagia).

3 - Acordar às duas da tarde e tomar o pequeno-almoço.
"Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer". Não sei se é por isso que não fui além dos 170 centímetros, mas este ditado popular nunca me encheu as medidas. É mega fixe acordar tarde, depois de toda a gente já ter almoçado, e fazer umas torradinhas e uma caneca de leite quente com nesquik ou mocambo. Quando acordo a esta hora (sempre que posso), nunca tenho vontade de almoçar, não consigo fisicamente meter um naco de carne ou um pedaço de peixe no estômago, embora seja muitas vezes obrigado a tal feito olímpico pela minha querida mãe.Bom mesmo bom é tomar o pequeno-almoço e ler o jornal ainda com os olhos semi-abertos. O almoço fica para amanhã...

4 - Urinar depois de aguentar durante horas.
Já toda a gente fez isto de certeza, pelas mais variadas razões. Por estar a fazer um exame, por vir nos transportes públicos à espera de chegar a casa ou simplesmente porque se esqueceu (sim, já me aconteceu esquecer de que tinha vontade de urinar). Depois disto, nada no mundo sabe melhor do que chegar à sanita mais próxima e mictar durante um minuto seguido, sentindo aquele alívio na bexiga que nos faz soltar um longo e saboroso aaaahhh...

5 - Insultar a televisão.
Não tem nenhum efeito prático, mas este acto de injuriar um objecto doméstico que nem sequer sabe que nós existimos é algo recorrente, pouco aprofundado como tema de discussão e muito bom de se fazer. Seja a ver futebol, a jogar um videojogo na consola ou simplesmente a chamar gordo ao Fernando Mendes ou paneleiro ao Goucha, é algo que simplesmente me deixa mais aliviado. Não ensina nada a ninguém, mas retira algum do stress acumulado ofender algo que não pode responder com nada a não ser algo mais que nos faça vituperar outra vez.

Deixo a segunda parte deste texto para mais tarde, para não me prolongar muito de uma só vez. Aceito sugestões sobre outras actividades extasiantes de que ninguém fale.

terça-feira, 2 de março de 2010

Protagonistas asseguram nova contratação

Após difíceis negociações, que se arrastaram ao longo de várias semanas e incluíram ameaças de morte e maus-tratos a membros da minha família, decidi juntar-me a esta trupe de escribas, sob promessa de avultados bónus salariais, um carro novo à minha escolha e férias pagas em paradisíaco hotel transmontano a combinar. Lá bem no fundo da minha alma, o meu sonho sempre foi protagonizar algo, quanto mais não seja, um blog obscuro, onde recentemente me acusaram de ser um mouro ligeiramente burro. Vá lá, pelo menos alguém me deu atenção…


Quem já leu alguns dos meus rabiscos sabe que a minha tendência, enquanto escriba/cronista/escrevinhador, se aproxima a algo como o conhecido comentador desportivo, Rui Santos. Muito mais sério e menos engraçado, com certeza… De resto, de vez em quando, talvez me apeteça palavrear sobre alguma alarvidade que leia aqui ou ali. Nada de verdadeiramente importante, apenas alguns fait-divers que me chamem a atenção.


E por falar em tendências, aproveito para questionar desde já algumas das opções ahmmm… sexuais de alguns dos meus companheiros de luta. Nomeadamente do excelso Fabeta, que há tanto tempo batalha para que eu me junte “aos seus” e que recentemente decidiu alterar o meu último texto, para que, subliminarmente, aos olhos dos leitores, eu me aproximasse aos da “sua” condição. Aconselho-o, então, a procurar conforto no caríssimo Diogo, cujos hábitos de demonstrar o seu carinho para com os amigos de forma explicitamente, diria… larilas, com certeza agradariam a esse individuo de Fânzeres. Caso algum dia, assim na loucura do momento, vos apeteça fazer um “comboio do amor”, chamem o Leandro para maquinista, com certeza ele aceitará com agrado, não fosse ele companheiro de quarto de um dos favoritos compinchas das brincadeiras duvidosas do Diogo. Eu recuso entrar nesse comboio, até porque sempre gostei muito de andar a pé.


Portanto, agora que levantei sérias dúvidas acerca da sexualidade dos restantes Protagonistas, chegou a hora de me despedir e começar a procurar um buraco ao estilo daquele onde se escondeu o Saddam Husein, não vá a fúria desse trio de malucas, fazer com este seja o meu primeiro post e também o último.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Credibilidade Solar

"Everybody's got problems", dizem os americanos, num dos seus raros momentos de lucidez. Problemas, temos todos, mas a fugir da corrente, gosto de focar nos problemas dos outros. A desgraça alheia toma sempre contornos dramáticos e dá-nos o distanciamento necessário para uma análise minimamente objectiva.

O processo Face Oculta é desses. Antes, parecia um dos raros momentos de lucidez dos portugueses, e desvendava uma teia gigante de relações, compadrios e camaradagens partidárias alastradas a negócios privados de sucata e afins.

Agora já é um polvo, mas o problema deixou de ser uma questão de justiça, para evoluir até dimensões Hollywoodescas, num espectáculo mediático que todos vemos em lugares de merda.

A imprensa podia muito simplesmente fazer o seu trabalho, publicando apenas as informações confirmadas. Os partidos políticos igualmente. O PS podia abandonar a paranóia e mania de perseguição. O PSD e BE podiam esquecer por cinco minutos o jogo político e abandonar comissões parlamentares com funções de Inquisição.

O semanário Sol, principal veículo da desgraça, é agora o que tem mais culpas no cartório.

O Sol teria muito maior credibilidade na sua cobertura do processo Face Oculta se não fingisse saber toda a "verdade". Eles não sabem a verdade. Especular sobre as inconsistências entre aquilo que foi dito pelo Primeiro Ministro publicamente e aquilo que alguém disse ou não disse nos excertos das escutas não é o mesmo que "saber a verdade".

Esse tipo de arrogância nojenta, de ser o dono e senhor da "verdade" está espalhada pela imprensa portuguesa e é o mesmo tipo de arrogância que a imprensa tanto critica no Engº Sócrates.

Ao invés de utilizar as informações que dispõe para uma uma investigação mais extensa, o Sol tentou meramente capitalizar e vender uns quantos jornais. Ao invés de se concentrarem em factos absolutamente seguros, as duas jornalistas do Sol responsáveis pela investigação centraram-se em muita especulação e na criação de uma novela baseada em pequenos pedaços da história real. Indícios e sinais não são o mesmo que provas concretas.

Agora a imprensa (Sol, José Manuel Fernandes, Mário Crespo) chora e grita "Lobo" nas comissões parlamentares quando a única coisa que se vê são ovelhas. Apenas transformam problemas judiciais em selvajaria política e que retiram a atenção daquilo que realmente importa, como de costume.

É uma presunção moral, normalmente reservada ao jornalismo sensacionalista, e que agora existe no Sol, como existiu antes no Público, durante os últimos anos da direcção do José Manuel Fernandes, e na revista Sábado.

Falar merda sobre merda não a transforma em ouro.