domingo, 28 de fevereiro de 2010

Depressão


Não entendo as pessoas que dizem aliviar frustrações na escrita. Aquelas pessoas que encaram a escrita como um refúgio às adversidades da vida, que usam as palavras como saco de boxe, descarregando a raiva acumulada com literatura. Hoje, deprimido me confesso, a última coisa que me apetece é escrever.
A arte de escrever já é um desafio; escrever deprimido, mesmo sobre os motivos que levam a essa depressão, é algo próximo de utópico para mim. Escrever não me iria animar, não me iria aliviar, não faria com que este peso no peito ficasse mais suportável. As dúvidas percorrem-me, assolam-me, sufocam-me. As palavras de esperança parecem-me vãs e inconsistentes. Parece-me que já passei a fase de rejeição, já estou na fase do conformismo deprimido. Logo hoje me havia de faltar cerveja no frigorífico, a única coisa que me proporcionaria algum prazer em viver neste momento.
Os "ses" são tão inúteis quanto inevitáveis. Só queria um minuto de intervalo neste sufoco. Tento arranjar bodes expiatórios, bem justificados. Espero que, quem me está a fazer isto, passe por esta sensação um dia. Um sensação de inutilidade, sofrimento sem culpa, infelicidade sem possibilidade de resposta.
Eu sei que não há volta a dar, mas uma dúvida continua a incomodar-me de uma forma desesperante: porque é que o Jesualdo me faz isto? Porquê a mim?

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Gulag para árbitros

Após um interregno para reflectir acerca de uma vasta miríade de questões fracturantes e equivalente panóplia de dúvidas existenciais, eis que uma personalidade sueca me forçou a abandonar o meu retiro espiritual. Um sueco que, durante o dia, exerce a bonita actividade de "soldado da paz" apagando fogos no seu país natal. Mas, quando cai a noite, "incendeia" os ânimos dos adeptos do futebol por essa Europa fora, praticando banditismo desportivo ou, como alguns acéfalos lhe chamam, arbitragem. O seu nome é Martin Hansson, árbitro internacional da FIFA desde 2001 e que recentemente tem estado envolvido em algumas das mais caricatas/bizarras/anedóticas situações do futebol dos últimos tempos.

Para quem não sabe, este ladr... senhor árbitro, foi o mesmo que validou a escabrosa "mão" de Thierry Henry, que ajudou a França a classificar-se para o Mundial 2010 e ditou não só o afastamento da selecção da Irlanda, como criou uma enorme dor de cabeça ao senhor Michel Platini (por acaso, também ele francês) além de provocar a ira da velha raposa, Giovanni Trappatoni, que neste momento se encontra numa câmara isolada, equipado com um colete de forças e um açaime... Um passarinho do mundo editorial garantiu-me que Henry tem jogado com menos frequência no Barcelona porque, neste preciso momento, se encontra a tratar da sua transferência para a equipa de voleibol do Sporting de Espinho.

No jogo que opôs FC Porto e Arsenal, este laráp... juiz do futebol, realizou aquilo que apenas não chamo "roubo de igreja" por respeito à própria instituição religiosa. Não posso, de modo algum, culpar os jogadores do Porto (até porque, na verdade, a situação nada me enfureceu e até me fez soltar um sorriso tímido) por terem tentado fazer uma coisa que só um vigar... senhor árbitro como Martin Hansson poderia validar. Tenham a opinião que tiverem e pondo de lado certas visões subjectivas do lance faço uma pergunta, que deixo em aberto: se os estimados leitores fossem árbitros permitiriam sequer a uma equipa fazer qualquer coisa simples como começar um jogo antes de os senhores darem a ordem para tal? E num lance importante como aquele?

Tendo isto em conta, após ver senhores como este gatun... árbitro e assistir aos autênticos assaltos que são os jogos do campeonato português, e para finalizar a minha dissertação, proponho uma solução vencedora: um gulag para árbitros. Deixem-se da ideia da profissionalização! Eu próprio se estivesse sob a ameaça de ir para um campo de trabalhos forçados, viria tudo com olhos de ver. E tendo em conta que GULAG em português significa algo como Campo de Trabalho Correccional, certamente que Olegários, Lucílios, Xistras, Hanssons e afins, corrigiriam a sua visão e acabariam com os seus roub... maus juízos que vemos todas as semanas.

André "Shot" Duarte

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Preguiça

Aparentemente, houve por aí um instituto de estatística europeu qualquer que decidiu construir um Top dos países mais preguiçosos, uma tarefa que ficou conhecida como as "Olimpíadas da Preguiça".

Para isso, analisaram um conjunto vasto de variáveis, como tempo passado a ver televisão, tempo passado sentado no sofá, etc e etc e etc...

No 1º lugar não houve qualquer surpresa - Estados Unidos. Já todos sabemos. Os EUA são o povo mais rico em gorduras e o mais preguiçoso. Só a força da gravidade faz metade do trabalho.

A surpresa ficou sim na posição portuguesa - 10º lugar. E parece que andamos sempre à volta dessa posição nos últimos anos.

É caso para perguntar - onde estamos a falhar?

Entre o subsídio de desemprego e a quantidade de carne de porco que comemos acho que merecemos pelo menos uma entrada no Top 5. Vejam, até as cadeiras nos estádios de futebol agora são confortáveis. Pedir sundaes no McDonald's parece uma missão impossível com quantidade que merdices que podemos pôr em cima.

Eu, por mim, sei que faço a minha parte. Se é algo que levo a sério é a minha preguiça. Há muitos anos que já aprendi que sou apenas a representação humana de uma preguiça abstracta e poderosa.

A maior parte das pessoas descansa no sono, para poder aproveitar a vida activa. Eu discordo plenamente. Eu sofro terrivelmente no decurso da minha vida activa apenas para poder dormir. Há manhãs que nem me atrevo a sair da cama.

Parece que há muita gente neste Portugal que ainda acredita que há um mundo fora das cobertas. E estão a levar este país para frente. Eles dizem que para frente é o caminho. Malditos, sejam.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"Dura Praxis Sed Praxis"

O que é a praxe? A praxe é tudo e nada. É a vida de uns, é a desgraça de outros. É diversão para uns, serve de bode expiatório para outros. Desde cedo o problema das praxes se colocou à sociedade. De certa forma a praxe académica, que é do que pretendo falar, existe desde a existência das universidades, ou até mesmo antes disso, porque sempre existiu uma sobreposição hierárquica dos alunos mais velhos aos mais novos.

Actualmente, a praxe tem vindo a perder valores, ensinamentos e adeptos. Cada vez menos gente concorda com o que se faz nesta ou naquela faculdade em termos de praxe, e como tradição académica já quase não existe. Agora quase só importa beber uns copos e conviver com os caloiros novos, mandando uns bitaites aqui e ali para não perder autoridade. Ou então adoptam rituais assustadores de "integração" em que os novos alunos têm de mergulhar em bosta de cavalo e ficar fechados um dia inteiro numa dispensa alimentado a pão e água. Ou nas poucas faculdades que ainda se dão ao trabalho de seguir a tradição e que procuram mesmo ensinar o que é praxe aos caloiros, as coisas acabam por se tornar demasiado sérias e transformam-se quase numa ditadura. Isto porque não se pode simplesmente dizer o que é praxe. O que está mais correcto de acordo com o que é praxe? Sei lá... Não sei responder.

Vendo de uma perspectiva parcial, do lado de dentro, tento abstrair-me de críticas e influências e analisar por mim próprio. E nunca chego a uma conclusão concreta e definitiva. Já me disseram que a praxe consiste precisamente em não sabermos o que significa, mas isso não me convence. Há sempre um significado para tudo, por mais absurdo que seja. O que posso dizer é que a praxe vai sem dúvida muito mais além do que aparenta, e digo isto de um modo positivo. O facto é que tem cada vez menos poder de atracção e mobilização, e eventualmente vai acabar por perder a pouca importância que ainda tem.
Talvez este tema não interesse à maioria das pessoas, e o próprio texto poderá não possuir grande coerência ou objectividade, mas é sempre um assunto polémico e achei que devia pelo menos referir esta matéria num dos meus textos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Vendaval e a TV do meu vizinho


Com este vento, tiro partido do facto de pesar 15 quilos: abro os braços e deixo-me levar. É óptimo para subir ruas íngremes, e se as há pelo Porto fora.
Tenho um método simples para medir a força do vento: quando deixo de ouvir a televisão do meu vizinho de cima, que é meio mouco, por causa do barulho das janelas a abanar, é porque lá fora está daquelas rabanadas que fazem os escalpes levantarem voo. Uma das razões pela qual eu me deito tarde é porque é a única altura em que posso encostar a cabeça na almofada sem ter de gramar com os ricos diálogos do Deixa-me Amar, não sei se se chama assim mas tem um sentimento qualquer no título, se não for amor é traição ou paixão ou ciúme. É a tortura do sono do século XXI.
E com isto escrevi umas linhas, que era o meu objectivo, porque hoje era o Fabeta a mandar para aqui os bitaites, mas tem compromissos pessoais e eu na tropa aprendi a nunca deixar mal um parceiro. Por isso desculpem se estas considerações se assemelharem aos primeiros minutos de jogo daqueles jogadores de futebol que entram em campo sem aquecer, para substituirem o colega que se lesionou.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Economia, Cuspe e outra coisa

Há muito que se debate os problemas inerentes à estrutura da economia portuguesa. Não sofremos apenas problemas característicos do sistema de capitalismo selvagem. Apesar da nossa democracia ainda ser um jovem adulto, já sofremos problemas característicos de idosos do paleolítico: lentidão, incapacidade, apatia, facilitismo e a ocasional libertação de gases.

Recentemente cheguei à conclusão de que a estrutura é na realidade bastante simplista. O Álvaro Cunhal definiu, em 1976, a economia portuguesa como estando num "estado intermédio e transitório entre uma economia capitalista e uma economia socialista".

Eu odeio discordar de um comunista, por medo da discussão irracional incrivelmente longa que normalmente acaba por ocorrer de seguida. Mas nesta instância, tenho que discordar.

A economia portuguesa é, como referi, simples: é um concurso de cuspe à distância. Passo a explicar.

Certos analistas políticos falam de Portugal e dos seus sucessivos líderes, como almas cegas em visões megalómanas da economia. Têm absolutamente toda a razão.

A nós nunca nos interessou uma economia baseada na capacidade científica e tecnológica. O Sócrates lá tenta dizer que a ele lhe interessa, mas basta ver o bacanal em que vivemos para saber que não é verdade.

A nossa economia é baseada em fazer coisas grandes, e se possível, coisas maiores do que a dos outros. Não a melhor, a mais eficiente, a mais organizada, não: A MAIOR.

Temos o maior lago artificial de barragem da Europa Ocidental. Temos a maior ponte da Europa, que também é a nona maior do mundo. Temos 3(!) pontes no Top 35. Além disso, há que ter em conta que dessas 35, 19 são americanas ou chinesas.

Vejamos... A Suíça tem os canivetes, as armas, a Nestlé, a Swatch. A Suécia tem a Ikea, a Sony Ericsson, a Volvo, a Securitas AB. A Dinamarca tem os Legos, a Carlsberg.

Nós temos a...Sonae? PT? Corticeira Amorim?

Só há uma entidade realmente internacionalizada em Portugal: o Benfica.
Desde 1904 a servir milhões de adeptos nos quatro cantos do mundo.

NOTA: Sim, este post foi só uma desculpa para dizer que o Benfica ganhou 4-0 ao Hertha de Berlim. Por estes dias o Diogo tem andado por aí com um sentimento sebastianista que o Ruben Micael vai trazer novos dias de glória ao Porto. Mas parece-me que enquanto houver um Benfica destes como protagonista, o Porto vai continuar no seu papel secundário.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Resultados da 3ª Sondagem


Antes de mais, gostaríamos de expressar o nosso desagrado em relação à infeliz coincidência de abordarmos inundações na nossa terceira sondagem, numa altura em que uma grande tragédia assola a Madeira: tantos mortos e nenhum deles é o Alberto João Jardim. É triste, mas há que seguir em frente.
A sondagem colocava, portanto, aos leitores a seguinte questão: no caso de derreterem os glaciares, quem se afogaria primeiro? Foi, mais uma vez, um inquérito muito desiquilibrado. João Moutinho, atleta do Sporting, arrasou a concorrência, com 23 votos, o que prefez 67% do total. Aos protagonistas, esta parece uma resposta óbvia; João Moutinho, ao sentir o primeiro toque da água, atirar-se-ia para o chão a chorar e rapidamente era levado pelas águas, mesmo antes de conseguir pedir cartão amarelo. É preciso avisar o rapaz que corre este risco por tanto querer enganar os árbitros. Não é um risco muito provável, mas é um risco, e o seguro morreu de velho.
A hipótese da velhinha do rés-do-chão ser a primeira a afogar-se reuniu 7 votos, o que significa 20% do total. Toda a gente tem uma velhinha a morar no rés-do-chão. Ou uma velhinha ou um estrangeiro. Ou uma velhinha estrangeira. Mas o que é interessante é verificar que a maior parte dos leitores considera que João Moutinho se afogaria primeiro que a velhinha, que tem um metro e vinte, é corcunda, mora no rés-do-chão, e já não pode nadar por causa das artroses na coluna vertebral.
Nas hipóteses avançadas pelos protagonistas, Marques Mendes surge no último lugar, com apenas 4 votos (11%). O afastamento da vida política desta saudosa lenda do rol de palhaços sociais-democratas pode explicar tão fraco resultado. O sobejamente conhecido tamanho do antigo deputado e ex-presidente do PSD justificava um maior número de votos. Possivelmente, quando se apercebesse que estava molhado, já tinha a água pelos óculos, o que, convenhamos, torna a tarefa de nadar bem mais complicado, principalmente quando não se tratam de óculos de natação.
Mais uma vez lamentamos o mau timing da sondagem, mas não lamentamos muito. Não fomos nós que causámos as inundações na Madeira. Primeiro, porque, na nossa sondagem, a hipotética inundação seria causada pelo derreter dos glaciares, e não por forte chuvadas. Depois, não temos esse poder de causar fenómenos meteorológicos catastróficos. Se tivessemos, garantimos que não inundávamos a Madeira. Bem, talvez uma casa. Bem específica.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Madrid

Como tinha prometido, hoje dedico o meu tempo precioso a falar da minha viagem a Madrid e do meu contacto com os cidadãos castelhanos. Foi uma experiência deveras interessante, não só a nível cultural mas também para estabelecer uma ideia que já tinha de uma outra viagem a Salamanca.

Os espanhóis são mesmo um povo divertido, extrovertido e simpático. Coisa que é cada vez mais rara encontrar em Portugal. Claro que isto não é algo que se denote logo à primeira vista, os espanhóis não andam propriamente na rua a rir como malucos nem a oferecer rosas às pessoas, mas um pequeno contacto mais pessoal permite descobrir uma identidade completamente diferente. Por exemplo, sendo eu uma pessoa também extrovertida e que gosta de contactar com as pessoas, e aproveitando também o meu gosto pelo castelhano, dei por mim várias vezes a perguntar às pessoas onde ficava determinado local ou qual era o caminho mais rápido para chegar ao metro. Aqui surge uma das principais diferenças. Enquanto um português diria para ir sempre em frente e perguntar novamente mais lá à frente, isto para não se chatear muito, os "madrileños" explicavam todo o caminho, diziam alternativas e, o que mais me impressionou, em cerca de 50% dos casos ofereciam-se para me acompanhar até ao destino. Além disso, também me aconteceu estar a falar com um senhor que por acaso não sabia indicar o caminho e apareceu um casal, que talvez por telepatia percebeu o que se passava, perguntou por iniciativa própria se precisávamos de ajuda e acabou por nos informar sobre o que era necessário. Não digo que os portugueses sejam completamente antipáticos, mas isto não acontecia em Portugal. Até numa discoteca o segurança que tratava de vender os bilhetes esboçou em pequeno sorriso e disse «olá». Nunca um porteiro de discoteca me tinha dito olá.

Outra coisa que me impressionou, nem tanto pela positiva, apenas impressionou, foi o facto de haver em cada esquina um Mc'Donalds ou um Burger King. É incrível a regularidade com que se encontra uma placa a dizer «Mc'Donalds - 10 mts» enquanto passeamos pelas ruas de Madrid. Apesar de ser a capital espanhola e uma das principais cidades europeias, pensei que isto só devia acontecer nos EUA.

Uma das poucas coisas que me fez ter saudades de Portugal, para além da comida da minha mãe e da minha cama, foram as viagens de metro. A rede de metro da cidade está muito bem distribuída, cobre quase todas as áreas da cidade e é bastante rápida em termos de viagens e tempo de espera. Mas para andar de metro em Madrid é preciso ter 4 olhos. Temos de estar constantemente atentos aos nossos valores porque a qualquer momento podemos ter uma mão desconhecida a entrar nas nossas carteiras e ficar sem nada. Para quem não vive lá e não está habituado, é quase desesperante, e damos por nós a olhar desconfiados para toda a gente como se nos fossem tirar um rim.

E porque não quero fazer aqui um diário pessoal da minha viagem, deixo apenas um apelo forte, quem tiver oportunidade de visitar a cidade que o faça. Vale bem a pena. Menos o dinheiro que gastam para comer...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Preconceito e Queijo

"Without the aid of prejudice and custom, I should not be able to find my way across the room; nor know how to conduct myself in any circumstances, nor what to feel in any relation of life." - William Hazlitt

Estereótipos são uma coisa engraçada. Há uma concepção humorosa passada pelas séries americanas de que indivíduos americanos de raça negra têm uma predisposição para gostar de queijo, mais precisamente queijo oferecido gratuitamente, sem encargos.

Nunca observei este fenómeno, mas posso confirmar que o Português adora coisas gratuitas. Especialmente, queijos e charcutaria.

Alguma vez viram aquelas bancas nos hipermercados, que oferecem queijos, fiambre, chouriça, morcela e toucinho? Aquelas bancas em que o queijo está cortado em cubinhos com palitos de madeira em cima? Pois, nem eu.

No Brasil (e se calhar em Portugal também, não sei) existe um ditado que diz: "De graça, até injecção na testa". E ai de mim questionar a sabedoria popular.

Em Portugal, quando convidamos alguém para um café ou um fino, a resposta imediata não é um "sim". A resposta imediata é: "Pagas?".

A partir deste ponto, das duas, uma: ou a 1ª pessoa aceita pagar o café/fino à 2ª pessoa e ambos viverão felizes para sempre; ou a 1ª não aceita pagar o café/fino à 2ª pessoa, e a última provavelmente irá aceitar o convite, mas o café/fino não saberá tão bem.

O café saberá a água suja. O fino saberá a mijo de cavalo.

Não sei até que ponto este fenómeno sociológico se estica, mas tenho suspeitas de que em Portugal, de graça até exames rectais. Graças a Deus que sou brasileiro.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Citar


Utilizar citações é o que de mais frustrante há na vida. É admitir que alguém pensava o mesmo que nós, mas foi melhor que nós por ter conseguido transmiti-lo. Sentir que outra pessoa transmite melhor o que nós pensamos do que nós próprios faz-nos sentir moscas. Num texto que utiliza citações, as aspas separam aquilo que nós conseguimos fazer daquilo que alguém fez melhor que nós. O que há de frustrante nisto é que, perante uma citação com a qual nos identificamos, pensamos sempre que nós éramos perfeitamente capazes de a ter feito. É como tentarmos abrir uma porta puxando-a, quando devíamos estar a empurrar, e vir alguém e abri-la da maneira correcta.
Citações não nos deixam ser responsáveis por tudo. Nós somos a mulher que faz o jantar, mas as citações são o homem que consegue abrir a lata de pickles.
Citar é ceder, citar é humildade. Citar deixa-me doente.

"A cerveja é a prova de que Deus nos ama, e nos quer felizes" - Benjamin Franklin

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Alegria Confusa

Passei os últimos dias em Espanha, para ser mais específico em Madrid, e como tal não quis desperdiçar a oportunidade de escrever algo sobre esta minha experiência.
Ia de facto falar sobre isso, mas fica para outra altura, porque acabei de ver o F. C. Porto vencer o Arsenal por 2-1, e não consegui esconder a minha alegria com tal facto. Mas mais do que alegria, confusão. Confusão porque já não sei o que esperar da minha equipa. Não é desta época, já vem desde que o Jesualdo entrou para os comandos dos jogadores. Agora torna-se apenas mais evidente pelo terceiro lugar no campeonato. Hoje estou feliz porque o Porto ganhou ao Arsenal na Liga dos Campeões, e apesar de ser um resultado traiçoeiro que poderá virar-se contra o clube português, não deixa de ser uma vitória importante. Mas ainda no Sábado espanquei a minha almofada depois do empate a zero em Matosinhos. E aquele jogo contra a Académica na meia-final da Taça da Liga foi pior que tortura chinesa. Não consigo entender muito bem o que se passa, nem o que o treinador quer da equipa.
A época não está assim tão má. Final da Karlsberg Cup, meia-final da Taça de Portugal, oitavos de final da "Champions", e um terceiro lugar no campeonato ainda com possibilidades tangíveis de recuperação. Mas ver o Porto jogar na liga é um acto de coragem. Continuar a ver o Jesualdo Ferreira à frente da equipa é triste. Não o critico agora. Quem me conhece sabe que desde logo disse que não era um treinador adequado à equipa. É um técnico demasiado cauteloso, com medo de arriscar e que "prende" a equipa. Hoje em dia o Porto joga mal, é perdulário e tem medo de marcar golos, e essa falta de hábito em meter a bola nas balizas adversárias faz com que, mesmo tendo oportunidades para tal, não o consiga fazer, como aconteceu no Estádio do Mar. Parece que o Porto não tem motivação para jogar com equipas inferiores. Joga sempre mal e não marca golos suficientes.
Cada vez tenho menos vontade de ver os jogos da minha equipa, e isso deixa-me triste, porque antes ficava extasiado nos dias de jogo, agora sei que me esperam mais 90 minutos em que me vai apetecer morrer, isto quando não decidem marcar 30 penaltis. Vou buscar a camisola antiga do meu tio do Gondomar, e vou passar a ver os jogos do clube da minha terra aos Domingos. Avisem-me quando formos campeões...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Uma Revolução. Um Conselho

Novidade:

Eu por mim fico feliz pelo interesse do Sócrates nos media.

Ele tem trabalhado incessantemente na sua luta pela revolução do jornalismo.

Já inventou pelo menos dois. O "telejornal travestido" e o "jornalismo de buraco de fechadura"

Conselho:
Um pequeno conselho de alguém que trabalha com carne.

O Diogo referiu, sabiamente, que os croissants nas pastelarias são eternamente "acabados de fazer".

Sabem aqueles rissóis e croquetes e pastéis e paniques que as pastelarias dizem ser de vitela?

Ai, meus amigos, se soubessem o que alguns estabelecimentos põem naquilo...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Al-drabaram-me!


São 5h47 e acabei de ver o jogo do NBA AllStars, e não pude deixar de reparar que os pretos ficam melhor de bigode do que os brancos. Salvo excepções como Tom Selleck, o bigode num branco não tem a pinta inerente aos bigodes dos pretos. E isto tudo porque a história que o Vô Diogo vos traz hoje tem tudo a ver com raças e pilosidade facial.
Segundo o jornal Gulf News, nos Emiratos Árabes Unidos, esses óasis de futebolistas e conservadores, um embaixador anulou o casamento quando, no momento do beijo que celebra o matrimónio, a noiva destapa o niqab que lhe cobria o rosto, e o senhor descobriu que a jovem era vesga e barbuda. Como nunca tinha visto a menina sem o véu nos encontros, não tinha conhecimento destas suas propriedades. Mais: no tribunal, exigiu uma indeminização pelo dinheiro gasto em jóias para a cara-metade (e este "cara-metade" é quase literal, já que os pêlos que faltam na cara de um estão na cara do outro).
Primeiro ponto, ninguém se lembrou que o noivo é que podia ser vesgo e a noiva ser, na verdade, um homem. Se fosse, ninguém segurava o D. José Policarpo.
Segundo ponto: se todas as mulheres árabes forem barbudas, começo a perceber a tradição do véu; acho que elas próprias não se devem importar. Isto do véu pode não ser atentado à mulher, pode ser a protecção da mulher. Mulheres com barba é um conceito que a mim me faz uma certa confusão, dado que eu sou um homem com 19 anos e ainda não a tenho. Além de me meter um bocado de nojo; por mim podem falar de vomitado ou fezes à mesa que eu continuo a enfardar, mas se querem ficar com a minha sobremesa, mencionem mulheres barbudas.
Terceiro ponto, há um descuido absurdo da parte da noiva. As mulheres no ocidente rapam o último pelinho do tornozelo só para ir às compras, e esta senhora não podia ter feito a barba no dia do casamento? A não ser que isto seja uma tentativa da mulher se aproximar do homem naqueles países, só que em vez de ser em direitos sociais e religiosos, é em pêlos na cara. Tem de se começar por algum lado.
Os Emiratos, e os países árabes no geral, são um paraíso masculino. Eles podem casar com uma mulher mistério, e, se não gostarem, anular o casamento e pedir outra. É como ir a um restaurante e não pagar a sopa porque tinha um pêlo. E esta, aparentemente, tinha vários.

(Não estou a elogiar honestamente. Na verdade, acho nojento o que eles fazem às mulheres. Tapá-las para não as verem é, antes de mais, serem burros. Mas desde os cartunes do profeta Maomé que não quero arriscar atiçá-los.)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Tudo o que é preciso saber sobre a crise política portuguesa

O Fabeta escreveu um post curtinho, eu tenho vivido em fuso-horário trocado nas últimas semanas, por isso cá vai disto:

"O PS foi o partido mais votado nas eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009. Na sequência das eleições, José Sócrates (eleito, no último congresso, secretário-geral daquele partido) foi convidado, pelo Presidente da República, a formar governo e tomou posse como Primeiro-ministro. O programa do novo Governo não foi rejeitado na Assembleia da República pelos partidos da oposição que, em conjunto, constituem a maioria absoluta. Agora, passados 4 meses de governação, foi «descoberto», através de escutas telefónicas, um «plano» de José Sócrates para controlar a TVI e outros órgãos de comunicação social. A oposição, as oposições, descartadas responsabilidades criminais pelos Tribunais competentes, falam num ataque à liberdade de expressão e dizem que José Sócrates não tem condições políticas para governar, mas nenhum partido com representação parlamentar apresenta uma moção de censura na Assembleia da República com o objectivo de destituir o governo, nem o Presidente da República usa os seus poderes constitucionais para demitir o primeiro-ministro. Isto só pode significar que os partidos da oposição não acreditam no que dizem ou o que dizem não corresponde ao que os portugueses pensam e, por isso, não querem eleições antecipadas. E perante isto, que solução habilidosa tiraram da manga? O Partido Socialista devia substituir o primeiro-ministro por outro socialista no quadro parlamentar existente. Parece um argumento da série «Mentes criminosas». Em democracia só deve governar quem ganha as eleições. Não são permitidos truques e outras magias."

Tomás Vasques in Hoje Há Conquilhas

Queres chumbo?

Uma professora nos EUA matou a tiro 3 pessoas numa universidade de Alabama. Segundo a polícia, Amy Bishop abriu fogo numa reunião de biologia. Se calhar não a deixaram cruzar rãs com hamsters...

Não me refiro a esta situação para criticar os americanos, nem para dizer que são todos malucos e desequilibrados, nem essas tretas que já toda a gente sabe, não vale a pena bater nessa tecla porque, apesar de tudo, não são os únicos.

De qualquer forma, utilizo esta notícia como deixa para comunicar ao futuro primeiro-ministro Leandro Silva que o ministro da educação deverá procurar todas as formas possíveis de contratar professores como esta senhora para o nosso país. Pelo menos não têm medo de "chumbar" ninguém...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Minha Chegada ao Poder

Se não sabiam, caros leitores, ficam já a saber que serei Primeiro-Ministro desta nobre República Portuguesa.

A estimativa mais próxima para a data de realização desta magnífica realidade será algures entre 2020/2030.

Como estamos agora numa altura de tão grande instabilidade política(pelo menos de acordo com a imprensa), apresento assim os primeiros membros do meu humilde governo:

Ministro do Trabalho - Diogo Hoffbauer
Nascido em 1990, é membro ilustre d' Os Protagonistas e um demagogo de primeira com provas dadas na área da diplomacia. Alguns o descreverão como uma espécie de Paulo Portas comunista, combinando o paleio das feiras como o fervor dos comunas.
O seu sobrenome alemão é traduzido literalmente para algo como: "Esperança dos Agricultores". Nenhuma outra pessoa estará mais qualificada para lidar com comunistas e centristas do que alguém cujo sobrenome é Esperança dos Agricultores.

Ministro da Defesa - Paulo Camões
Descendente directo de Luís de Camões, seria o candidato perfeito para o Ministério da Cultura, não fosse o facto de já ter confessado a mim que nada lhe daria mais prazer do que poder andar a brincar com tanques e submarinos.
Ele pediu-me, adicionalmente, para fazer já o seu primeiro futuro anúncio que será a Declaração de guerra ao Botswana. Desconheço as razões para esta guerra, mas agradeço o entusiasmo do Sr. Ministro Camões e tenho a certeza de que o capítulo da guerra Portugal-Botswana fará delícias a José Hermano Saraiva (caso ainda esteja vivo).

Ministra da Presidência - Joana Amaral Dias
Não sei exactamente o que faz o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, mas como ele está sempre ao lado do Sócrates, imagino que Joana Amaral Dias desempenhará essas funções ao meu lado com fulgor e perspicácia. Ficará bem na fotografia.

Queres ser Ministro? Então envia o teu [CV + fotos de corpo inteiro] para a caixa de comentários deste post!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Copo na parede


Ao ver a revolta do povo português em relação ao caso das escutas, não a consigo disassociar de uma grandes grandes qualidades do ser humano: a cusquice. As pessoas não estão preocupadas com as bases democráticas da nossa sociedade; estão preocupadas com o facto de não poderem saber tudo. A minha vizinha de baixo, que comenta com a vizinha de cima a vida da vizinha mais abaixo, não faz sequer ideia do possível teor das conversas nas escutas; mas saber da existência de escutas, que não foram efectuadas por ela, e cujo conteúdo permanece no seu natural habitat privado, deixa-a louca.
Uma coisa é a comunicação social desempenhar o seu dever de divulgar o que se passa de bem e de mal na vida política; outra é fazer uma perseguição voraz e constante das mesmas pessoas. Pelo menos variem nos alvos, que é para a miha vizinha de baixo poder mudar a agenda de conversa com a vizinha de cima. Confunde-se informação com esclarecimento e opiniões construtivas sobre alternativas de governação. Mais do que sair sempre o mesmo desfavorecido, saem favorecidas personalidades que não são muito diferentes do ponto de vista governativo. A oposição consegue ganhar pontos sem fazer nada, e sem sequer conseguir aproveitar todo o potencial eleitoral destes escândalos. Ou seja, todos estes casos, além de denegrir a imagem do primeiro-ministro, não fazem melhor à imagem dos partidos da oposição, que nem com estas situações consegue sair por cima. Com uma oposição destas, ninguém precisa de aliados.
Depois também há a hipótese séria de toda esta campanha contra Sócrates sofrer o efeito do açúcar no chá: há um ponto em que, é tanto o açúcar, que o chá fica amargo. Esta repetitiva perseguição do senhor, esta sucessão de escândalos está-se a tornar tão exaustiva que eu chego a ter pena do primeiro-ministro. E piedade é um dos principais trunfos no que à campanha política diz respeito. Ao Berlusconi bastou uma estatueta no focinho; a este parece que são precisas várias.

Actualização: Só estou esclarecido sobre uma coisa: existem dois tipos de comunicados; um a pedir esclarecimentos; outro a dizer que não comenta o pedido de esclarecimentos. Esclareci-vos?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Supermercados Destruíveis

Às vezes estou num supermercado a fazer compras, e tendo uma mente demasiado "flutuante", dou por mim a divagar e a pensar no óptimo que seria se, em vez de ouvir a irritante música do Pingo Doce ou aquelas músicas estúpidas que temos de ouvir quando apenas queremos comprar cereais, ouvisse alguém a dizer o seguinte: "Senhores e senhoras, queremos informar que dentro de precisamente 30 minutos vamos dar início à destruição integral do conteúdo do supermercado, durante um período aproximado de 90 minutos, durante os quais os clientes terão acesso a todos os produtos, com os quais poderão causar o máximo de danos possíveis. Também poderão entrar nos armazéns e utilizar o que lhes parecer mais destrutivo. Quaisquer ferimentos decorrentes deste "armageddon" serão indemnizados pela companhia. De seguida todos os clientes devem abandonar o recinto para reposição de stocks. Obrigado."
Sei que parece parvo, mas não era óptimo ter a possibilidade de pegar numa marreta e começar a partir televisões ou atirar caixas de pizza às outras pessoas? Ou serei o único a ter pensado nisto mais do que uma vez?

Parecendo que não, esta situação poderia resolver vários problemas. Imaginem o seguinte caso:
Joaquim Sampaio, de 47 anos, chega a casa depois de mais um dia de trabalho árduo na fábrica, em que mais uma vez foi repreendido pelo patrão por baixa produtividade. O jantar está na mesa, e Josefina Sampaio pergunta como correu o dia. Joaquim resmunga: «A mesma merda de sempre...» Depois do jantar, Joaquim senta-se a ver a telenovela com a mulher, contrariado. Depois de 4 cervejas, e já com os níveis de stress a furarem o couro cabeludo, reage à pergunta da mulher: «Quem achas que matou a Carlota(personagem da novela)?» Num ataque de raiva, Joaquim prega duas estaladas na mulher e vai-se deitar. A mulher passa a noite no sofá a chorar...
Agora imaginem a mesma situação mas num mundo de supermercados destruíveis:
Joaquim, depois do trabalho, passava no café, bebia umas cervejas com os amigos e dirigiam-se ao supermercado mais próximo. Então começava a destruição. Depois de esgotar as frustrações todas, ia finalmente para casa, em paz com o mundo. Chegava, beijava a mulher e apreciava o manjar que esta lhe tinha preparado. Depois, viam os dois a novela. Mais tarde, já na cama agarrado à mulher, pensava: « Hoje destruí 3 televisões e uma máquina de lavar roupa. Mas amanhã volto lá, aquele frigorífico não se vai ficar a rir...» E então, livre de todas as frustrações e cansaços, Joaquim preparava-se para uma longa noite de prazer...

Não seria muito melhor assim?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Jorge de Sena e as Senhoras da Vida

É a ler isto que eu percebo que afinal sou conservador.

"A mais completa liberdade [deve] ser garantida a todas as formas de amor e de contacto sexual.

Nenhuma sociedade estará jamais segura, em qualquer parte, enquanto uma igreja, um partido ou um grupo de cidadãos hipersensíveis possa ter o direito de governar a vida privada de alguém. [Um dos] prazeres sexuais dos seres humanos tem sido o de reprimir a sexualidade, a própria e a dos outros. Defendo todas as formas de prostituição, como profissão protegida pela lei e vigiada pela saúde pública.

Ainda que isso possa chocar muita gente, parece que, desde sempre, houve machos e fêmeas cujo talento na vida, e cuja vocação definida, é emprestarem o próprio corpo. E quem se vende ou quem compra (o que não tem nada a ver com capitalismo, mas com o direito de qualquer pessoa a dispor de si mesma, em acordo com outra) deve ter a protecção da lei contra redes de exploração, chantagens, etc. O que duas pessoas (ou um grupo delas) fazem uma com a outra, fora das vistas dos demais, não diz respeito a esses demais, a não ser que eles vivam na observação mórbida de imaginarem (num misto de horror e curiosidade, que os torna moralistas raivosos) o que os outros fazem. E o que os outros fazem não altera em nada o equilíbrio social.

[A pornografia pode ser] um prazer para muita gente e, às vezes, o único que lhes é concedido, pois as pessoas idosas, solitárias, não atractivas, não encontram nunca o chinelo velho para o seu pé doente. Uma prostituição oficializada é obra de caridade para com os feios e os tímidos. [Porque hão-de ser] só os ricos e os de maiores posses a terem acesso à pornografia, e não os pobres? As classes mais desprotegidas deviam ter a sua pornografia mais barata, subsidiada pelo Governo, se o Governo fosse ao mesmo tempo inteligente e progressista nestas matérias.

Somos um país imoral, um país depravado às ocultas. Foi isso, no entanto, que nos salvou de mergulhar nas sombras horrendas do puritanismo. Puritanismo que não é parte da nossa herança cultural. Mil vezes a pornografia do que a castração, a prostituição do que a hipocrisia. Se alguma coisa há que deve ser sagrada, é o prazer sexual entre pessoas mutuamente concordantes em dá-lo e recebê-lo, ou negociá-lo.

[Os adolescentes e as crianças sempre souberam] muito mais do que os adultos fingem que eles sabem. Raros terão sido os jovens seduzidos na sua inocência. Na maior parte dos casos, o contrário é que é verdade. Se alguma coisa há que deva ser sagrada, é o prazer sexual entre pessoas concordantes em usufruí-lo e partilhá-lo."


Jorge de Sena

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Desilusões


É preciso renovação no desporto português. Quando a Daniela Inácio é eleita a desportista mais sexy de Portugal, duas coisas são certas:
a) A Vanessa Fernandes não estava na votação;
b) Precisamos de uma Maria Kirilenko para o país ir para a frente. Mais do que a nossa polícia ou mau funcionamento dos diversos serviços administrativos, envergonha-me viver num país tão parco em desportistas sexies.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um chinês nunca vem só

Hoje falo-vos de uma realidade um pouco assustadora e a quase todos os níveis inevitável. A China está a tomar o controlo do mundo. Não me apraz muito esta situação, mas como disse antes é quase um dado adquirido. Até os EUA começam a dar o rabinho aos chineses, das mais variadas formas.
A verdade é que a China obteve um crescimento económico espantoso ao longo das últimas duas décadas, mas isso já toda a gente sabe. O que me parece a mim é que pouca gente tem a consciência de que a China já deixou o grupo dos "que estão quase lá a chegar". A China já lá chegou, onde quer que isso seja. E a crescente submissão dos EUA aos "amarelos" é significativamente preocupante. E por mais ignorantes e estupidamente violentos que os americanos sejam, prefiro continuar a vê-los como maior potência mundial em vez da China.

O problema é que não parece existir forma de o crescimento chinês abrandar. Não me incomoda que um país queira evoluir, mas não me agrada que o faça às custas da população que continua a passar fome e a morrer no interior do país.
Além disso, o exército chinês conta com 2.3 milhões de efectivos, representando em número o maior exército do mundo. Embora as forças armadas deste país estejam tradicionalmente mal equipadas e mal treinadas, o crescente fortalecimento económico tem vindo a mudar essa situação. E os chineses são como as formigas, matamos um e aparecem logo 300. De resto, continuo a achar que eles são feitos em série em fábricas escondidas no interior do seu território.

Não sou racista nem xenófobo, mas não escondo a minha diminuta empatia para com os chineses. São um povo desconfiado, traiçoeiro, mau, e não devem controlar o mundo.
E ainda por cima são feios.

Desisto

O segundo Governo de José Sócrates já nomeou 1361 pessoas desde que assumiu funções no final de Outubro.

Incluindo mais de 300 assessores.

Esta merda é mesmo do género "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Dinheiro

Dinheiro é único. São pequenos pedacinhos de metal. Ou pequenos pedacinhos de papel com desenhos e números. Filosoficamente, dinheiro pode não trazer felicidade, mas a falta dele traz infelicidade.

Aos que dizem "dinheiro não traz felicidade", dêem-me 100 milhões de euros e eu direi se sou feliz. Posso responder já. Sim.

Mas o dinheiro é único por ser a única coisa alguma vez criada pela humanidade que nunca é demais. Admito que o Pão de Alho da Pizza Hut também ande lá perto, mas nunca passei dos 10, nomeadamente pela falta de dinheiro.

Mas dinheiro...eu daria bom uso a qualquer quantia de dinheiro. Gastaria o dinheirinho todo do Bill Gates em alguns dias. Daria facilmente uso a 40 mil milhões. Eu não sou com Bill, a desperdiçar valentes trocos a comprar as vacinas da malária para o pequeno Bakubu do Senegal.

Assim, sem pensar muito, posso já enumerar alguns. Uma casa tão grande que seria necessário andar de carro dentro dela para ir do quarto à casa de banho. Uma casa tão grande que teria mapas a dizer :"Você está aqui". Uma casa tão grande que a minha família viveria lá, mas mesmo assim poderia passar semanas sem ver a minha tia.

Pronto, isto é uma ideia.

Mais coisas? Um parque de diversões privado. Um campo de golfe. Um estádio de futebol privado. Comprava o Benfica. E o Barcelona, já agora. Um loja da Haagen-Daas dentro de casa. Um Starbucks dentro de casa. Um piscina de gomas. Uma praia artificial. Um pequeno país, provavelmente a Holanda ou a Suiça. Uma frota de Airbus. Um carro para cada dia do ano. Uma estação espacial. Um casa na Lua. Um tanque de guerra. Um F-16. Um navio transatlântico. Criar a Universidade Leandro Silva.

Mas ainda há mais possibilidades. Financiar a ressuscitação genética do Mamute e do T-Rex. Uma piscina de moedas como a do Tio Patinhas. Jogar Sim City com uma cidade real. Jogar Sims com pessoas reais.

Mais?

Alimentava os meus cães com pedaços de carne de vacas que só comem caviar beluga. A casa pintada em ouro. Esqueçam isso, uma casa feita de ouro cravejado com diamantes. Comprava a múmia da Cleópatra para pôr na entrada, junta à porta. Usava o Palácio da Pena para fins de semana. Comprava o Castelo do Almourol. Explodia Guimarães. Comprava um bomba nuclear. Estes dois últimos provavelmente pela ordem inversa. Faria manicures e pedicures com uma modelo de cada nacionalidade para cada dedo.

Comprava Portugal. O Norte para viver. O Centro...esqueçam, não faria nada com o Centro. O Alentejo como sala de jantar e para jogar golfe. Lisboa para ver jogos do Benfica. O Algarve como praia, uma só praia, chamada...Praia do Algarve. Ou como é conhecida na minha casa - a vista da sala de jantar.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Resultados da 2ª Sondagem


Muito se fala das consequências do terremoto no Haiti, mas pouco ou nada se discutem as causas. Polivalentes que somos, temos a nossa veia de sismólogos, e avançámos com as causa que nos pareceram mais viáveis, além de darmos a possibilidade aos nossos leitores de optarem pela hipótese mais aceite pela comunidade científica: as placas tectónicas. Naturalmente, fiéis como são os nossos queridos visitantes, a maioria concordou que, por muito que as placas tectónicas possam, por vezes, fazer a Terra arrepiar-se um bocadinho, nunca causariam tamanho estrago. Apenas 3 pessoas (11%)consideraram que as plaquinhas conseguiriam agigantar-se de tal forma.
Assim, quase 60% dos nossos estimados acompanhantes acreditam que todo aquele aparato nas Caraíbas foi causado por uma eructação mais forte do apresentador Fernando Mendes, possivelmente depois de uma refeição mais pesada ou de uma Ginger Ale mais gaseificada. Tendo em conta o porte do sujeito em questão, parece-nos uma hipótese perfeitamente viável.
Ao nossos leitores, ainda que com metade dos votos, também não parece de todo descabida a hipótese de o jogador Luisão ter caído da cama. Acontece a todos, uma noite mais atribulada, uns pesadelos, um borrego ao jantar que caiu mal, e a consequente queda, porque as camas não são horizontalmente infinitas. Mas com alguém com a constituição física de Luisão, é natural que uma queda possa ter consequências mais graves.
Aos nossos leitores, os mais sinceros parabéns por partilharem connosco uma visão muito mais progressista e inovadora da sismologia. Aos três imbecis que optaram pela hipótese tão retrógada das placas tectónicas, só isto: é por causa de mentes fechadas como vocês que a geofísica não avança.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nada de nada

Já estou farto de ouvir e ler as mesmas coisas nas notícias nos últimos dias. Terramoto político e económico, striptease fiscal, falta de coesão parlamentar, é este tipo de coisas que tem aberto as notícias ultimamente. Gosto de acompanhar o panorama socio-económico-político nacional activamente, gosto de estar atento, gosto de analisar e até gosto de criticar, conscientemente. Mas nestas alturas em que se fala 24 horas por dia da mesma coisa até à exaustão e toda a gente parece acordar de manhã exclusivamente para criticar tudo e todos, eu gosto de me afastar ligeiramente e pensar noutras coisas. E porque este blogue não serve apenas para falarmos de assuntos sérios, hoje deixo-vos apenas com uma série de factos curiosos, surprendentes e verídicos que decidi partilhar com os visitantes deste espaço. Não servirá certamente para melhorar a situação económica do país, ou para acabar com a fome em África, e nem mesmo para ensinar o Jorge Jesus a falar, mas às vezes até sabe bem ter a conscência de que afinal tudo o que sabemos é quase nada...

- Todos os seres humanos têm 4 narinas;

- A Terra tem 7 luas;

- A capital da Tailândia chama-se Grung Tape;

- O maior ser vivo do mundo é um cogumelo;

- A maior coisa que uma baleia azul consegue engolir é uma toranja;

- As corujas não conseguem mover os olhos;

- Os monges Tibetanos dormem de pé;

- A maior estrutura feita pelo Homem é uma lixeira em Nova Iorque;

- 25% dos nossos ossos estão nos pés;

- A maior parte do oxigénio do planeta é produzido por algas;

- Os gorilas dormem em ninhos;

- O primeiro animal domesticado pelo Homem foi a rena;

- Os suíços comem carne de cão e gato;

- O animal mais perigoso que alguma vez existiu é o mosquito (fêmea);

- Os camelos vêm da América do Norte,

- O número da besta é 616.

Se tiverem alguma dúvida em relação a algum dos dados, façam o favor de deixar os vossos comentários que farei questão de vos responder.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ciclos

Este post será um bocado grande. Não peço desculpa. Peço que leiam. Não está muito bem escrito mas eu escrevi isto demasiado revoltado para me importar.

O mundo funciona em ciclos, diz-se por aí. A economia, a emigração, a natureza, a relações pessoais, as reacções químicas e biológicas. Todas elas em ciclos. É como dizer que tudo vai dar ao mesmo. Nada muda. Portugal e as suas politiquices não são diferentes. É como Lavoisier preconizou, nada se perde, tudo se transforma.

Os problemas do panorama político português são iguais ou semelhantes aos problemas dos outros países ocidentais. Mas falo de Portugal, para falar apenas daquilo sobre o qual conheço alguma coisa.

Portugal tem um grande problema: as máquinas partidárias. Nunca irão surgir pessoas capazes, grandes líderes, provenientes da máquina partidária.Tivemos alguns como Mário Soares, Sá Carneiro e Manuel Alegre que não surgiram dessas maquinações. Hoje são meros vultos.

Alguém que chega à liderança do partido, ou à liderança de Portugal, é alguém que subiu pelo rabo de todas as pessoas. Deu graxa, falou com as pessoas certas, conheceu as pessoas certas, esperou pelo momento certo, comunicou do modo correcto ao populacho.

Não é alguém que subiu por mérito técnico. Não é alguém com os melhores conhecimentos da área da política, da sociologia, da economia, etc... É aquele que melhor manobrou no pântano da política. É, portanto, alguém odioso. É um ser capaz de agradar a todos. Nenhum dos grandes, nenhum dos melhores, agrada a todos.

Os melhores, os grandes, provocam ódio, inveja, escárnio... Os melhores ficam sozinhos, e ficam bem. Fazem o que tem que ser feito, não porque agrada ao povo, mas porque é a coisa certa a se fazer.

Sócrates é o exemplo perfeito disso. Não estou a dizer que o Sócrates é incapaz, ou corrupto. Odeio cair nesse populismo de criticar o líder simplesmente por criticar. Todos os portugueses criticam o Sócrates. Poucos são os que podem enumerar especificamente aquilo que ele faz mal. Nem estou a criticar o Sócrates. Ele é um produto do ambiente.

"Ninguém será grande líder se quiser fazer tudo sozinho, ou ter todos os louros por o ter feito." - Andrew Carnegie

Uso esta citação mais uma vez porque é demasiado perfeita. Esta frase é tão perfeita que sai dos campos da prosa. É pura poesia. Esta frase é o Sócrates e ponto final.

Hoje no editorial do i, Sílvia de Oliveira referiu sabiamente que Sócrates é o 1º Ministro, mas não é o Ministro das Finanças. Ele bem tenta. Ele tenta monopolizar toda a interacção, toda a glória, toda a teimosia.

O Ministro das Finanças, alegadamente ameaçou demitir-se, se a Lei das Finanças Regionais for aprovada. E fez bem. Mas Sócrates continua a agir como se a Lei não importasse nada. Mesmo que tenha um impacto negativo no Orçamento, ele não se importará. Desde que a aprovação da lei faça parecer que Sócrates é alguém que dá primazia ao diálogo. Desde que a lei faça Sócrates ficar bem na fotografia.

Portugal está ridiculamente mal. Não adianta andar à volta disso. Sócrates continua no entanto a manter um discurso de optimismo, de futuro, de tecnologia e de inovação. Esse não é o tom certo.

O tom certo é apocalíptico. Temos que fazer entender aos portugueses que isto está mal. Que temos que andar alguns anos a compensar. Temos que cortar salários. Temos que reduzir a função pública. Temos que acelerar a justiça. Temos que cortar o investimento público desnecessário. Temos que levar a sério as coisas. Chega de cunhas, de fuga aos imposto. Temos de cortar TUDO o que não é essencial.

Sócrates tem que esquecer, por 5 minutos, que tem assessores. Tem que dizer isto directamente, sem merdices, sem andar à deriva. Tem que fazer o que é necessário e calar-se.

Os jornais têm criticado Francisco Assis, líder parlamentar do PS, pela instabilidade da bancada. Nomeadamente a polémica da lei da publicação dos rendimentos na Internet, apresentada por alguns deputados do PS.

Mas o que é instabilidade na bancada parlamentar? Isso só existe porque os PARTIDOS PORTUGUESES SÃO COMO EQUIPAS DE FUTEBOL. Poucos ligam às propostas. O João é do PCP porque é do Alentejo. A Maria é do PSD porque gosta do Presidente da Junta que é do PSD.

O sistema eleitoral português é baseado em listas elaboradas pelo líder do partido. Quem é entrará nessas listas? Não são os mais capazes, os melhores. São os aliados, os amigos, os compadres, os parceiros, os camaradas ou aqueles com maior capital político. Cada deputado é uma pessoa, com as suas ideias e opiniões.


Pelo amor de Deus, chega de demagogia. Existe uma crise. Existe um Portugal desgraçado nas Finanças. No entanto os Sindicatos continuam a reclamar aumentos salariais. Se não há dinheiro, não há aumentos. É simples.

Enquanto a nossa política continuar a parecer um pântano de guerras e manobras, nada, MESMO NADA vai mudar. Continuaremos aqui no meio da merda. Eu continuarei aqui a reclamar. E ficarei bem. O meu sofá é confortável.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Portugal é Mariano


Portugal é o Mariano da Europa. Ninguém dá nada por nós, mas de vez em quando mostramos o nosso valor de alguma forma. E tal como ontem o Mariano sacou aquele pontapé impiedoso, também Portugal prossegue indiferente aos assobios da bancada de Bruxelas e continua a ter um défice invejável.
Os ministros das finanças europeus, que já traçaram uma data-limite para a tomada de medidas eficazes do combate aos nosso querido défice, não nos compreendem. Não compreendem que, mais importante do que a unidade europeia, está o orgulho nacional. O défice português é um embaixador de Portugal no mundo, é uma bandeira, é o Cristiano Ronaldo, é o galo de Barcelos. Sem um défice colossal, o governo fica com as contas mais aliviadas e com espaço de manobra para utilizar o orçamento para algo que pode melhorar a nossa qualidade de vida? Sim senhor. Mas sem o nosso querido défice, acabaríamos por desaparecer do mapa antes do derreter dos glaciares. E nem o Durão Barroso nos poderia pôr nos rodapés dos telejornais internacionais desta vez. É certo que a Letónia terá um défice menor; mas ninguém ouve falar deles. Nós conseguimos que assobiem a nossa situação em Bruxelas.
E nós, assobiados, tal como o Mariano, chutamos o cu da Comissão Europeia como ele chutou o esférico naquele golão.
(É possível que, escrevesse eu sobre o que escrevesse, fosse associar o assunto àquele golo do Mariano. Ainda estou a ressacar do êxtase.)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um país cheio de "problemas"

Mário Crespo, jornalista conceituado da SIC, denunciou, através de um artigo de opinião não publicado pelo Jornal de Notícias, uma alegada conversa entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um executivo de TV na qual o jornalista terá sido alvo de críticas graves e terá inclusive sido apontado como "mais um problema a resolver".

Resumindo, a conversa ocorreu num almoço entre os elementos supra-citados e terá sido suficientemente audível para as pessoas em volta no restaurante ficarem a par do assunto, sendo uma delas a alegada "fonte" de Crespo. O jornalista de renome escreveu sobre o assunto na sua coluna de opinião semanal do JN, publicada ás segundas, mas o jornal negou a publicação daquilo que diz não ser "um simples texto de opinião". Aparentemente não corresponde às regras internas do jornal.

Esta situação deu-me vontade de rir, mas depois pensei no assunto e apercebi-me da gravidade da situação. Não vou arriscar fazer juízos de valor sobre o assunto, até porque nada me pode dar confirmações sobre a veracidade dos acontecimentos. No entanto, sinto que vivo num país amorfo que não evoluiu o suficiente para abrir os olhos e a mente à realidade: existem opiniões diferentes em todo o lado. Quando aceitamos apenas as nossas acabamos por ficar retidos num atraso mental que não nos permite avançar. É isto que acontece, de uma forma assustadoramente ecuménica, no nosso país.
Por esta razão não posso deixar de concordar com esta parte do artigo de opinião de Mário Crespo que afinal não o é...

"Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser um "problema" que exige "solução". Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre."

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Medicina Tradicional Portuguesa

A medicina em Portugal tem algo que se lhe diga. Não preciso de puxar muito pela memória para me lembrar de algumas das curas tradicionais portuguesas. O meu avô, por exemplo, luta corajosamente com as suas constipações. Encharca-as em aguardente com mel e limão. Em alguns dias está fino.

Mas a questão da medicina portuguesa mais urgente é a Ordem dos Médicos. Regularmente, este agrupamento comenta nos jornais, na rádios e na televisão sobre o aumento das vagas nos cursos de medicina. Falam que haverá desemprego na classe dos médicos, que haverá um excesso de médicos.

Se há excesso de médicos porque é que eu tive que esperar oito horas para me engessarem o braço? Horas essas que esperei a agonizar na sala de espera, e depois na porta do consultório enquanto tinha o braço partido em dois lugares. Mês e tal depois ainda esperei mais uma manhã inteira para me cortarem o gesso. E mais duas horas para fazer outra radiografia. E mais uma para me dizerem o resultado da radiografia.

Faria assim tão mal haver "excesso de médicos"? Pelo menos desse modo haveria alguma filtração para que apenas os melhores pudessem aceder às posições. E seria assim tão impossível arranjar emprego aos excedentes?

Medicina não é, concedo, uma carreira como as outras. Intervém directamente sobre a vida humana, a vida dos outros para ser mais exacto, e para piorar as coisas. Mas de um ponto de vista meramente logístico ou até mesmo racional, não seria lógico existir um excesso de formação de médicos?

Ou todos as pessoas formadas em medicina são igualmente capazes, igualmente hábeis? A questão é que há uma espécie de cultura na medicina em Portugal. A cultura do chamado "Sr. Doutor", do prestígio automático e inerente a um médico. O próprio Bin Laden podia se mudar para Portugal se tivesse um curso de medicina.

Eu simpatizo um bocado com algumas ideias comunistas. O resto do mundo não. Por isso vivemos numa sociedade baseada em iniciativa privada, concorrência, competição, capacidade individual. Não foi o próprio Adam Smith que disse que o melhor resultado possível advém de cada indivíduo fazer o que for melhor para si próprio?

E porque não aplicar isso à Medicina? Porque eu gostava de viver num mundo, num futuro não tão distante, no qual não teria que esperar um mês por uma consulta. E aposto que o resto das pessoas também.